Igor Assaf

Igor Assaf tem tentado, através de muito esforço e desespero, entender a vida em sociedade e escolheu a cultura e a educação como seu objeto de estudo.

"Três Cenas Clássicas de Terror" ou "Por que Esses Filmes de Terror Viraram Clássicos?"

Há cenas do cinema que se tornaram clássicas. E poucas foram de filmes de terror. Neste artigo damos uma olhada em cenas de três filmes que foram considerados clássicos do cinema, não só de terror: "O Iluminado", "O Silêncio dos Inocentes" e "O Exorcista".


É fato que há muito mais filmes universalmente reconhecidos como clássicos de outros gêneros que não sejam terror. Ao considerarmos uma produção cinematográfica como clássica estamos nos referindo à capacidade da obra gerar respostas emocionais, de encantar a audiência independente da época em que foi produzido. É uma obra de certa forma universal e que atravessa o tempo. Essa capacidade deriva não só de um roteiro bem feito, mas da direção e da atuação. Nesse caso os filmes de terror sofrem de dois problemas: sentimentos de terror não respostas emocionais consideradas prazerosas e geralmente as produções se apoiam em gerar terror através do sentimento de asco, optando por um caminho mais fácil em gerar repulsa do que medo efetivamente.

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Como a resposta de desconforto causado pelo nojo vira o foco desses filmes, não é necessário muito recurso para criar sangue falso e outras coisas do tipo. Não é a toa que filmes de terror se tornaram a porta de entrada para a indústria cinematográfica para cineastas como James Cameron, Sam Raimi e muitos outros. Câmera na mão, xarope de glicose no chão e pronto, você tem respostas emocionais das pessoas.

No entanto alguns filmes que seriam considerados "B" em função da sua origem a partir de obras literárias populares, baseadas em suspense e terror ganharam prestígio e se tornaram clássicos em função do valor agregado pelos seus produtores e diretores. Apresento aqui 3 cenas de 3 filmes de terror que se tornaram clássicos do cinema, ganhando inclusive reconhecimento através do Oscar. As cenas selecionadas foram as que estamos familiarizados e mesmo quem nunca viu o filme já pode ter visto essas cenas em alguma compilação por aí.

O Silêncio dos Inocentes: Buffalo Bill dança pra câmera, "simulando" sua feminilidade.

Numa montagem rápida e simples, o diretor cria o clima para uma cena estranha que gera desconforto em algumas pessoas. O desconforto não vem da simulação, mas na sequência de transgressões corporais: tatuagem, piercing no mamilo, maquiagem (tendo em vista que culturalmente homens não deveriam usar maquiagem), a "peruca" que é um escalpo e a ocultação do seu órgão genital. Buffalo Bill sai do casulo ao final da cena, se revelando uma mariposa, como a do pôster do filme. Tudo isso ao som de Godbye Horses, Crássico!

O Iluminado: "Here's Johnny"

Talvez o grande trunfo dessa cena seja apenas Jack Nicholson e sua cara de doido. Inclusive, o escritor da obra que gerou o filme, Stephen King, disse que detestou a escolha de Nicholson para o papel pois ele dava desde o início a ideia para a audiência de que ficaria doido.

Mas analisando a cena temos o contexto que nos provoca incomodo: a sensação de aprisionamento, reforçada pela cena quando Wendy não consegue pular da janela ficando entalada; há a música que provoca desorientação nos nossos ouvidos, pois além de usar agudos dá a impressão de estar invertida; os gritos de terror de Wendy seguidas pelas machadadas na porta. Mas ainda assim, o que mais incomoda é a cara de doido.....

O Exorcista: Cabeça Giratória

O filme que deu origem a toda a sensação de filmes sobre possessão demoníaca. No livro, originalmente a história era sobre um garotinho. O diretor William Friedkin trocou por uma garotinha, que convenhamos, deixou a obra mais assustadora. "O Exorcista" ainda se utiliza de situações que causam nojo, porém o foco do desconforto parece ser o desconhecido e ideia de que o diabo pode estar por aí pronto para infernizar nossa vida. A cena em questão não é a melhor do filme, na minha opinião, mas foi parodiada muitas vezes por ser a mais famosa. Invocação divina, xingamentos, móveis se movendo, uma garotinhha com deformidades e um padre que observa incrédulo a cena, fazendo o papel da audiência.


Igor Assaf

Igor Assaf tem tentado, através de muito esforço e desespero, entender a vida em sociedade e escolheu a cultura e a educação como seu objeto de estudo..
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