tanto mar

Sobre ondas, conchas, pedras e marés

Manu Marinho

Apaixonada por artes e natureza, chocólatra, cinéfila e alucinada por tudo que diga respeito ao humano. Escritora desde outras vidas. Acho. Em metamorfose desde sempre.

Lancei meu primeiro livro 'O gosto amargo da maçã caramelada' em 2014, pela editora Multifoco

A porta - ou um conto de ano novo

Baseado em fatos reais. Sobre um gato, um réveillon e uma porta.


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Há algum tempo aprendi a ler sinais. Por mais que às vezes a vista falhe, as letras embaralhem ou haja algum tipo de dúvida. Há algum tempo aprendi a ler sinais.

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Amanhece o dia mais novo do ano, e são quase nove horas. Quero ir à padaria e para minha momentânea indignação a porta não abre. Como assim a porta não abre? Como assim o universo nega o meu último desejo do ano - comer pão quentinho no café da manhã? Viro a maçaneta repetidamente, pego a chave reserva e nada. Elenco todas as opções possíveis: esquentar o pão de ontem; coloco umas gotas de água e ele fica crocante, juro. Posso, obviamente, usar a porta dos fundos. Ah, esqueci de dizer, há uma porta dos fundos. Também posso resolver tudo amanhã, o que seria mais sensato. Hoje, réveillon, vai sair mais caro conseguir um chaveiro, tenho certeza. Isso se, apenas se, eu conseguir algum.

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Porta é, sobretudo, caminho. É por onde se entra, é por onde se sai. É por onde tudo entra, é por onde tudo sai. É proteção, mas é também abertura, comunicação. É através de portas que acessamos o mundo. E é através de portas que nos deixamos acessar.

Há algum tempo aprendi a ler sinais.

Alô? É do chaveiro?


Manu Marinho

Apaixonada por artes e natureza, chocólatra, cinéfila e alucinada por tudo que diga respeito ao humano. Escritora desde outras vidas. Acho. Em metamorfose desde sempre. Lancei meu primeiro livro 'O gosto amargo da maçã caramelada' em 2014, pela editora Multifoco.
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