Ronald McDonald está morto. A vítima foi sequestrada no dia 1 de fevereiro de 2011, na Finlândia, em uma das lojas da rede de fast food McDonald’s. O ato terrorista foi registrado pelas câmeras dos próprios bandidos e, como revelam as imagens, a ação foi rápida, impedindo qualquer reação do palhaço ou dos funcionários da lanchonete.
No dia seguinte, o mundo todo sabia da notícia. Várias sedes do McDonald’s ao redor do mundo receberam cópia do vídeo, que também foi divulgado no Youtube e exibido pelas principais redes de televisão internacionais. Além da cena do sequestro, continha o valor do resgate: a corporação deveria responder a oito perguntas sobre sua ética de produção alimentícia. Caso contrário, Ronald seria executado.
O McDonald’s se recusou a pagar o preço, alegando que negociações com terroristas não condiziam com as diretrizes da empresa. Estes, então, cumpriram com suas ameaças: decapitaram Ronald McDonald. O que impressiona e comove nesse ato de terror, é como Ronald, personagem quase tão importante de nossa história quanto Papai Noel, em momento algum tirou o sorriso do rosto.
A história parece ficção, mas é absolutamente real. O “ato terrorista” foi praticado pelos ativistas do Food Liberation Army (Exército de Libertação Alimentar), que tem como criador o artista finlandês Jani Leinonen. No site do FLA, um trecho do manifesto explica a que vieram:
Ele [o FLA] tem uma tarefa simples:
Libertar o homem de sistemas maiores que ele ou ela.
Combater o poder onde o poder não pertence.
Fazer regressar a nós as decisões sobre nossas próprias vidas.
Passar das palavras aos atos.
Aqui está o nosso primeiro.
De alguma forma, a polícia finlandesa descobriu a identidade de Leinonen um dia antes da morte de Ronald. Invadiram sua casa, apreenderam seus celulares e computadores e, heroicamente, libertaram o suposto refém. O que não esperavam, entretanto, é que no dia seguinte um novo vídeo surgisse na mídia, este mostrando outro Ronald, de mesmo sorriso fixo, tendo a cabeça cortada. O McDonald’s havia falhado em sua ação repressora.
A verdade é que tudo foi previamente planejado por Leinonen e o FLA. Assim que sequestraram o primeiro Ronald, tiveram o cuidado de fazer uma cópia do boneco em gesso e o guardaram em local seguro.
A decapitação do palhaço foi realizada e filmada dentro de uma galeria de arte em Helsinki. E Leinonen explica a razão disso: “Quando as pessoas percebem que o assunto é arte, o conteúdo torna-se neutralizado. Decidi então parar de falar sobre arte, porque dessa maneira as coisas parecem mais reais”.
mais artigos
Comentários
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor deste site sobre as matérias em questão.
Larissa
Gostei da notícia. A princípio pensei que fosse mais uma contando da falência do Mac na Bolívia. Não que eu não ache que a notícia não deva ser celebrada, mas já é um pouco antiga.
Nova ação contra a rede de fast foods. o/
Mas fiquei confusa com o último parágrafo:
"A decapitação do palhaço foi realizada e filmada dentro de uma galeria de arte em Helsinki. E Leinonen explica a razão disso: “Quando as pessoas percebem que o assunto é arte, o conteúdo torna-se neutralizado. Decidi então parar de falar sobre arte, porque dessa maneira as coisas parecem mais reais”.
Foi, afinal, uma intervenção artística ou terrorista? Se o cara resolveu parar de falar sobre arte, pq a intervenção foi dentro do museu? Eu realmente achei que ficou meio contraditório. Não entendi...
Priscilla
Larissa, a ideia era agir como terroristas de verdade, porém com um propósito artístico. Ele simplesmente não anunciou a arte enquanto a executava. Só foi revelar suas reais intenções no final, quando exibiu toda a ação em uma galeria. E, convenhamos, que terrorismo real seria esse contra um simples boneco??
Larissa
Terrorismo simbólico ahusiusahsua tem louco pra tudo. Mas agora entendi, obrigada.
Paulo Augusto Camargo
hahhuahauah genial!
Deixe o seu comentário
O e-mail é obrigatório mas não será mostrado no site ou cedido a terceiros. Seja cordial e educado. Comentários ofensivos ou pouco dignos não serão publicados.