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Sobre moda, design e inspirações plásticas.

Gabi Cavalheiro

Historiadora cultural, consultora criativa, exploradora de tudo que envolva maracujá, conversas e materialidades.

Stella Nina McCartney

Sustentabilidade e maestria criativa no mercado de luxo. Ou, algumas notas sobre Stella McCartney.


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Quando a gente lê um livro muito bom, sente vontade de passar adiante. Quando vê um filme sensacional, compartilha o que viu e faz ‘share location’ pra provar que viu. E quando a gente descobre uma roupa que faz a gente se sentir ‘em casa’, bem, à vontade com nosso corpo e com o mundo?

Stella Nina McCartney talvez seja mais famosa, pra muita gente, pelo sobrenome musical, McCartney, mas o que muita gente não sabe é que Stella reinventou dois conceitos numa brincadeira que, a princípio, deixou muita gente cética – especialmente a indústria que ela desafia a cada coleção. A designer inglesa de 42 anos aliou luxo e sustentabilidade na marca que carrega o seu nome, aliando seu jeito de ler e estar no mundo aos seus desenhos que arriscam pesado em alfaiataria bem estruturada – coisa que aprendeu em sua formação e que se tornou sua marca registrada – e nos cortes assimétricos que não manipulam o corpo feminino, mas deixam o corpo moldar os tecidos.

Stella nada contra a corrente dentro do voraz mundo do mercado de luxo. Alias, que nome, não? ‘Luxo’, aqui, é quase uma barreira social, não só do supérfluo ‘caro e inacessível’, mas das ‘oportunidades que poucos conseguem ter’. Nesse contexto doido, que gera desejos infinitos, muitas vezes transformados em ‘copy + paste’ e variados ‘made in China’, Stella não usa couro, pele, plumas, penas, nada que se oponha ao seu jeito de estar no mundo, fruto da criação do pai – que dispensa apresentações – e da mãe, Linda, também ativista em uma serie de causas. Todos os produtos da sua marca são produzidos na Europa – pré-requisito pra mão-de-obra no mercado de luxo – e sua companhia trabalha com outras empresas no desenvolvimento de materiais sustentáveis pra compor suas peças, varias delas feitas com materiais reciclados ao máximo do refinamento pra compor calças, blazers e estampas de fazer suspirar.

Stella é cool, descolada, leve, por dentro e por fora. Os preços? Mercado de luxo, mas com um delicioso twist: recentemente ela passou a baixar os valores de suas peças pra tentar torna-las mais acessíveis, especialmente os acessórios como sua famosa linha Falabella, cujo nome se inspira numa raça de cavalos pela qual Stella é apaixonada. Alias, bolsas que tenho visto cada vez mais mal copiadas, e, ironicamente, há empresas copiando seus modelos produzindo-os em couro!

Porque essa quase ode à Stella? Porque, pra mim, qualquer pessoa que equilibre com maestria seu jeito de ver o mundo ao seu modo de estar nele e conviver com ele merece ser mirada, copiada (!), aplaudida. Nesse universo cheio de buracos, contradições, beleza e texturas delicadas que é o segmento de luxo, ver Stella brincando cada vez mais de contradizer a indústria e receber, como resposta, premiações e vendas do tipo ‘chuchu na serra’ (como diria minha vó), só me faz querer mais e mais me rodear da plasticidade e do conteúdo que ela me faz desejar.

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Ontem, no evento global End Sexual Violence in Conflict Summit, 2014, aqui em Londres.

[qualquer semelhança com o nome desse blog é mera coincidência]


Gabi Cavalheiro

Historiadora cultural, consultora criativa, exploradora de tudo que envolva maracujá, conversas e materialidades..
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