Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante, publicitária e empresária.

Política - problema ou solução?

Quando o voto de confiança é usado como carta branca.


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“Política: sua função é promover igualdade de qualidade de vida social”.

“Através de legislação de leis ou exclusão das que bloqueiam o progresso; eliminar burocracias, ou seja, minúcias desnecessárias; viabilizar a existência de indústrias e empresas que proporcionem empregos que por sua vez, garantam qualidade de vida às famílias de um país evitando com isso a criação e o aumento da marginalidade deste.”.

E muitas, muitas outras funções, variáveis de acordo com o cargo, mas todas com um único objetivo: beneficiar o povo ao qual está direta ou indiretamente ligada, beneficiando-o e promovendo o seu desenvolvimento social, individual e familiar.

No entanto, Política não é considerada uma profissão, mas sim, uma carreira. Uma carreira onde a maioria (grande maioria) que nela ingressa não tem conhecimento de seu objetivo, portanto, não exerce a função para a qual foi eleita.

“O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas a um meio cuja qualidade lhe permite levar uma vida digna de gozar de bem estar tendo a solene obrigação de proteger e melhorar esse meio para as gerações presentes e futuras”.

Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Humano.

A facilidade de ingresso nesta tão vital área se deve à falta de exigências, ou, digamos, nenhuma de valor e relacionada ao cargo, em que obrigue o indivíduo, tal candidato, a oferecer o mínimo de qualificação, pois basta apenas que seja maior de 35 anos – para Presidente da República – e que seja brasileiro nato.

Esse fato é tremendamente contraditório à razão e às outras áreas funcionais em um mesmo país - já que até mesmo uma empregada doméstica, cuja função limita-se à tarefas domésticas definidas e rotineiras - pois têm que oferecer muito mais para uma admissão.

Mesmo para dirigir um automóvel, é preciso ser aprovado em uma série de exames se pretende adquirir sua Carteira de Habilitação.

Para ser um médico, um engenheiro, um advogado... Estuda-se MUITO. E submete-se a EXAMES que certificarão se a qualificação que se busca, foi atingida.

Mas para ser Político, não.

Para ser político, qualquer pessoa sem mesmo ter cursado a primeira série fundamental ou sequer saber ler ou escrever, pode se candidatar e "administrar" um país inteiro sendo que suas atitudes vão interferir na vida de milhões de pessoas.

Não há nenhum exame. Não há nenhuma exigência. Não há nenhuma preparação profissional.

“Votamos”, e esta é nossa única chance de "participar", na tentativa de filtrar os candidatos.

Acredita ser possível conhecer, analisar e escolher candidatos para cargos tão importantes, através da apresentação que assistimos em 20 segundos na TV?

Ou, para aqueles que pretendem assumir cargos de administração mais abrangentes, é seguro acreditar em campanhas publicitárias?

Apenas isso eles têm pra mostrar? Campanhas publicitárias?

Qual a formação acadêmica, o currículo, o atestado de bons antecedentes, traços da personalidade, referências profissionais e pessoais? Experiências?

Tem ligação com a função que deseja assumir?

Bem, se nada é exigido, nada precisa ser oferecido.

Com isso, atitudes de deleites pessoais dos mais variados são cometidas com o dinheiro público. E quando o país se manifesta contra o funcionário contratado que se sente na verdade proprietário, este coloca a força armada nas ruas para calar as manifestações de seus eleitores-patrões

“A grandeza de uma nação se manifesta pelo seu sistema educativo que deve promover o desenvolvimento intelectual, estético e espiritual. Uma preocupação dirigida que superestime o poder industrial e a proposição de mão de obra ao sistema econômico não me parece ter preocupações por estes objetivos”.

Robert M. Hutchine.

Ora, ora, é óbvio que, pela gravidade de importância desta função, antes mesmo de ensinar e tentar conscientizar o brasileiro da importância de votar é preciso “profissionalizar” a Política.

Criar um critério de inscrições que colhe dados mais minuciosos, para quem quer disputar uma vaga em tão importante departamento de um país, seria no mínimo, sensato.

Pois a questão não é VOTAR, mas é votar em QUEM.

Creio então, que devesse existir uma Faculdade de Política.

Já que a política é uma profissão como qualquer outra, seus candidatos devem qualificar-se para tal desempenho.

Matérias como Economia, Administração, Sociologia, Psicologia Social, Relações Exteriores, História do Brasil, Cidadania, Direito Internacional, História Geral, Geografia, Artes, Cultura, Idiomas, Organização Social e Política Brasileira, e Moral e Cívica que foi instituída como disciplina obrigatória pelo Decreto-Lei número 869, de 12/09/1969. Essa matéria simples, por exemplo, seria útil para todos saberem pelo menos como é o sistema hierárquico e suas responsabilidades nas quais pretendem assumir e honrar. Além, é claro de que vão receber salários por isso.

“A Educação Cívica visa a formação da criança, do adolescente e do jovem para a Democracia, à luz da Constituição do Brasil, como aquela forma de convivência social cuja essência é evangélica (no dizer de Bérgson), pois tem como fundamento a igualdade de homens livres e como espírito o amor fraterno... O civismo brasileiro, no momento, é comprometer-se com a fase histórica do desenvolvimento do país e trabalhar na construção de uma Pátria engrandecida. Uma Pátria em que haja um lugar ao sol para todos, e que seja, cada dia mais, uma Democracia de homens livres, responsáveis e solidários.”

E as guerras... Como são inúteis. Que eles aprendam também a vencê-las da maneira certa: evitando-as. Afinal, estamos em pleno século 21, onde a tecnologia atingiu patamares sequer imagináveis e no entanto, estamos vivendo humanamente sob os padrões ultrapassados e incabíveis dos tempos medievais.

“Se é no coração dos homens que nascem as guerras, é no coração dos homens que devemos semear a Paz”.

“Não sois máquina! Homens é que sois!...Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No capítulo XVII de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só dos homens. Está em vós! Vós, o povo, homem ou de um grupo de homens, mas tendes o poder, o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade!... Portanto, em nome da democracia, usemos esse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo...”

Charles Chaplin

E para que os eleitos não cedam à tentação do deslumbre com tantas honras e banquetes e venham a se acostumar com as viagens que nunca fariam se não fossem viabilizadas pelos seus cargos e que não venham a perder suas memórias pelas espaçosas salas frias à gelarem sua dignidade e integridade afastando de seus corações o motivo pelo qual estão ocupando aquelas cadeiras, é bom lembrarem-se sempre que não são donos do país, são compatriotas daqueles que o colocaram ali. Uma família da qual fazem parte e precisam honrar.

Que os eleitos sejam úteis à população que os elegeu, que sejam justos, que sejam capazes, que tentem ser o melhor de um homem ou de uma mulher, para que realmente sejam considerados os “primeiros” cavalheiros ao lado de suas “primeiras” damas e que se lembrem de que há milhões de homens acompanhados igualmente de suas damas por este país afora, esperando deles a hombridade de cumprirem a sua parte, sua função, o seu papel, a sua designação, pois todo um futuro, o futuro de uma nação inteira está dependendo desses eleitos e de suas ações estruturadas no bom senso e na razão.

Engana-se tolamente, aquele que pensa que seus maus atos gerarão frutos ruins apenas àqueles a quem os oferece, afinal, não se joga lama sem que se suje as próprias mãos. Mesmo que se use luvas. Mesmo que se use equipamentos. Mesmo que se jogue por mãos de outros. Aprende-se muito com a lei do universo: a Terra é redonda. Passa sempre pelo mesmo lugar... outra vez.

Há também o movimento de translação. Não é interessante observar e concluir que tudo funciona perfeitamente “em função do outro”? Não é interessante ver que a semente da fruta que se come é que vai gerar outra igual? Não é fabuloso observar que a água da chuva já passou pela terra e retornou à nuvem e assim fará sucessivamente?

Nada. Nada escapa da lei que rege o universo.

Portanto, mesmo que você sinta uma terrível resistência em amar seu próximo, ame-o mesmo que no começo seja por amor a você mesmo, pois o que você dispensar a ele, com toda certeza, retornará a você.

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Afinal, não foi assim que conseguiu seus votos? Você ofereceu atenção, simpatia, e promessas de qualidade de vida. E você recebeu o que ofereceu: atenção, simpatia e promessa de qualidade de vida. Isso se chama "confiança". Viu que funciona. E agora? O que está oferecendo de volta?

Ainda que não haja uma faculdade específica para formar bons políticos – competentes, visionários e trabalhadores – há uma qualidade que podemos ter sem que tenhamos frequentado nenhuma faculdade sequer. É uma qualidade imbatível que torna qualquer ser humano um mestre da competência, em qualquer área. E esta qualidade chama-se: “Honradez”.

“Todos nascem com inteligência, mas é o “querer” que transforma inteligência em capacidade.”.

É fascinante constatar quanta sabedoria tem dentro de nós, quando realmente “queremos” realizar algo em favor de um pequeno grupo de pessoas ou da Humanidade inteira.

E sinceramente, jogar fora a confiança recebida de milhões de pessoas, e ganhar a oportunidade de fazer História e ser lembrado como alguém que fez diferença, é no mínimo um desperdício.

Nada bloqueia a realização de boas ações quando esta tem por regente, o objetivo do bem de outrem.

E todo mundo já conhece o ditado... “Querer é Poder.”

O grande problema é que estão querendo o bem próprio e por ele, o mal de muitos.

Quando o querer é usado erroneamente torna-se uma faca de dois gumes.

A força do querer pode levar tanto ao homem corrupto a sagacidade necessária para benefício exclusivamente próprio quanto ao homem honrado a capacidade de realizar benefícios inestimáveis para uma Nação.

No entanto, um ato terá raiz e o outro não. E mais cedo ou mais tarde, sucumbirá. Qualquer pessoa, em qualquer cargo que ocupe, na política ou fora dela, se não tiver honradez, prejudicará a muitos.

De que adianta “obrigar” o cidadão a exercer seu “direito” de cidadania votando em pessoas desqualificadas?

Administrarão segundo suas cabeças, ou outras até, às quais estão vinculadas, desgovernando e estraçalhando uma Nação, pois esta estará movendo-se em favor apenas de um pequeno grupo.

Votar é válido quando há candidatos válidos. Sem cumprir essa lógica, o eleitor terá desprazer em exercer seu direito de cidadão. Sabe, toda sexta-feira, na Geografic National Channel, há um programa chamado “Sexta da Ciência”, de 22:00 hs a meia noite. É emocionante ver, em documentário, que pessoas, com seus atos, mudaram o destino de toda a Humanidade. Uma única pessoa pode mudar a Humanidade inteira: para o bem ou para o mal.

É sua escolha de qual forma quer entrar para a História. Responda para si mesmo qual foi o motivo para o qual quis se eleger.

“Sua Santidade o Papa VI afirmou que o desenvolvimento é o novo nome da paz. Completou dizendo que combater a miséria e lutar contra a injustiça significa promover o bem-estar, o progresso humano e espiritual de todos e, portanto, o bem comum da humanidade”.

Finalizando,

“A Pátria não é ninguém! São todos; cada qual tem no seio dela o maior direito à ideia, à palavra, à associação”.

“A Pátria não é um sistema, uma receita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos, o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acovardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam-se, mas participam, mas discutem, mas praticam, a admiração, o entusiasmo, porque todos os sentimentos grandes são benignos e residem originariamente no amor.”


Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante, publicitária e empresária. .
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