Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante, publicitária e empresária.

AMOR VINCIT OMNIA

Você crê no amor ou na dor?


FOTO-nathan-anderson.jpg (Foto: Nathan Anderson)

“Quando você se limita, o universo faz o mesmo com você.” - SD

Quando falamos em sucesso logo pensamos em nossa vida profissional.

Vem à nossa mente uma imagem como naquelas maquetes de prédios com veículos, jardins e pessoas sorrindo, como se estivessem anos a frente ou muito mais evoluídos onde tudo acontece de forma fácil, harmoniosa e perfeita, ou seja, o sonho comum.

O sucesso tem a fama de quantidade infinita de dinheiro e felicidade perfeita, onde todos são limpos, bem vestidos, educados, gentis, as ruas são arborizadas, os cachorros abanando os rabos, as mulheres bem penteadas e os bebês sorridentes em seus carrinhos de passeio, o céu azul, a temperatura amena, os carros transitando sem poluir, as pessoas procurando informação útil nas bancas de jornal, ascensoristas e garçons atendendo de forma gentil e tudo isso com pássaros cantando em coro...

É assim que você vê?

É essa a cena vendida.

É essa a convicção de sucesso e felicidade que alguém idealizou e está divulgando junto com frustração e uma exuberante pressão psicológica.

Essa é a imagem que faz um ser humano pular da cama de manhã, sair que nem um louco para produzir ao máximo, tentando visitar o máximo de clientes, para atingir o máximo de dinheiro. Se você parar esse movimento politicamente frenético, e sair de cena, vai poder observar melhor os envolvidos: não é bem assim que todos estão na verdade se sentindo. Nem mesmo se isso estiver estático tentando provar o contrário, em fotos.

Simplesmente porque a imagem de sucesso que foi vendida a todos é um comportamento “natural” que ainda não atingimos. Porque não é tão natural assim.

Nada é tão fácil e temos que nos esforçar muito, muitas vezes até para sorrir, ter otimismo ou pagar as contas.

E isso exige muito de qualquer um que tenta realizar essa imagem de perfeição.

É por isso que virou moda estatizar um segundo onde você sorri, abraça e faz pose e vende que já conseguiu alcançar o tesouro que existe no final do arco iris, e tenta se acalmar : "Pronto, agora pode me amar. Eu consegui. Eu não fracassei. Eu sou bem sucedido(a)".

E aí está o problema.

Ser bem sucedido não é um final, é um durante. Ele está em cada momento em que você admite que é imperfeito e que apesar disso, se ama e ama todos os outros imperfeitos.

Ufa.

Que trabalhão.

Trabalhão que ninguém quer fazer.

Então o que se faz para enganar os outros e a si mesmo?

Mente-se.

Cria-se uma linda e maravilhosa... ilusão.

Tenho corpo bonito: sou bem sucedido(a). Sorrio esse sorriso de display de comercial: sou bem sucedido(a). Faço pose: sou bem sucedido(a). Tenho um carro bonito: sou bem sucedido(a). Viajei: sou bem sucedido(a). Comprei: sou bem sucedido(a). Beijei: sou bem sucedido(a).

É mais ou menos como dançar feliz sob o sol escaldante do deserto. É uma miragem. Não existe. Está na nossa imaginação.

O mundo perfeito e maravilhoso que tem em nossa mente é realmente encantador.

Posso até manter a crença que um dia a humanidade vai ser capaz de viver assim.

Mas para que isso aconteça, cada um de nós tem mesmo que tomar consciência do senso de humanidade e fazer um exercício individual para construir um mundo assim.

Seu, dos outros, e no próprio mundo físico em que está.

Para isso acontecer temos que realmente viver o conceito que nos foi ensinado de “respeitar o próximo” como a si mesmo.

Arregaçar as mangas e trabalhar.

Tirar a máscara e olhar-se realmente no espelho.

Se não fizermos isso estaremos sempre correndo atrás, aceitando e reclamando de migalhas que recebemos.

E arrastando a dor.

Queremos ser amados. E o que temos em nós que faz com que sejamos?

É preciso exigir menos, oferecer mais. Não esperar em troca. E saber dizer tchau sem sofrer, caso acredite que não está sendo correspondido, amado, respeitado. E ainda assim respeitar.

Saberemos fazer isso exatamente quando admitirmos a nossa própria limitação. Por sermos reles humanos. E quando nos aceitarmos, aceitaremos a realidade que o outro também é limitado e também tem que batalhar para ampliar-se.

E isso só vai acontecer quando libertar-se, lavar-se, limpar-se, de todo egoísmo em si mesmo.

FOTO - seth-willingham.jpg (Foto: Seth Willingham)

Quando isso acontecer, não haverá guerras, nem corrupção, nem dor, nem desamor, nem decepção, e nem mais nem pobreza que tem a definição comum de insucesso.

COMPARTILHAR É DISTRIBUIR AMOR

E esse amor está em infinitas oportunidades.

Olhe para os lados, para frente para trás, para cima e para baixo, e verá o quão bem sucedido você é ao deparar-se com sua capacidade de ajudar.

Pequenos atos.

O que acontece com o oceano se tirarmos todas as suas gotas?

Da mesma forma ele é a reunião de todas elas.

Você escolhe: pode se sentir enorme como o oceano ou vazio como seu leito sem ele.

Amor nos hidrata, alegra, positiva, fortalece.

Pois em cada ato de amor está sua origem: Deus.

Mas pelo andar da carruagem, embora tenhamos evoluído bastante desde o inicio dos tempos, em tecnologia, ainda está longe de equilibrarmos as coisas por aqui e em nós mesmos.

Por isso andamos reclamando, gemendo, lamentando, sofrendo. Nos sentindo pobres e vazios. Não encontrando o sentido da vida...

FOTO - tim-marshall.jpg (Foto: Tim Marshall)

Eu me lembro do colégio, onde tínhamos 10 matérias para estudar. Eu era ótima em umas e péssima em outras.

Eu me saia bem nas que eu gostava mas era realmente difícil tirar boas notas em outras, estando propensa à reprovação que me levaria a cursar o ano inteiro outra vez mesmo tendo obtido ótimas notas na maioria das matérias.

Vejo o mundo mais ou menos dessa forma.

Mesmo que eu esteja feliz, mesmo que esteja bem, que tenha trabalhado física e mentalmente para isso, não fico confortável se toda minha família não estiver bem também.

E ampliando um pouco mais, já que minha família é um pouco maior, levando-se em conta que “somos todos irmãos”, não acho nada agradável ver pessoas praticando atos insanos contra outras, pessoas passando fome, pessoas roubando o dinheiro publico que é para ser administrado em obras que promovem realmente a qualidade de vida social. Incomoda a todos a existência de guerras sem nexo, sem razão nenhuma de existir, sem qualquer utilidade à vida.

Incomoda a fabricação de armas, o combate aos animais, a exploração ininterrupta da natureza, as pessoas praticando sexo como diversão e válvula de escape, o desrespeito à vida, os profissionais da saúde sendo rudes e nada humanitários, as pessoas morando em lugares abaixo da crítica.

Já ficamos felizes por contribuir com algumas doações para pessoas menos favorecidas, com donativos e palestras que são motivadoras e instrutivas sobre construir uma vida melhor, mas mesmo assim, quando olhamos para o lado, vemos que há muitas pessoas que além de não ajudar a construir ainda atrapalham e teimam em destruir.

O que é sucesso para você?

É ter dinheiro e o que ele pode comprar?

O que é sucesso para seu vizinho?

Se o conceito geral de ter sucesso for ter uma BMW na garagem, não sou uma pessoa bem sucedida.

Mas sucesso para mim já é ter conseguido ter noção do bem e do mal e ter escolhido o bem, tentando não prejudicar ninguém por onde eu andar, tentar dar conta de meus compromissos, não só financeiros, mas comigo mesma, com o trabalho de me tornar uma pessoa melhor.

Sucesso se define por ser capaz de superar dia a dia, os pensamentos e ações pessimistas meus e dos outros que encontramos pelo caminho.

É conseguir errar menos e acertar mais rumo ao bem e não ao mal.

Por isso acho que sucesso não pode ser associado a dinheiro. Mas a quem você é.

Sucesso é êxito.

Uma pessoa pode não ter dinheiro sobrando, mas se sentir bem sucedido por conseguir alimentar seus filhos ou manter um teto para sua família em amor e harmonia, enquanto uma pessoa milionária é odiada, desprezada ou temida por seus próprios familiares.

Dinheiro não compra alimento para a alma, que é o amor, que representa Deus do qual necessitamos.

Um alcoólatra pode se sentir bem sucedido por estar vencendo o vício dia a dia.

Sucesso não tem tamanho nem forma nem cor nem modelo.

Sucesso é um sentimento.

Sucesso é a sensação, a certeza de dever cumprido.

Sucesso é ter realizado um projeto, um objetivo, um sonho, de ter cumprido uma missão seja ela qual for, se for alinhada com o progresso, a evolução, a preservação da vida.

Um momento muito famoso, que ilustra isso, mas que parou de acontecer nos filmes de guerra por ter se tornado clichê e, portanto motivo para charges, tendo perdido então todo o significado do momento para ser transmitido outras vezes, foi aquele em que um soldado na guerra é atingido e estando nos seus últimos instantes de vida pergunta ao amigo que está com ele naquele instante sem saber o que fazer para salva-lo: “Nós vencemos?” e o amigo responde: “Sim, nós vencemos”. Sabendo que está dando a ele o tão buscado sentimento de sucesso do Bem sobre o mal.

A única guerra que deve ser travada é contra o mal que está em si mesmo.

A vitória está no Bem.

Chegou um novo ano. Ele será novo de verdade se você se tornar novo. Ânimo. Mãos à obra. Você terá êxito. Afinal, o próprio Deus te ama. Então quem te vencerá?

AMOR VINCIT OMNIA


Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante, publicitária e empresária. .
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