shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

Agora ela tinha os olhos tortos, não eram mais os olhos dela, agora via o mundo com olhos diferentes.


“De forma alguma ela conseguia compreendê-lo, a cada vez ele parecia diferente; era hipócrita, um entortador de olhos, ele tinha entortado os olhos dela; agora ela tinha os olhos tortos; não eram mais os olhos dela; agora via o mundo com olhos diferentes.” Essa frase é de um ensaio do Dr. Tausk: são palavras de uma paciente nas etapas iniciais da esquizofrenia e até mesmo Freud se inspirou nessa doce loucura para escrever um exemplo no artigo “O inconsciente”.

Essas foram as palavras dela, da paciente profundamente enamorada, depois de uma discussão com o amante. O amante...sempre o amante. Me pergunto se não foi o amante que a deixou nesse estado esquizofrênico. Não o amante pessoa, o amante representante de tanto amor, de tanto instinto, de tanto desejo, desejo tanto que não coube mais nela, implodiu e depois explodiu, numa esquizofrenia.

Foi ele que entortou os olhos dela. Não tenho dúvidas. Quem nunca teve os olhos assim, mudados, modificados, petrificados, dilacerados pelo amor?

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Atire a primeira, a segunda e a terceira pedra quem nunca amou. Quem ama se perde da burocracia dos gestos e palavras corretas. Fica com algo torto. A moral, a boca, o bom senso, os olhos ou a lucidez.

Fica com sequela. Pode tratar ou pode engolir. Pode perdoar, odiar ou amar para sempre. Estará lá, gravada no inconsciente, no consciente, atemporal, onipresente.

Chego a conclusão que o amor ou é uma loucura ou é o meio para se ficar louca. Gente que ama devagarinho, com candura...quanta beleza há nisso...nesse amor tranquilo. Mas só até ser tranquilo, quando deixa de ser não há curso de boas maneiras nem colégio de freiras que possa aplacar a santa loucura.

No final das contas, parece que somos todos esquizofrênicos.

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Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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