tanto mar

Sobre ondas, conchas, pedras e marés

Manu Marinho

Apaixonada por artes e natureza, chocólatra, cinéfila e alucinada por tudo que diga respeito ao humano. Escritora desde outras vidas. Acho. Em metamorfose desde sempre.

Lancei meu primeiro livro 'O gosto amargo da maçã caramelada' em 2014, pela editora Multifoco

O teatro nu

Já imaginou um teatro sem texto, sem personagens, sem cenário ou diretor? Ele existe e acontece semanalmente no Rio de Janeiro. Conheça a Oficina Libre.


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Quando se fala em teatro, inevitavelmente vem à mente a ideia de que haverá uma delimitação clara entre palco e plateia, e que, como plateia, assistiremos passivos a um grupo de pessoas a desenvolverem seus pré-concebidos trabalhos; frutos de meses de ensaios, marcações e intervenções de texto e direção, moldados por uma indústria cultural que promove o figurativo e subestima o público.

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Mas há um teatro que se recusa a ser assim, um teatro de vanguarda que vive e vibra no Centro do Rio de Janeiro: a Oficina Libre. Criada pelo ator e diretor Anselmo Vasconcellos em 2006 e alocada na Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena, a Oficina Libre é uma proposta completamente diferente de lidar com o teatro, com a arte e com a vida. Despido de todos os elementos tradicionalmente vinculados às artes dramáticas, no teatro exercido na Oficina não há ensaios, texto ou direção. Não há protagonistas, cenários ou outros aparatos cênicos. Lá o que se faz é o teatro essencial, intenso como o Teatro Oficina de Zé Celso e revolucionário como o Teatro do Oprimido, de Boal.

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A cada semana, por meio de exercícios, os atores são instigados a desenvolverem sua intuição, confiança mútua e uma conexão energética com os colegas e o ambiente, o que torna cada performance surpreendente e única. Nada é previamente ensaiado, e há um compromisso com o vazio, ou seja, o esvaziamento de si e o esvaziamento de significados. A partir dessa não-significância, vê-se a expressão da plurissignificação, já que o público é levado a ter sua própria leitura das cenas, e essas impressões são ouvidas e discutidas com os atores ao final de cada performance, o que torna todo o processo muito mais rico e surpreendente.

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Além de um compromisso com a arte, com o teatro e com o desenvolvimento de um trabalho pautado na essência, a Oficina assume um importante papel social no cenário cultural do Rio de Janeiro, pois, gratuitamente, leva transformação a todos aqueles conectados a esse projeto: transformação de perspectivas, de ideias e de comportamentos. A Oficina Libre é um exercício de construção constante e de experimentação diária.

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Estar na Oficina Libre, como ator ou como plateia, é sobretudo uma experiência - subjetiva e coletiva - , é conectar-se consigo mesmo e com os outros, e é encantar-se constantemente com a força desse espaço. Que esse trabalho nunca acabe é o que rogo aos deuses do teatro. A verdade é que se a arte imita a vida, ou a vida imita a arte, eu quero que a minha vida imite a verdadeira arte, como a que acontece na Oficina: pulsante, surpreendente e sobretudo livre.

Evoé!

Conheça mais sobre a Oficina Libre: http://oficinalibre.tumblr.com/


Manu Marinho

Apaixonada por artes e natureza, chocólatra, cinéfila e alucinada por tudo que diga respeito ao humano. Escritora desde outras vidas. Acho. Em metamorfose desde sempre. Lancei meu primeiro livro 'O gosto amargo da maçã caramelada' em 2014, pela editora Multifoco.
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