só para loucos

"A loucura, em seu mais alto sentido, é o princípio de toda sabedoria" Lobo da Estepe

Raissa Niquita

Em (des)Construção...

Publicidade infantil abusiva ou censura desmedida?

"Compre batom, seu filho merece batom!" Se fosse nos dias de hoje, provavelmente você nunca teria ouvido essa frase. Saiba o porquê e veja essa e outras propagandas famosas que foram(ou seriam!)censuradas no Brasil.


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“Compre batom, seu filho merece batom” a hipnótica frase que virou bordão nos anos 90 provavelmente seria censurada nos dias de hoje. Pois no ultimo dia 4 o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), publicou no Diário Oficial da União a Resolução 163/2014, que classifica como abusiva toda forma de publicidade ou comunicação mercadológica dirigida à criança com intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço.

Para o Idec, tendo como base o artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, a publicidade direcionada ao público infantil é abusiva, pois se aproveita da deficiência de julgamento da criança. Entretanto, essa nova classe de consumidores, interfere nas decisões de compras da família em até 80%, segundo aponta estudo da InterScience divulgado em 2003. Devido a essa vulnerabilidade e ao mesmo tempo, a grande influência que os pequenos tem sobre os adultos, se tornam alvos fáceis e sem critério, aumentando ainda mais o assédio do mercado. As crianças com menos de 12 anos não tem senso crítico desenvolvido e deixam-se levar pela fantasia criada pelo comercial de tevê e por embalagens divertidas. Entre produtos e serviços, estima-se que o mercado infantil movimenta R$ 50 bilhões anualmente.

O fato é que nos últimos anos, as crianças estão passando por um processo de "adultização". Consequência de uma nova dinâmica familiar e ao acesso precoce à tecnologia. Tendo a convivência com os pais reduzida e em contrapartida passam maior tempo conectados às tevês e computadores. De modo que, os filhos adotam novos comportamentos estimulados pela mídia, uma vez que são incapazes de discernir entre o que é apelo comercial e o que é conteúdo. Sendo induzidos, muitas vezes, à pratica do bullyng, erotização precoce, obesidade, comportamento agressivo, consumo desenfreado entre outros problemas derivados da exposição excessiva à mensagens mercadológicas.

Do outro lado, representantes dos anunciantes e publicitários, alegam se tratar de cerceamento de liberdade de expressão. Instalando assim a pugna. O cartunista Mauricio de Souza foi um dos que se pronunciaram dizendo não acreditar que a proibição seja o caminho e lançou polêmica e revolta na internet ao divulgar a seguinte imagem.

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Segundo a resolução, com validade a partir de sua publicação, são consideradas abusivas as campanhas que utilizem: linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores, trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança, representação de criança, pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil, personagens ou apresentadores infantis, desenho animado ou de animação, bonecos ou similares, promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil, e promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.

No Brasil, a legislação e o controle das propagandas direcionadas ao público infantil é um dos mais restritivos do mundo, estando no nível do Reino Unido e bem acima dos Estados Unidos que praticam mecanismos de autorregulamentação considerados brandos.

Para exemplificar, algumas propagandas que foram (ou seriam) restringidas, segundo a normatização atual. Controle social ou censura? Comentem.

Thumbnail image for lilica ripilica.JPG Propaganda da marca Lilica Ripilica recebeu denúncia por ser considerada abusiva pela imagem erotizada da criança.

vogue.jpg O ensaio faz parte da edição especial da Vogue Paris editada pelo estilista Tom Ford. Foi considerado polêmico pelo teor erótico utilizando da imagem de crianças.

courofino.jpg Campanha publicitária da marca Couro Fino causou polêmica nas redes sociais. Erotização e ridicularização da imagem da criança.

Chocolate_proibido_Nerd.jpg ovos de páscoa Bis Xtra + Chocolate, da Lacta, traz na embalagem a frase: “personalize a embalagem com adesivos e sacaneie seu amigo”. Resultado: Chocolates retirados das prateleiras por incitar a prática do bullyng.

playstation2.jpg Playstation tem uma série de propagandas polêmicas que passam por constantes cortes.

chocolate whisky.jpg Lunivers de chocolate. Bombons recheados de wisky e bebês supostamente alcoolizados.

Love Cosmetics – Because Innocence is Sexier Than You Think.jpg "Porque inocência é mais sexy do que você pensa". Dispensa comentários.

espingardas daisy.jpg Espingardas Daisy 1972- Presentes natalinos para toda família.

Autorregulamentação proíbe o uso do apelo imperativo "compre" na publicidade infantil.

Nos dias atuais seria censurado por apelo sexual.

Seria considerado abusivo pelo apelo sexual.

Propaganda da sandália da Xuxa com divulgação para o exterior. Contém apelo imperativo do consumo e conotação sexual.

Tesouras Mondial 1992. Discrimina não consumidores do produto incentivando a prática do bullyng.

Fontes: Rede Brasil Atual

IDEC

Macroplan

ABA


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