tanto mar

Sobre ondas, conchas, pedras e marés

Manu Marinho

Apaixonada por artes e natureza, chocólatra, cinéfila e alucinada por tudo que diga respeito ao humano. Escritora desde outras vidas. Acho. Em metamorfose desde sempre.

Lancei meu primeiro livro 'O gosto amargo da maçã caramelada' em 2014, pela editora Multifoco

Vós sois o sal da terra

O homem dá gosto à Terra, mas cabe a Sebastião Salgado transformar a alma humana em imagem.


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Uma das imagens mais emblemáticas de Sebastião Salgado, uma mulher cega de Mali.

Fotógrafo é aquele que escreve com luz. Essa é uma das primeiras frases do documentário O sal da terra, que tem direção de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado. O filme trata da vida e da obra de um dos maiores fotógrafos de nosso tempo: Sebastião Salgado.

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Fotografia da série Workers, na qual Salgado fotografou trabalhadores ao redor do mundo.

O filme é praticamente todo constituído por imagens – quase não há vídeos – e estas imagens são, e não poderiam deixar de ser, a própria obra de Salgado comentada pelo mesmo. Uma das maiores características do artista é o uso constante do preto e branco, o que, talvez contraditoriamente, torna seu trabalho mais poderoso e transcendental.

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Imagem de homens na frenética busca por ouro em Serra Pelada, Brasil.

Uma das primeiras fases da fotografia de Salgado é uma radiografia do espírito do povo sul-americano: sua cultura, suas alegrias e dores. Nesse momento, a fotografia de Salgado toma o tom que vai guiar grande parte de sua produção: a fotografia de denúncia.

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Homem e paisagem sul-americana.

Sebastião Salgado foi e é um viajante. Nas suas incursões pelo nordeste do Brasil e por vários países da África, retrata a devastadora realidade: miséria, fome, violência. Mas, como todo grande mestre, converte dor em arte. Fotos que a princípio poderiam abrigar um olhar estritamente jornalístico, são, antes de qualquer outra coisa, belas.

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No continente africano, fome e miséria convertidos em beleza.

Adoecido, porém, diante de toda a brutalidade na qual esteve imerso em anos de trabalho fotográfico, Sebastião Salgado reconstrói sua estética e cria Gênesis, uma série de imagens que compõem uma ode à vida, uma ode ao planeta como ele era nos seus primórdios.

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Fotografia da série Gênesis.

Sabastião Salgado, além de ter criado uma estética de conteúdo artístico notável, junto a sua mulher, Lélia Wanik - figura impulsionadora de toda a sua obra - cria o Instituto da Terra, entidade que desenvolve técnicas inéditas de reflorestamento da mata atlântica, já tendo hoje plantado mais de 1 milhão de mudas.

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Área reflorestada pelo Instituto Terra.

O Sal da Terra é, portanto, tal como a obra do fotógrafo, imperdível a todos os apaixonados pela humanidade e pela arte. “Vós sois o sal da terra.”, afirma Cristo em Mateus 5:13. O homem, com todas as suas imperfeições e maravilhas, é o que dá gosto a esse planeta; e esse é o cerne da obra de Sebastião Salgado: a alma humana. Mas a grande questão é que apenas alguém demasiadamente humano pode ter um olhar sensível como o deste artista brasileiro, salgado por si só.


Manu Marinho

Apaixonada por artes e natureza, chocólatra, cinéfila e alucinada por tudo que diga respeito ao humano. Escritora desde outras vidas. Acho. Em metamorfose desde sempre. Lancei meu primeiro livro 'O gosto amargo da maçã caramelada' em 2014, pela editora Multifoco.
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