supernova

No olho do furacão, 360º a toda velocidade.

Alessandra Oliveira

É formada em publicidade, tem opiniões sobre tudo, mas não sabe andar de bicicleta.
Dizem que tem uma supernova nos olhos e mais de 47 vidas.
Ótimos desenhos e fotos no instagram http://instagram.com/newsupernova #followme

Um Menino Maluquinho contra o dragão midiático

Baseado no livro de Ziraldo, Um menino muito maluquinho vem encantado crianças de várias idades com a cultura da simplicidade de ser criança retomando as brincadeiras de rua e valorizando os conflitos de cada idade.


A série Um menino muito maliquinho, da TVE Brasl, foi baseada no livro “Um menino maluquinho”, de Ziraldo. Mostra a biografia de um menino criativo e alegre representado em três idades: aos 5 anos, aos 10 anos (quando escreve sua biografia e onde está centrada toda a questão psicológica do programa) e aos 30 anos quando relembra sua infância. O telespectador é levado a se identificar com os temas na medida em que o fazem refletir sobre a realidade e criar consciência de responsabilidade, de acordo com seu crescimento, pois os temas abordados mostram também os conflitos vividos em cada idade.

Apesar do grande destaque que os programas da mídia de consumo têm, “Um menino muito maluquinho” já recebeu prêmios de destaque no cenário mundial: “Melhor produção para o público até 12 anos na 33º edição do NHK Japan Prize (The Best program in Early Education, The Minister of Internal Affairs and Communications Prize) e Melhor programa de televisão na categoria infantil dado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte - APCA. Na mídia, o comum é que os personagens não sejam ambíguos: ou são maus ou são bons. Mas esses extremos não existem na vida real e quando a criança absorve esse ‘ideal’ de pessoas sem conflitos, acabam por extinguir a realidade, alienam-se. É a esse tipo de discurso que “Um menino muito maluquinho” se mostra avesso por não nega a simplicidade e naturalidade do real. Sendo assim tão comum, não haveria motivos para que os episódios prendessem a atenção dos telespectadores, crianças entre 5 e 12 anos. Mas a série possui uma linguagem inovadora com sequências em animação. A cultura das crianças tornou-se idêntica no mundo contemporâneo, independente da classe social ou do país que moram, pois é baseada na música e no humor, variando o gosto de acordo com a faixa etária, apenas. Isso mostra o motivo do telespectador se identificar com a série “Um menino muito maluquinho” que é fundamentada na cultura da realidade infantil, sua ingenuidade e alegria, e não na cultura de consumo ou de um país.

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O programa foi desenvolvido com grande preocupação na formação da consciência da criança utilizando-se de ferramentas pedagógicas para desenvolver sua percepção e criar valores de cidadania e ética perante a sociedade, além de poderem distinguir os valores corrompidos presentes na mídia. O programa abre mão do consumismo e erotismo tão amplamente utilizados nas emissoras para conquistar a audiência de um público curioso e experimentador. O programa gera novos (e mais saudáveis) valores para o indivíduo, este compartilhará os valores através das suas relações sociais e criará uma nova cultura, mesmo que dentro de um pequeno grupo, como família e amigos. Tratando-se de uma criança ela crescerá tendo por base o conflito de valores de consumo (dos quais é impossível mantê-la afastada pela e intensidade que são lançados) e os valores de programas educativos como “Um menino muito maluquinho”. Isso facilitará na sua compreensão da sociedade e a escolha de uma ideologia que lhe pareça mais ética. O conteúdo transmitido terá um caráter mais democrático pelo fato de mostrar a ambiguidade, o conflito e a escolha, e não a dominação de uma única forma de vida. Caso a criança só tenha contato com a mídia de consumo, terá uma visão idealista da vida de felicidade, bondade e valores publicitários irreais que mais tarde a tornarão frustrada e conformista com suas condições sociais, proporcionando assim sua estagnação.

Socialização e Identificação da Criança

De acordo com Harris criadora de uma das teorias mais recentes de socialização infantil, a socialização tem sido feita através dos amigos e não mais dos pais. Então, torna-se possível perceber o posicionamento do programa que colabora para que os valores de “Um menino muito maluquinho” sejam transmitidos na convivência entre crianças e auxilie na forma de resolverem seus conflitos coletivos ou individuais ou mesmo na forma de melhorar a expressão dos seus conflitos internos para externalizá-los e compreende-los. No mundo inteiro, o tempo que as crianças dedicam à televisão é muito considerável, por isso este também se tornou um fator de socialização pelo qual a criança absorve conceitos e valores sociais. Para que a criança se estruture de forma adequada é preciso que se desenvolva em três campos: psicoafetivo (permite a relação com o outro pelo fortalecimento do seu núcleo afetivo), psicomotor (possibilita a interação com o mundo e sua descoberta) e psicocognitivo (melhora as condições de aprendizado). Este último é desenvolvido no contato com novidades e nas brincadeiras. Aqui podemos também classificar os três campos de atuação nos quais o programa procura estruturar a criança, pois para gerar o desenvolvimento psicoafetivo, o programa mostra a relação de carinho mútua que o personagem possui com a família e amigos e a forma agitada e sempre ativa com que passa o tempo brincando e criando, pode ser exemplo da estrutura psicomotora adequada de uma criança saudável, além disso, estas atividades também desenvolvem a estrutura psicocognitiva. Para o telespectador que assiste à série, esses fatores irão refletir sua própria estrutura, seus hábitos, vestimentas, brincadeiras e na forma com que irá interagir com o mundo. Ou será que a criança se verá refletida na personagem, como se esta imitasse a vida cotidiana que o telespectador tem? Talvez ambas as visões sejam verdadeiras: Com muita criatividade “Um menino muito maluquinho” prepara a criança para crescer e atuar de forma ativa na sociedade, pois cria a noção de responsabilidade através da resolução de conflitos e da reflexão sobre o mundo a sua volta, iniciando esse mundo a partir de fatos menores e mais simples, para que se organize gradualmente, durante seu crescimento. Segundo Maria Inês Landgraf, produtora do programa, a estrutura pedagógica que o programa possui foi produzida a partir do estudo do cotidiano de crianças da mesma faixa etária que aquela mostrada na série, isso permite que as crianças se identifiquem e se estruturem tendo por base valores próximos às suas próprias vivências. Os modelos de valores que o programa transmite às crianças se mostra mais ético e crítico desde sua base que é a convivência da equipe para a criação de um trabalho realista sem monstros e heróis fantásticos senão os que existem na própria imaginação dos personagens. A intenção de consciência e formação da criança que a série tem, não a desvincula da característica essencial da infância que é a imaginação, mas o diferencial de “Um menino muito maluquinho” é o tratamento dado a essa questão dando a criança a noção dos conflitos entre a realidade, a criatividade e a reflexão que deve ser feita para manter esses dois elementos em equilíbrio mesmo depois que a infância acabe. Isso torna a nostalgia das lembranças algo divertido e manifesta na fase adulta a diferença de ser uma criança com discernimento, estimulando o crescimento intelectual através do tempo.


Alessandra Oliveira

É formada em publicidade, tem opiniões sobre tudo, mas não sabe andar de bicicleta. Dizem que tem uma supernova nos olhos e mais de 47 vidas. Ótimos desenhos e fotos no instagram http://instagram.com/newsupernova #followme.
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