tabula rasa

A mente humana é como uma folha em branco...

Flavio Santos

Eu leio, logo escrevo.

Vocações


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Desde criança eu sempre soube o que queria ser. Melhor dizendo, eu já sabia qual deveria ser a minha profissão quando fosse grande. Era assim que as crianças falavam. Mas eu era pequeno, e quando se é o oposto de grande, são os adultos que escolhem o que você vai ser no futuro. Associando essas duas grandezas, tamanho e tempo, entendi que o tal do futuro chegaria exatamente no momento em que terminasse a escola. Já se é bem grande nessa época, pensava. Meu pai queria que eu fosse militar (ele fora militar). Depois achou melhor que eu fosse bancário (ele era bancário). Sendo assim, com tantos planos previamente traçados, talvez não fosse uma boa idéia que soubessem que eu já havia feito a minha escolha. Alimentei essa ilusão em meus pais por um bom tempo, guardando o meu segredo a sete chaves. Mas isso só até a terceira série, quando, para o espanto da professora e de meus colegas, escrevi em uma redação que o bom mesmo era ser açougueiro! Nada de quartéis, nada de bancos, consultórios ou coisa que o valha. Eu queria era um avental branco e o balcão de um açougue. Claro, todos riram muito de mim. Meu pai também riu! A bem da verdade, até hoje, quando a família se reúne e alguém evoca essa lembrança, ainda riem muito de mim.

Mas isso tudo já pertence ao passado. Ao invés do cutelo, preferi estudar Matemática e Economia. No campo das idéias absurdas, que me desculpem os matemáticos e economistas, acho que é o equivalente a querer ser açougueiro (agora devo pedir desculpas aos açougueiros?). Nada contra, mas não tenho vocação para o que escolhi. É triste reconhecer, mas algo deu errado pelo caminho. Se pudesse mudar tudo, se tivesse a oportunidade de reverter as minhas escolhas, hoje seria um pesquisador! Na minha opinião, não há nada melhor nesse mundo do que desenvolver pesquisas. Além disso, desconfio que seria rico e feliz, pois esses iluminados que fazem pesquisas, além de se divertirem um bocado no seu dia-a-dia, ainda devem ganhar muito bem.

Sim, isso é um desabafo e acontece comigo quase que regularmente. Basta que eu encontre na Internet estudos de grande proeminência, como os que afirmam que “31% dos homens se masturbam no trabalho” e está feito: a inveja que tenho dessa gente toma conta de mim. No mesmo instante mergulho em delírios e as fantasias pululam em minha mente. Imagino que sou um pesquisador e estou entrando em empresas, repartições, perguntando para as funcionárias se elas conseguem ter orgasmo com seus parceiros. E como prêmio pelo meu trabalho, ainda tenho o resultado dessa pesquisa publicado nos mais importantes sites e jornais online do país!

Por falar nisso, um estudo feito em agosto de 2010, pela Universidade de Chicago, revelou que mais de 70% das mulheres nunca atingiram o orgasmo com seus parceiros. Interessante, não?

Ah, se a Internet não tivesse chegado demasiado tarde em minha vida...


Flavio Santos

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