Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante

FILHOS "SALVAM" CASAMENTOS?

Descubra aqui.


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Era comum que as mulheres de gerações passadas - em todos os séculos passados na verdade - aconselhassem a "prender homens" com filhos. Isso era usado para apressá-los a um casamento prometido ou a pressioná-los a prometerem.

Esse conselho era dado também às recém casadas para que os "lembrassem" da responsabilidade "com elas" ajudando à evitar a infidelidade e o distrato, ou seja, o abandono ou o divórcio.

O tempo passou, mas ainda hoje, em pleno século 21, com a "independência" da mulher, vemos essa atitude se repetir. E igualmente, o fracasso da estratégia.

O que ocorre é que nos primeiros meses, ainda sob o efeito do impacto de "ser" pai, pelo encanto da ingenuidade dos gestos indefesos de uma criança, pelo deslumbre em seu olhar, ao ver tudo, inclusive ele, como algo especial, é normal que o homem fique em um estado de perfeição, pois realmente a inocência afasta e desnutre todo tipo de maldade, parecendo ajustar tudo.

Mas tão logo a criança vai crescendo e manifestando sua personalidade, já que cada um tem a sua, o hipnotismo de super herói e lar perfeito se desmancha desembaçando a visão e fazendo enxergar claramente que nada mudou a não ser ter mais uma pessoa na casa.

Todos nós, como seres em desenvolvimento, temos uma espécie de "configuração" para proteger, prover, honrar compromissos, e isso é salientado com o nascimento de um filho, fazendo "parecer" que tudo se ajustou, em um passe de mágica, em uma fecundação, mas na verdade não, e com o tempo você verá a mesma tensão incomodar, fazendo até que comece a ter impaciência e desprezo por aquele que você pensou ser o salvador da pátria (lê-se "forçação de barra") por não estar "cumprindo o papel" para o qual foi gerado.

O sentimento pelos filhos é totalmente diferente do sentimento pelo cônjuge e com o tempo, cada um assume seu lugar em nossas vidas.

O amor pelos filhos não acaba. Nunca.

Já em relação ao amor pelo cônjuge isso não acontece. Ele(a) tem que ser conquistado(a), portanto, se o cônjuge perdeu o seu lugar na vida do outro, o filho não vai devolver esse lugar pra ele, de forma alguma, pois o filho não é mágico e nem tem varinha de condão.

O fato é que cada um tem que conquistar o seu lugar ao sol, ou seja, na vida e no coração do outro, portanto, é até cruel usar uma criança para fazer esse trabalho por você.

O que as mulheres que usam gravidez para "prender marido" precisam entender, é que:

1 - Quando você se casou, ele se casou com você, não com o seu filho, daí se agora vocês têm filhos, isso não vai fazê-lo gostar de você outra vez. Só respeitar, só ajudar você fazendo a parte dele.

2- Para um casamento ser feliz, muitas vezes nem depende de total empenho, pois a própria personalidade de ambos, pode ser compatível e isso já basta.

Mas se forem incompatíveis, nenhum empenho mudará esse fato.

Se você mudar sua personalidade por causa do outro, isso significa neutralizar-se, e vai impedir seu crescimento como pessoa, inevitável função de cada um de nós.

Neutralizando-se, vai se sentir tão infeliz que vai se tornar uma pessoa possessiva a ponto de exigir que o outro retorne o empenho que nem pediu, e o pior, que nem sabia que você estava fazendo.

3- Se o amor acaba, é porque nunca existiu. Pelo menos, como você pensou que era. Muitas vezes, uma amizade é confundida com amor, já que amizade é mesmo manifestação de amor, mas de amor fraterno. No entanto, se ela surgir entre um homem e uma mulher, o hormônio acaba fazendo o papel de cupido e enganando todo mundo.

Daí se casam correndo e veem que na verdade não se gostavam "tanto assim".

Nesse momento, ao invés de "fazer uma pessoa" para tentar solidificar, ou fazer existir, um amor que não existia, é hora de encarar a realidade e cada um partir para sua própria busca. Entender-se, conhecer-se, evita muitos erros.

4- Muitas vezes também o que ocorre é um momento de vulnerabilidade que faz ambos pensarem que é amor de casal: um por querer proteger e o outro por querer cuidar.

Só o tempo faz enxergar a verdade, portanto casar correndo é a causa número um de "decepção" "amorosa".

Quando se sentir carente, supra a si mesmo. Com valor, cuidados, descobrindo o que gosta de fazer, fazendo, orando.

Nunca o outro vai conseguir nos dar a base que queremos para sermos felizes.

A outra pessoa não pode ficar encarregada da função de nos proporcionar felicidade. Isso seria um peso para ela. Esperar isso do outro é clara manifestação de que não sentimos amor pelo outro, mas necessidade.

Essa necessidade demonstra baixa auto-estima, e é a causa de não respeitar o outro.

Impedindo por exemplo, que ele queira terminar o namoro ou casamento, já que ele se constitui em um objeto de (te dar) prazer, que é confundido com felicidade.

5- Se algo não está indo bem, a tendência é a dispersão, o afastamento, e muitos até usam a infidelidade para dar uma "esquentada" no amor, mas na verdade a infidelidade dá uma "esfriada" e um afastamento muito maior.

Então, por que não entender que não existe entre vocês o tipo de amor certo para ser um casal e se afastam antes que ambos se machuquem profundamente a ponto de ficarem com medo de novo enlace quando o amor verdadeiro realmente surgir?

6- Só o termo "prender marido" já deixa bem claro que tipo de relacionamento vai ser. Eu pergunto: Você gostaria de viver "presa" em um relacionamento?

Se não, por que você acha que ele vai querer?

7- Antes de machucar ao máximo sua dignidade, tendo que lembrar ao outro a "obrigação dele" com você, pense: Por que seria tão ruim ser honesta consigo mesma e admitir que errou? Muitas vezes o que bloqueia essa admissão é sentir-se rejeitada. Mas pense: Ficar junto e rejeitada não é muito pior?

8- É bom manter em mente que há 8 bilhões de pessoas no mundo. Então apenas 0,01% disso já é opção suficiente pra você ficar com alguém sem ter que partir para a apelação, convenhamos, nada agradável para ambos.

Então, ao tentar prender alguém, não estaria a mulher prendendo também a si mesma e desvalorizando a si mesma? Não estaria a mulher declarando sua incapacidade de conquistar alguém por ela mesma, precisando lançar mão de uma estratégia tão cruel para manter presos todos os envolvidos?

Não é tão maravilhoso estar com alguém por querer e não por pressão ou prisão, ou seja, contra a vontade?

Por que deveria então estar presa ou fazer prisioneiros só para salvar um relacionamento inexistente em si mesmo?

Se o relacionamento não está bem, e se você não puder fazer ficar, por que você precisaria ser infeliz mantendo-o ou fazer infeliz mais pessoas além de você só para um relacionamento se manter, inexistindo, mantendo apenas a infelicidade entre todos os envolvidos?

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Então mulheres, nada de "prender" ninguém. :)

Não tenham filhos para salvarem seus casamentos, Isso não vai acontecer.

Fazer isso é praticar crueldade: com você mesma, com seus filhos e com o seu cônjuge.

Se querem ser "independentes" comecem pelo ato de respeitarem a liberdade "do outro" de não querer, seja o que for.

Não é por essa conquista que batalham para que eles ajam com vocês?

Ter filho para prender marido, não é uma espécie de estupro à liberdade que todos temos direito a usufruir?

Agindo assim, você também não estará livre para receber seu par ideal.

Essa pequena atitude de não ter filho para salvar o casamento, fará com que ninguém saia ferido.

Maturidade é importante, ela gera responsabilidade com você mesma e com seu próximo.

Ninguém é objeto, e por isso não pode ser usado como tal.

Não faça com o outro o que não quer que faça com você.

RESPEITE: você, seu cônjuge e a vida de outra pessoa não trazendo-a para ser um objeto de prisão de alguém a você. Isso é muito egoísmo.

Só tenham filhos se tiverem realmente um relacionamento. E essa é uma decisão conjunta.

Pense: nem você, nem ele e nem mesmo uma criança (gerada para cumprir a missão involuntária de criar um lar) deve ter essa responsabilidade.

Felicidade é algo que acontece naturalmente quando duas pessoas compatíveis se encontram.

Forçar a barra é impedir não só a felicidade do outro mas também a sua.

Casamento com a pessoa errada é como usar brinco de pressão: você se mostra bonitinha pra todo mundo enquanto suporta a dor dessa ilusão.

Todo mundo deve ser feliz. Incluindo você. Seja livre: Liberte.


Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante .
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