substrato sentimental

Palmilhar o mundo sentindo no peito a flama da arte.

Rose Ferrante

É mestre em História com um louco amor pelas artes. Nada é tão do seu agrado quanto viajar, essa ação de por os pés na estrada, sentir o novo, e por vezes, encontrar mistérios pode desperta-lhe uma alegria profunda.

Liberdade extrema em meio a natureza selvagem


Christopher-McCandless.jpg Christopher McCandless

Na Natureza Selvagem (1998), de Jon Krakauer, é um daqueles livros que modifica alguma coisa no interior dos leitores. Ao reconstruir a trajetória do jovem Chris McCandless, o autor constrói uma trama que foge do cliché de um revoltado e alienado sem rumo. Ao contrário, Krakeuer em escrita vigorosa, apresenta ao público leitor cenários minuciosos, pessoas autênticas e fenômenos geográficos do interior dos Estados Unidos.

Chris McCandless saiu em busca de experiências cruas, emergindo como uma imagem maltrapilha da sociedade de consumo americana, imagem essa ligada fortemente a um estilo peculiar que privilegia status e conquistas. Em sua trilha espiralada, o viajante paulatinamente aparta-se do mundo norteado pelos excessos materiais, das redes de segurança (família, amigos ou mesmo do Estado em alguns momentos) e dos sonhos materiais, para trilhar o caminho marginal, no real sentido de margem. E nesse isolamento aproximando-se da "energia vital" da natureza, tendo em mente que não importa o que o homem faça "o universo é indiferente", e nessa indiferença as leis naturais seguem seu curso, construindo e destruindo. Não sem motivo em seu percurso McCandless elege como guias literários autores como: Jack London (Caninos Brancos, Lobo Selvagem e O Chamado da Selva); Leon Tolstoi (Guerra e Paz, O Dinheiro e Anna Karenina, etc) e Henry Thoreau (A Desobediência Cívil).

alex-supertramp-569x502.jpg Christopher McCandless

Em 2007 foi lançado o filme baseado no livro, e como grande presente aos leitores/expectadores a trilha sonora composta por Eddie Vedder enfeixa uma obra-prima. Nas três frentes, o livro, o filme e a trilha sonora, o que fica evidente é a critica a atual "sociedade de consumo" ou "sociedade do plástico", composta por pessoas semelhantes em ações e ambições. De homens e mulheres tão ocupados em sobreviver e consumir, que esquecem ou ignoram instâncias mágicas proporcionadas por eventos naturais, ou mesmo, o bem-estar proporcionado por um encontro casual com sujeitos das mais diversas condições culturais.

cm-bus.jpg

O livro proporciona ao leitor um encontro com outros personagens que decidiram colocar os pés na estrada e passar o resto de suas meteóricas vidas em movimento, vivendo com uma mochila nas costas e pouco dinheiro, servindo-se da natureza. Distantes o máximo possível da civilização e de toda carga emocional que vem com isso. Não sem motivo, o desfecho da jornada de McCandless ocorre no Alasca, conhecido como "a última fronteira selvagem dos Estados Unidos", trajetória essa que continua a intrigar, por sua essência escorregadia e esquiva, reconstituída vagamente pelos poucos fiapos deixados em seu caminho.

livro-na-natureza-selvagem.jpg


Rose Ferrante

É mestre em História com um louco amor pelas artes. Nada é tão do seu agrado quanto viajar, essa ação de por os pés na estrada, sentir o novo, e por vezes, encontrar mistérios pode desperta-lhe uma alegria profunda. .
Saiba como escrever na obvious.

deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor do artigo sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
version 2/s/literatura// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Rose Ferrante