shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

É muito mais simples não ser livre


Essa é a uma historia de um passarinho. Não uma historia qualquer, é uma historia de Rubem Alves, uma história do dia a dia e de todos os dias.

Era uma vez um passarinho que caiu numa armadilha. Sabe como é, uma armadilha “têm sempre uma coisa apetitosa dentro”. Pode ser um punhado de alpiste ou pode ser uma pessoa que nos seduz. Mas é sempre irresistível correr o risco...

E é lógico que o risco compensa - gritam nossos desejos infames. Lá foi o passarinho, ardente por alpiste. Phum! Caiu na armadilha. Prenderam o passarinho. Mais dia, menos dia, parecia que a gaiola era a coisa mais normal do mundo. Ele se acostumou. “O seu canto era o aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da segurança da gaiola”.

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Nós também cantamos, continuamente, quase sem trégua, pelo nosso gozo. Trocamos a saia curta por uma bem comportada. Trocamos a lista infinita de contatos de telefone por um número novo. Trocamos de amigos ou, simplesmente, deixamos que eles se percam de nós. Vamos trocando tanto que um dia não temos nada para trocar. Estamos rasos. “Só fica um grande buraco na alma, que cada um enche como pode”.

Essa é a história de um passarinho que pode se chamar com qualquer nome: Loro, Rico, Maria, João ou Enrico.

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A história de Rubem não termina simplesmente assim, por terminar, com um passarinho conformado. Quem está conformado? Mas essa é outra questão. Enfim, acontece que um dia a porta da gaiola fica aberta e o passarinho escapa. Ele vê o mundo - com medo. Treme. Hesita. Não sabendo o que fazer com as suas angústias, volta para a gaiola.

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“Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego. Pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...” - diz o dono.

Será que quem nos aprisiona não pensa o mesmo: passarinho bobo, esse que tenho, se fosse mulher ou homem de verdade não ficava preso dos meus caprichos. Afinal, todo mundo gosta de voar...

Despeço-me com Madame de Staёl: “A liberdade e o amor são incompatíveis. Quem ama é sempre escravo”.


Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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