Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante, publicitária e empresária.

Compartilhamento

Quando compartilhar nos torna maiores


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Todos sabem o que é compartilhamento, vemos essa palavra no Facebook o tempo todo. Mas, o que é exatamente “compartilhar”?

Lembro-me de uma mãe que ao ter seu segundo filho, despertou ciúmes no primeiro. Ao observar isso e querendo sanar esta dor no seu filho, levou-o até a criação de gado que tinham. Mostrou-lhe uma das vacas leiteiras. - Está vendo aquela vaca ali, meu filho? – mostrou-lhe uma delas. - É uma vaca leiteira. Sabe aquele caminhão que sai todos os dias bem cedinho de nossa fazenda? Está carregando leite dessa vaca para muitas criancinhas iguais a você, se alimentarem. - E não acaba? - Não. Não acaba. E sabe qual é o segredo? Tirar todos os dias. - O amor é que nem o leite: alimenta e não acaba nunca por mais que você use todos os dias. Ele sempre vai se multiplicar em sua fonte. E ao contrário, se você parar de tirar, parar de dar a quem precise, ele seca. E aí nem uma pessoa sequer que seja, vai poder se alimentar dele. O amor que a mamãe tem para você nunca vai acabar, por mais que eu também dê ao seu irmão, mesmo que você tivesse mais um milhão de irmãozinhos...

E o seu filho nunca mais questionou, apenas aprendeu a lição daquele dia.

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“ Durante uma era glacial, muito remota, quando parte do globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram indefesos por não se adaptarem às condições do clima hostil. Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso. Porém, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor vital, questão de vida ou morte. E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos de seus semelhantes. Doíam muito... Mas, essa não foi a melhor solução: afastados, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que não morreram, voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com preocupações, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar danos recíprocos. Assim suportaram-se, resistindo a longa era glacial. Sobreviveram.”

Texto chamado “Sobreviver” distribuído pelo Lar de Frei Luiz – RJ.

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“ O homem é por natureza, um ser social que só chega ao pleno desenvolvimento de sua personalidade por trocas com os seus semelhantes: toda recusa de reconhecer este laço social entre os homens é causa de desintegração. É neste sentido que todo o homem é o guardião de seu irmão. Cada ser humano é apenas uma parcela da humanidade, à qual está indissoluvelmente ligado.” Declaração da UNESCO – 1950.

E ainda, o exemplo maior, quando Jesus, generosamente, quis alimentar todas as pessoas que o acompanhavam, multiplicando os pães e peixes.

Compartilhar. O que vem a ser isso? O que nos faz querer repartir, doar, um pouco daquilo que temos?

Para quê?

Por que quereríamos dividir, repartir, dar do que temos, à alguém?

Simplesmente porque somos parte de um todo.

E não nos sentimos completamente bem, mesmo se tivermos tudo o que precisarmos, se só nós tivermos.

Se temos em abundância e o outro que é uma parte de um todo do qual também somos parte, tem falta daquilo que temos de sobra, então por amor, praticamos este ato de compartilhamento e fortificando o outro estaremos fortificando a nós mesmos.

Compartilhar é um vai e vem. É um dar e receber.

Compartilhar é repartir, dividir, mas continuar inteiro.

O ato de compartilhar é uma expressão do Bem.

Você pode compartilhar coisas boas, ou ruins.

Mas tudo aquilo que você semear, vai colher. Se fizermos o bem aqui, receberemos mais adiante mesmo que não seja da mesma pessoa, mas na hora em que precisarmos com toda certeza vamos receber o que demos.

Compartilhar é uma troca. É uma partilha. É um bate e volta. Compartilhar é fascinante.

É um círculo em movimento nos envolvendo a todos. Se um não compartilha, este círculo tem uma ruptura instantânea, não fica mais pleno, nos faz derrapar, ficar em falta, e tudo não corre como era para correr. Não acontece como era para acontecer. Não flui. Há uma interferência neste circuito, neste trajeto.

É como uma engrenagem. Um dente dessa engrenagem se rompe e então ela não se completa prejudicando todo o processo; o todo.

No entanto, como a força do Bem é invencível, aquele que rompe o circulo saindo do ato, vai ser expelido pelos outros pontos, porque a engrenagem vai dar um jeito de contornar aquele e se encontrar com o outro ponto de igual energia, restaurando novamente a harmonia.

Outro dia, vi a nova logomarca de um Banco. Era um círculo, que da maneira como estava desenhado, dava a ideia de movimento. Achei realmente interessante, pois seu slogan, aquela frase que transmite a sua filosofia, diz que ele é um Banco que está sempre à frente.

Novamente aplaudi seu trabalho de marketing, pois é isto mesmo: o que é estar sempre à frente do que estar sempre em movimento, se reciclando, se movimentando, se renovando, para não estagnar?

O ser humano tem que agir assim consigo mesmo, para que não estrague o benefício da engrenagem do círculo maior do qual faz parte e acabe assim, prejudicando a si mesmo, saindo desta grande energia em movimento, do Bem.

Compartilhar é difícil porque se tem a ideia de que quem doa fica sem. Mas Deus sempre faz o milagre de repor àquele que compartilhou.


Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante, publicitária e empresária. .
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