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Sobre moda, design e inspirações plásticas.

Gabi Cavalheiro

Historiadora cultural, consultora criativa, exploradora de tudo que envolva maracujá, conversas e materialidades.

A moda que é

Um pensamento rápido sobre a moda que é, a moda que tem e as possibilidades do que a gente lê sobre moda pela internet, hoje.


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No último domingo – ontem – uma amiga me perguntou: ‘mas, Gabi, porque você gosta tanto de moda? O que te atrai nisso?’. A pergunta veio depois de várias conversas em que ela me viu falando sobre o assunto e quando se deparou com a quantidade de revistas do tema na minha sala. Pra minha surpresa (!) a resposta foi ao mesmo tempo difícil de elaborar, mas fácil de pensar, ‘eu gosto de moda por gostar da ideia (da possibilidade) de viver rodeada de coisas bonitas, gosto da plasticidade’. Não vou entrar no mérito da questão material, mas da possibilidade, do lugar possível que surgiu na minha resposta.

Julia Petit, famosa por seus ‘petiscos ou pitacos’ me deixou bem contente uma serie de vezes ao falar sobre moda no cenário brasileiro, especialmente esse aqui, o dos blogs. Num papo com Michel Blanco, ela comentou sem qualquer pudor, “A comunicação de moda na internet é opressiva pra cace..., você precisa ter coisas (...), tem gente muito interessante, mas, assim, a maioria da comunicação é ‘eu compro coisas, eu fotografo, eu coloco na internet e eu sou mais legal que você por causa disso’”. Essa opressão não é só cibernética, ela é multimídia, e quando você menos espera se percebe perdido entre esse referencial horroroso e a vontade de viver naquela possibilidade a qual me referi agora pouco. Trocando em miúdos: como gerenciar o ter no que a gente é ou quer ser?

Eu não sei. No fundo acho que ninguém sabe. E, tudo bem, isso aqui é um texto em primeira pessoa – coisa abundante na internet – sobre o qual você pode bem pensar ‘pra que eu vou dar ouvidos a essa garota?’. Uma conhecida sempre dizia que ela não dá a mínima pra textos opinativos, ela simplesmente busca informação. Convenhamos, qualquer ser de Humanas sabe que isso é praticamente impossível, já que toda informação é filtrada pelo que a gente é. Daí eu volto pra moda e acho que: fast fashion e copy+paste não são as únicas ou melhores soluções pra desoprimir essas vontades. A solução, talvez, esteja no elaborar dessa comunicação – no conteúdo, no fazer de blogs, por exemplo – e na expansão da criatividade pra designers novos com ideias revigoradas e com referencias bem filtradas.

Eu não gosto de quem diz ‘eu faço assim porque as pessoas gostam assim’. Eu nunca diminuo as expectativas de quem vai ler-ouvir meu trabalho, meus textos, minhas ideias. Então, se alguém disser que a coisa é como é porque ‘as pessoas’ só querem isso, eu digo ‘tente experimentar o diferente com mais sensibilidade ao que as ditas ‘pessoas’ querem’. Talvez, por hora, o filtro seja a melhor solução. Saber de onde vem a pessoa que a gente gosta de ler e pra que ou quem a pessoa diz o que diz.

Acho que a resposta pra essa boba indagação momentânea seja: talvez.

[Imagem: http://www.stellamccartney.com/gb]


Gabi Cavalheiro

Historiadora cultural, consultora criativa, exploradora de tudo que envolva maracujá, conversas e materialidades..
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