Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante

Superpopulação

Não é a superpopulação que está desequilibrando o mundo


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Você sabia que a população do mundo já ultrapassou 7 bilhões? O que você acha sobre isso? Sente alegria? Medo? Curiosidade por saber quem são? Sim? Não? :)

Até outro dia mesmo, quando éramos crianças, ficávamos logo animados quando chegava alguém novo na rua, no prédio. A gente queria logo conhecer, fazer amizade, saber quem era aquela pessoa, de onde ela vinha, quais as novidades que era traria para compartilhar. Então nos juntávamos com outros amigos, pegávamos a bola e íamos todos juntos chamar o novo morador para brincar.

Já na escola não era beeemmm assim.

Primeiro dia sempre dava um friozinho na barriga. A gente ficava apreensivo principalmente quando era uma escola nova ou uma série nova, porque íamos encontrar VÁRIAS pessoas diferentes, muitas vezes que já se conheciam, e NÓS é que íamos ser o "estranho". O frio na barriga que sentíamos era por não saber se seríamos tão bem recebidos quanto recebíamos.

Não era assim?

Crescemos e isso continua existindo, mesmo que a gente não note. Mesmo que a gente se ache o sabichão, o segurão, porque tem carrão, salto alto ou maquiagem.

E por que?

Por que apesar disso a gente continua sentindo apreensão em lugares novos, em meio a novas pessoas? Porque apesar de termos crescido a gente nunca sabe "se será bem recebido", bem tratado, respeitado.

Então, pra não mostrar esse medo e parecer inseguro, ou seja, para não parecer uma criança que ainda não tem segurança em si mesma, a gente se enche de máscaras, que podem ser sorrir demais ou de menos, comprar muitas coisas para parecer grande ou bancar o durão.

A gente também pode tentar agradar, se mostrando o perfeito para que atraia súditos.

Mas por dentro, por mais que tenhamos passado da fase da aceitação, a gente vai ter que conviver com todo mundo, e então, a gente vai se cansar e se entendiar por ter que manter essa ilusão.

E por que nos damos um enorme trabalho para sermos aceitos?

Porque a gente acha que sendo a gente mesmo, cheio de defeitos, as pessoas não gostarão de nós.

E sabe por que a gente pensa assim?

Porque a gente sempre se esquece que ninguém aqui é perfeito.

E que na verdade, tá todo mundo também cheio de máscaras para também parecer perfeito.

E parece que muitos usam uma máscara tão boa que conseguem mesmo convencer que são, pois conseguem mesmo seguidores e contempladores.

Sabe, é preciso manter me mente que NINGUÉM é perfeito. Só Deus é perfeito. Nós, pessoas, estamos aqui cheio de defeitos, e não sabemos sequer respeitar o outro, amar o outro APESAR de seus defeitos.

Então, ao invés de investirmos nosso tempo precioso nessa grande escola chamada Planeta Terra, cheia de gente diferente que a gente não conhece, vamos investir nosso tempo em ser AMIGÁVEIS.

Vamos investir nosso tempo em aprender amar. Vamos investir nosso tempo em receber melhor as pessoas que chegam em nossas vidas. Vamos tirar nossas máscaras de fodões e sabichões, tirar os sapatos apertados e chamar os outros pra brincar de "pique- bandeira", de "chicotinho queimado", de bola.

"Pera, uva ou maçã" está reinando há tempo demais nas nossas brincadeiras de adulto. :) A gente é mais que isso, a gente gosta de conversar, se conhecer, compartilhar conhecimentos.

E também dúvidas, e também aspirações, e também nossos não-conhecimentos.

A gente está em uma escola.

Se a gente fizer parecer que já sabe tudo, sem saber, a gente não se sentirá feliz, não se sentirá aprendendo, não se sentirá incluído porque a gente sabe que não é aceito "apesar" de nossos defeitos, mas por causa de nossas "qualidades" que a gente vive bradando que tem.

E como essa grande escola é o mundo, se a gente não sentir que tá aprendendo, a gente não vai sentir que tá "vivendo". A gente vai se sentir um fake, porque na verdade foi o perfil que a gente construiu pra ser conhecido.

Viver de verdade é que nem brincar, a gente erra, cai, levanta, sorri, continua brincando, não julga ninguém por ter caído, não se julga por ter caído, sabe que todo mundo tá ali brincando a mesma brincadeira e cair e errar faz parte e é até divertido. :)

E então a gente ri, brinca, continua. Sempre juntos, sempre um ajudando o outro, porque na verdade TODO MUNDO precisa de ajuda.

Agora veja: Se a gente vive em companhia de bilhões de pessoas não era pra gente sentir uma estupenda alegria por ter tanta gente pra conhecer?

E por que não acontece isso?

Não é por causa do idioma diferente. Não se engane. Nós somos seres humanos.

Foi-nos concedido uma potente capacidade de comunicação. Lembra que até outro dia mesmo a gente conseguiu se comunicar com fumaça? :) Pois é, não é o idioma não... Não é também a cultura. Não é por isso que a gente tem vontade de viajar? "Pra conhecer coisas diferentes"? O igual não nos entendia? Então, não é o diferente que nos impede.

E então? O que será?

:)

O que nos impede, meus amigos, é o MEDO. Medo de ser maltratado. Medo de ser mau interpretado. Medo de ser machucado. Medo de ser ridicularizado. Medo de encontrar pessoas diferentes.

E não porque elas são diferentes na aparência, na verdade, pois isso é até divertido. É porque a gente ficou sabendo que há diferenças muito maiores do que a aparência possa mostrar. A gente tem medo é das formas diferentes de PENSAR.

Se alguém pensa diferente, ela pode, automaticamente, achar que é legal machucar. Então a gente, é claro, não se arrisca, fica quieta no nosso canto, no grupo de gente que a gente já conhece e já tá acostumado.

Pra não se machucar. Quem quer se machucar muito além de cair e levantar?

Então ficamos tristes porque há gente pra caramba no mundo pra brincar. Que pena que muitos querem brincar mas outros muitos querem machucar.

Não seria bem legal então que TODOS aprendessem a AMAR?

Não temos poder sobre os pensamentos dos outros, mas temos poder sobre os nossos.

Se cada um de nós, cada gota desse mar, aprendesse a amar, em breve o mundo todo seria um maravilhoso lugar pra morar. E compartilharíamos tanto que nos sentiríamos completamente vivos ao praticarmos o aprendizado, e com ele, o auto amor. Nos sentiríamos amados e incluídos. Seriamos realmente uma família.

A tristeza que nos invade tem origem nessa falta de possibilidade de ampliar nossas amizades. De saber que não se pode andar no mundo ENTRE PESSOAS e se sentir seguro, pois só o amor causa essa segurança que precisamos sentir.

Nenhum OBJETO jamais será capaz de nos fazer sentir vivos. Nenhum luxo, nenhum conforto. Nenhum consumo, nada, nada, nada que comprarmos vai nos fazer sentir AMOR.

É por isso que estamos consumindo tanto.

Pois estamos sendo consumidos pela falta de amor. E então nós COMPRAMOS e compramos tanto, na tentativa de suprir esse vazio que a falta de amor causa em nós, que estamos consumindo muito mais do que realmente precisamos.

Estamos ficando obesos, tristes, raivosos, e endividados.

Não seria legal então que parássemos de consumir tanto e começássemos a AMAR?

Se você AMAR o amor estará em você. E não apenas quando for AMADO.

Se você amar TUDO, a vida, as pessoas, o existir, a natureza, o sorrir... Você finalmente vai se sentir suprido.

Pois amando nós nos conectamos a DEUS. A fonte de todo amor.

Quando amamos, nos sentimos vivos, felizes, supridos. E então, tudo ficará equilibrado, o mundo, e nós.

:) AME. APENAS AME.

De verdade, sem esperar receber um prêmio por isso.

Ame tudo e a si mesmo também porque se você mesmo não se aceitar não vai conseguir se mostrar como está agora.

Sim, esqueça o famoso "ser como você é". Você não está fadado a ter os defeitos que têm. Você pode se livrar deles. Pode pode se tornar um ser humano melhor assim que decidir ser, assim que trabalhar em você mesmo. E só o amor vai te dar força pra conseguir isso, pra conseguir fazer esse trabalho em você mesmo.

A gente não "é" simplesmente porque a gente pode se mudar o tempo todo. :)

Quando você aprender a amar você e tudo, vai sentir uma grande mágica:

Além de ficar realmente seguro, vai também se tornar forte e ter referência do que é o certo e o errado, e então não mais vai se deixar enganar, usar, maltratar, machucar.

E não vai também, fazer nada ruim com ninguém.

Quando fazemos coisas más nos sentimos mal. Quando fazemos coisas boas, nos sentimos bem.

:)

*Não é a superpopulação que está desequilibrando o mundo, é o consumismo, e esse tem sua origem na falta de AMOR no coração de cada UM.


Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante .
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