Lucas Galy

Lucas Galy é comum como todos. Ama sorvete, música e esportes. Já tentou ficar sem respirar, mas lembrou que não consegue.

As esculturas de cinzas humanas

Chegamos a um ponto em que a arte está em tudo. Exatamente tudo. Da luxúria ao lixo e do abstracionismo a realidade. A bizarrice não é mais o limite para a arte, quando que suas forças insistem em ultrapassa-la. E o melhor exemplo disso são as esculturas de cinzas humanas da artista holandesa Wieki Somers, que decidiu utilizar as cinzas de uma forma diferente e estranha para criar esculturas impressionantes.


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Há muitas coisas que não pensamos em nossas vidas, uma delas é o que fazer após a morte. Bem, quem morreu, obviamente, nada. Mas os parentes, os familiares ou amigos podem ter várias maneiras de utilizar o corpo.

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A imagem acima retrata uma escultura de cinzas humanas da artista holandesa Wieki Somers, que com toques esquisitos recicla as cinzas e as transformam em arte.

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Em uma exposição chamada “Consumir ou conservar”, a artista criou três esculturas diferentes e feitas de cinzas humanas. Além do título de cada obra, a artista também elabora um tipo de marca para cada escultura, dando-se a partir do nome da falecida. Como “Anne Lindeboom 1920-1984”, por exemplo. Bizarro? Esquisito? Estranho? Ou apenas uma nova forma de transpassar a arte para o mundo e reciclar um corpo?

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Antes de sair correndo surpreso ou gritar “Uow!”, tente pensar no trabalho que envolve todas as obras e seus aspectos artísticos que compõe essa arte. As cinzas estão sendo bem utilizadas, ao invés de estarem ocupando lugares no cemitério ou poluindo o meio ambiente. Ainda que as esculturas agregam uma pequena placa com o nome do fornecedor das cinzas, que não será esquecido tão cedo, além de receber um lindo e impressionante memorial.

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A artista considera que as cinzas humanas podem ser reutilizadas por meio de prototipagem rápida ou impressão 3D, para que possa pagar a alguém uma "segunda vida", em forma de uma cadeira de balanço, um aspirador de pó, e talvez até mesmo uma torradeira. E o que nos torna mais ligado a esses objetos se este fosse o caso? Seria a nossa vontade de pagar mais pelo produto por ser feito a partir de cinzas?

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Muitas pessoas podem achar que é simplesmente transformar as cinzas de uma pessoa falecida em um aspirador, por exemplo. Mas a artista defende: “O projeto demonstra a fragilidade da vida e levanta questões sobre o nosso apego a objetos inanimados que fazem parte do nosso cotidiano.” Além de provocar em uma entrevista: “Podemos oferecer ao vovô uma segunda vida útil como uma cadeira, um aspirador de pó ou uma torradeira. Nós no tornaríamos mais apegados a esses produtos”.

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Mais de 460 mil quilos de cinzas humanas são produzidas no mundo todos os dias. Já imaginou quantas esculturas como as da imagem abaixo poderíamos criar todos os dias?

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A artista Wieki Somers nasceu na cidade holandesa de Sprang – Capelle, em 1976. Fundou seu estúdio, com o próprio nome, no ano de 2000, após formar-se na Designer Academy Eindhoven, em Roterdã. Em 2010, as peças abaixo ficaram em exibição na Bélgica, no Museu de Arte Contemporânea. E assim concluiu-se a série de “reciclar a vida”:

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Lucas Galy

Lucas Galy é comum como todos. Ama sorvete, música e esportes. Já tentou ficar sem respirar, mas lembrou que não consegue. .
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