sophrosyne

Um entre bilhões.

Lucas Lima

Cronista, pensador e urbanóide. Mas não necessariamente nessa ordem.

De Heráclito a Nietzsche: Tudo Passa!

Propomos um rápido passeio na história da filosofia, para falar sobre o espanto (Thaumazein) do homem diante do fluxo, da finitude, do Devir. A ideia é transmitir alguns conceitos filosóficos e algumas reflexões possíveis de maneira leve, despretensiosa. Convido-vos à leitura!


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Do fluxo de Heráclito ao Devir em Nietzsche, muita água passou por debaixo da ponte. E o rio continuou rio, mesmo sendo um rio diferente a cada instante…

Muitos escreveram, pensaram e aqui estamos, via de regra, às voltas com as mesmas perguntas que a humanidade sempre se fez: Quem somos, de onde viemos e para onde vamos.

Nos dizia Montaigne: “ não pinto o ser, pinto a passagem”, e nos espanta o fato de que quinhentos anos depois do nobre fidalgo, não entendemos ou não percebemos em nossa vida ordinária, cotidiana, algo que deixou ele e os grandes mestres perplexos: a instabilidade e a provisoriedade da vida!

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Quantas vezes pensamos seriamente no quanto ela é curta e na necessidade de plenificar cada instante? Não estamos falando de simplesmente viver o dia, mas sim de algo mais profundo. Falamos sobre a proposta de celebrar cada instante.

Ter em mente a importância de cada sensação, de cada emoção e de cada dia que começa. É justa a acusação aos filósofos de ficarem revirando idiomas antigos, e livros embolorados. Mas para trazer algo de novo temos que saber o que é velho. E isso é uma coisa muito difícil e antagônica ao que defendemos aqui, é como se devessemos parar de viver para aprender a viver. Mas esse laboratório nos parece necessário. Ele é que faz do filósofo e da filosofia essas entidades tão peculiares na história.

É divertida às vezes a atitude filosófica,aos olhos de quem a vê de fora, não podemos mentir. A impressão que causam alguns colegas de estudos, é que podem esbarrar com Platão ou Aristóteles em uma esquina qualquer. É absurdo desconectar-se da vivência da própria comunidade, pois é ela que fomenta, ou deveria fomentar os questionamentos daquele que julga pensar a vida, o mundo, o ser.

Mas existe de um outro lado muita gente ligada no que está acontecendo e conversando com outras tribos e usando as redes sociais para isso. Este é o caminho!

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A urgência da vida nunca ficou tão evidente quanto em nossa geração, uma geração tão cheia de informação mas ao mesmo tempo tão imatura ao lidar com temas como a morte, ética, cultura. É a vida se chocando contra o ser que se diz capaz de pensá-la.

O filósofo desceu da torre do castelo pra falar com essa galera que ele desdenhava, os pobres, os “incultos”, é pensada pelos não nobres e hoje se coloca humildemente no reconhecimento de que a única verdade é não haver verdade alguma ou no mínimo nenhuma verdade pronta.

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Conceitos são construídos por pessoas e para elas. Dia a dia, hora a hora. A filosofia trabalha (pensando na metáfora de Montaigne) como pintora, como fotógrafa dos momentos. Ela edita a vida conforme seu olhar, seu estilo.

Mas isso não faz dela a única maneira de se apresentar a vida. A poesia, a música e as outras artes também fazem isso e as vezes com mais beleza que a filosofia. Todos nós estamos convidados a apresentar a vida ao vivê-la para os outros seres humanos. Ensinamos e aprendemos uns aos outros diariamente. Gostamos da ideia de uma filosofia que se faz ao lado do sistema,ou ainda à margem dele. A idéia de uma “filosofia marginal” nos encanta e nos fascina. Algo que mostre os detalhes da vida sem pretensão de ensinar nada e sim de partir o “pão” com todos.

Propõe-se fazermos como Montaigne: Que tal pintarmos a passagem, o instante, o perecível, o corriqueiro?

Apenas discorramos, seja sobre o que for…

Façamos filosofia juntos!


Lucas Lima

Cronista, pensador e urbanóide. Mas não necessariamente nessa ordem..
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