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amanda costa

Amante da música, paz e amor. Uma pessoa que sempre anda meio desligada

As raridades experimentais setentistas: Sweet Smoke – Darkness to Light (1973)

Os anos setenta são repletos de bandas conhecidas por experiências musicais. O contexto social daquela época deu ao grupo as ferramentas para unir todas suas influências musicais e inspirações para compor um álbum único que nos proporciona uma verdadeira viagem sem sair do lugar, que merece ser gravado como um dos mais influentes da história da música.

from darkness to light

Em meio a guerras, festivais de música, uso de drogas alucinógenas, libertação, politização da juventude e inclusão da cultura oriental no ocidente, surge o “Darkness to Light” (1973) que é o segundo álbum de estúdio da banda americana Sweet Smoke. O álbum é recheado de influências que vão do jazz e música indiana ao rock progressivo/psicodélico. 

Após o lançamento do seu primeiro álbum “Just a Poke” (1970) que contém apenas duas faixas com passagens instrumentais bem elaboradas que contam com 16 minutos cada uma e fazem uma verdadeira brincadeira com sua audição, foram colocadas separadas nos dois lados do LP. “Just a Poke” é o pontapé inicial para as experimentações sonoras da banda. Já o segundo álbum, Darkness To Light, possui seis faixas e todas possuem histórias e atmosferas diferentes. Soa mais acústico e as variações melódicas entre as músicas são o seu diferencial.

A inspiração para construção deste álbum aconteceu durante um acampamento hippie na Alemanha durante o final dos anos sessenta. A liberdade musical, busca pela espiritualização e vida em conjunto foram os pilares para a criatividade desse álbum.

A banda que possuía cinco membros Marvin Kaminovitz (guitarra solo e vocais), Andy Dershin (baixo), Michael Paris (saxofone tenor, vocais e percussão), Jay Dorfman (percussão e bateria) e Steve Rosenstein (guitarra base e vocais), ganhou mais dois no meio da sua experiência em comunidade: Rochus Kuhn (violino, violoncelo) e Jeffrey Dershin (piano, percussão e vocais) o que foi fundamental para o aumento das influências musicais do grupo.

sweet smoke

Começando com “Just Another Empty Dream” que lembra bastante o primeiro álbum pela sua sonoridade e uma letra que basicamente fala sobre amor. Seguindo por “I’d Rather Burn Than Disappear” é uma música mais acústica, com som de flautas suaves. A terceira faixa “Kundalini” tem um tom místico e a influência indiana cria uma atmosfera pacífica à música, o jazz-indiano-psicodélico transforma a faixa numa obra prima do que se diz sobre o experimentalismo. Já “Believe Me My Friends” tem uma pegada mais folk e passeia pelo rock progressivo, que até nos lembra o velho country americano. “Show Me The Way To the War” é uma das músicas que deixa a influência de jazz da banda mais evidente, embalada pelo contexto político e a rejeição à guerra pela juventude da época. A última faixa, que dá o título ao álbum é uma boa mistura de todas as faixas anteriores que dá o total de treze minutos “Darkness To Light” une todas as influências da banda, seguindo por diferentes solos de variados instrumentos. Para ouvir na íntegra, clique aqui.

O álbum completou 41 anos este ano e para os amantes do rock psicodélico, ele é atemporal e um dos mais influentes da música. Merece ser ouvido pela sua originalidade nas composições e arranjos, marcado na história como uma das obras que nos mostra com clareza como devia ser viver naqueles tempos.


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