Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante

Dia dos Namorados

Que namorados?


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Foto: Dani Vivanco

Mercado é o nome que se dá a exatamente isso: mercado.

Assim como no mercadinho da esquina ou no supermercado, você compra o que precisa para sua casa e alimentação, o "mercado" é o nome que se dá à comercialização, ao ato de comercializar, de fazer comércio.

Mercado, portanto, é o lugar onde existem os mercadores, aqueles que oferecem seus produtos, suas mercadorias, àqueles que precisam delas, ou seja, aos compradores.

E o mundo acabou se tornando um grande mercado, pois todos precisam comprar e vender.

O mercado move e é movido. Sem esse movimento, ele se extingue.

Pensando nisso, na manutenção desse movimento, foram criadas várias datas comemorativas:

"Dia das Mães", "Dia dos Pais", "Dia das Crianças", "Dia dos Namorados", Entre outros...

Pois, como todos, sem exceção, precisamos de mais do que comida, roupas, sapatos e casa para viver, o mercado resolveu comercializar também, os sentimentos.

E as pessoas simplesmente seguem esse cronograma criado pelo mercado.

Por que?

Porque é muitíssimo mais prático e confortável apenas seguir essas datas criadas pelo mercado, para que, nesse dia definido por ele, comprar um presentinho e cumprir o protocolo.

Por causa desse dias "especiais", acontecem algumas consequências:

1- A pessoa pode, nesses dias, mostrar à outra, o seu apreço, a sua atenção, o seu verdadeiro sentimento por ela. Isso, para os tímidos, são uma forma fácil que veio à calhar, pois a data comemorativa faz todo o trabalho por ela, de abrir o espaço para essa demonstração de seu sentimento, pois a única coisa que a pessoa tímida tem que fazer é comprar algo e apresentar esse algo à outra pessoa. E sem mesmo precisar dizer uma palavra, só a apresentação do objeto Na data em que foi dado, "diz" "tudo" por ela.

2- A pessoa apresenta o presente à outra, e pronto! Está cumprida a "obrigação" de dizer ou de provar algo, isentando-a do exercício desse sentimento ou da desconfiança da inexistência dele, nos outros 364 dias do ano.

3- Você compra um objeto para expressar seu amor, e não precisa fazer mais nada além disso.

4- Mesmo que você não sinta nada, a pessoa será facilmente convencida que sente.

5- A dança do "fiz e você viu", fica pendurada no armário da memória para que você possa abrir e ver, toda vez que tiver uma dúvida sobre isso.

E assim, todos os outros protocolos existentes, como rituais de casamento, inclusive, se chocam o tempo todo, com a realidade.

Sim, pois o amor é o alimento da alma. E onde ele não estiver, protocolo nenhum vai suprir, mesmo que cumprido com todas as pompas.

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Foto: kristina litvjak

Então, já que todo mundo "precisa" de amor, por que não criar esses dias especiais e vender significativamente mais, já que as pessoas precisam também de amor? Claro! Que ótima ideia!!

E então, o amor foi também comercializado.

E o amor, que era para ser algo feliz, e evolutivo, tornou-se algo prejudicial à toda sociedade, pois essas datas comemorativas não são suficientes para suprir a necessidade de amor da semana inteira, do mês inteiro, do ano inteiro, da vida inteira.

E o amor foi mascarado de tudo, para que fosse comprado, vendido, e ainda mais desejado e perdendo a identidade.

O amor foi confundido com dinheiro, com beleza, com sexo, com comprometimento, com obrigação, com alianças políticas, com palavra dada, com conveniências em geral.

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Foto: Leighann Renee

Agora, ao invés de amar, e comemorar esse amor todos os dias, ficou super prático e nada trabalhoso, uma vez por ano para receber e expressar amor, pelo pai, pela mãe, por todo mundo, você simplesmente ir em uma loja, e comprar confortavelmente, um maravilhoso e estupendo objeto e dar à pessoa amada!!

Não é mesmo simples, confortável, prático e amoroso?

Sim!!

E todos aderiram a essa estupenda ideia criada pelo mercador, ops, pelo mercado.

Por um simples e "poderoso" objeto, você prova a alguém o seu amor; mesmo que eles não alimentem nem nutram a necessidade de alguém, de amar e ser amado.

E um muro foi sendo criado, confortavelmente, entre as pessoas e entre as pessoas e o amor, mas é claro, um muro bem bonitinho, pintadinho de amor.

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Foto: Tyler Nix

Um objeto por si só não diz nada além de sua funcionalidade, portanto, se ele não for acompanhado da expressão do amor, ele nada valerá para alimentar a necessidade de amor. Por isso beijos, jantares, sexo e sorrisos, são bem vindos como complementos vip ou "top".

Se presente é sinônimo de amor, não teríamos então que presentear o outro todos os dias?

Se fizéssemos isso, o mercado é que iria amar, pois tudo o que ele quer, é vender.

Mas haja dinheiro suficiente para isso. E convenhamos, não se ama o outro tanto assim...

"Dê diamantes, porque são eternos"... ou seja, se você não tem dinheiro para presentear com diamantes, seu amor não é eterno, pois se seu dinheiro vai até uma bijuteria do camelô, seu amor é igualmente sem grande valor.

Persuasivo e sedutor, o mercado convence facilmente, e cria conceitos. De liberdade, de amor, de beleza, de valor, de prisão, de ódio, de feiura, de desvalor, enfim, do que bem desejar.

Mercantilizar os sentimentos, expandiu o lucro e o fez fazer qualquer coisa para aumentar o seu poder aquisitivo.

As flores, se não forem acompanhadas de um cartão da melhor floricultura, também não terão valor.

Beijo só pelo beijo, não vale nada.

Um beijo sem presentes no "dia dos namorados", não significa nada, pois o mercado convenceu a todos, que se você é amado(a), esse amor será expresso com presentes, ou seja, com objetos.

Atos como estar ao seu lado quando precisa, comprar um doce ao final do dia, jantar juntos, ajudar a fazer o jantar, ajudar a comprar o jantar, ajudar a lavar a louça, ouvir você, ajudar você com o seu trabalho, colocar toalhas macias para quando sair do banho, pagar a conta do supermercado, não trair, dar atenção aos filhos, falar que você é linda(o), ficar linda(o) para você, barbear-se para não machucar sua pele, levar o café na cama, preparar um piquenique no fim de semana, não falar palavras que machucam, comemorar com você a sua vitória, tratar bem a sua família, colocar as roupas na máquina de lavar, ou tirá-las, buscar os filhos na escola, assistir a um filme com você, torcer para o time que você gosta, caminhar na praia de mãos dadas, enfeitar a mesa com uma jarrinha de flor, fazer aquela sua comida preferida, manter a casa limpa, abaixar a tampa do vaso sanitário depois de usá-lo, dizer que você está linda(o) com a sua roupa preferida, mesmo que ela seja um terror, levar o cachorro para passear, enviar uma mensagem durante o dia só pra dizer que está com saudade, fazer você rir e sorrir... não valem mais nada. O que são esses atos perante o persuasivo, poderoso e sedutor "mercado"

que criou, para seu lucro, o famoso, poderoso e especialíssimo "DIA DOS NAMORADOS"?

Por causa desse dia tão especial, todos esses atos são esquecidos, desvalorizado e desestimulados, se nesse (co)memorável e poderosíssimo dia, você não tiver comprado um presente, e não um presentinho qualquer, mas um presente bem caro, senão vai significar que seu amor não é grande o suficiente, ou seja, você não ama, não é capaz de amar.

Agora, capacidade de amar foi completamente igualada à capacidade de comprar.

Se não houver presente, não ama, e as reclamações começarão: "Quando namorávamos, você me amava, pois me dava presentes!"

Só que, quando as pessoas estão namorando, não têm que pagar a conta de luz da casa toda, com soma do gasto de eletrodomésticos, banhos de beleza, etc, assim como um maior consumo de água, de telefone, aluguel ou prestação da casa, escola dos filhos, roupas de cama e banho, condomínio, alimentação para todos, pintura da casa, IPTU, conserto do telhado, maior gasto com gasolina, jardim, férias programadas, eletricistas, material elétrico, bombeiro hidráulico e todo material que eles sempre pedem, e tudo o mais de despesas que vêm junto com o casamento.

Apesar de estarem ambos, dia a dia, com trilhões de oportunidades de verem a existência do amor entre eles, exatamente porque estão arcando juntos com as despesas de viverem juntos, é no dia dos namorados que ambos pensarão que o amor está presente?

Chega a ser hilário por ser tão irritante e absurdo.

Um presente deveria ser considerado naquele banho preparado na temperatura na qual você gosta, aquela massagem incrível, aquelas risadas dadas junto por presenciarem algo engraçado... por não se separar de você por causa da sua terrível expressão facial nas manhãs, por estar com prisão de ventre... entre outras...

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Foto: Filipe Almeida

Presente caro, inestimável, é ter alguém para enviar e receber aquele olhar de cumplicidade, saber que pode realmente contar com alguém, saber que gosta da sua companhia mesmo sendo você esse saco de defeitos, ter a confortável intimidade construída no dia a dia que os faz conhecerem-se tão bem que preveem que o mau humor está logo ali na esquina e já providenciam o momento extasiante de alegria que vai salvá-lo disso, muitas vezes, sem mesmo que perceba o trabalho que teve, pois nem mencionou. É ajudar a pagar o carro, a bicicleta, o pão de cada dia.

Isso é amor e não o colar de diamantes que o mercado está louquinho pra vender pra você.

Um colar de diamantes nada mais é que um colar de diamantes. Brilhante e frio, ele apenas ficará pendurado no seu pescoço, e será apenas um rombo no orçamento, se você não tiver alguém para amar ou amando você realmente, como um ser humano gosta e precisa.

Então, o que vale: o diamante ou o amor?

Para saber qual dos dois é realmente valioso, basta ver com qual dos dois você não consegue viver feliz, e qual dos dois é menor que isso.

Descobriu a resposta?

Ótimo!!

Agora vamos falar do sexo.

Amor é totalmente diferente de sexo.

O sexo você encontra em qualquer esquina. O amor, não.

Sexo você compra. Amor, você tem que conquistar.

O sexo tem sido confundido com amor a partir do momento em que "ser desejado(a)" foi igualado a "ser amado(a)".

Para ser desejado(a) basta você ter um corpo dentro do estereótipo e para isso você pode apelas para as cirurgias plásticas, academias, saber andar, olhar e falar com sedução, vestir-se de forma a dar a entender nitidamente que você adora transar, usar maquiagem e perfume que completam o convite, e estará cheio(a) de pretendentes no mercado, pois você transformou-se em um produto.

Mas para ser amado, não. Para ser amado você tem que ser amável.

A melhor maquiagem não vai conseguir mascarar você em amável, o melhor batom não substituirá o sorriso verdadeiro, o melhor carro e o melhor corpo escultural não substituirão a beleza interior.

Sim, a beleza interior, que foi massacrada, ironizada, ridicularizada, satirizada, zombada, é o que realmente vale. Mesmo que tenham tentado ao máximo eliminar sua importância.

A beleza interior é capaz de iluminar toda a face, colocar charme e elegância no falar, no andar e no olhar, de forma natural. E grátis.

A beleza interior é o que nos torna amáveis.

Ela não é comprável, negociável ou esculturável em uma mesa de cirurgia plástica ou estética.

Inestimável, ela foi ridicularizada devido à alta exigência que ela faz: em si mesmo.

Para que você seja belo(a) interiormente, você tem que se livrar de seus defeitos, geralmente denominados como "sete pecados capitais": a Luxúria, a Gula, a Avareza, a Ira, a Soberba, a Vaidade e a Preguiça.

Como ser amável contendo esses defeitinhos?

O amor é muitíssimo fino, nobre, de valor elevado, para que seja cultivado em terra que não esteja livre dessas ervas daninhas.

Portanto, é preciso estar em constante trabalho em si mesmo, para que possa conquistar o amor do(a) outro(a).

E certamente, desejar receber presentes para que se sinta amado(a), exigir que o(a) outro(a) prove seu amor com objetos, é clara demonstração de que você não sabe o que é o amor, não sabe o que é amar, e só quer mesmo ser amado(a) e, é claro, presenteado.

O amor é uma via de mão dupla: ele tem que estar no coração de ambos, para que seja sentido por ambos.

E magicamente, para que você ame e seja amado, você só precisa de você:

1- Você pode amar o outro, sem que o outro ame você. O amor existe sem que o outro precise amá-lo.

2- Você só será amado, se for amável. Por isso, o amor estará antes em você, e depois no outro por você.

Em ambos os casos, é em você, não importando o seu gênero, que está a responsabilidade de ter o amor em seu coração.

E isso, é claro, exige um bom trabalho em você mesmo, pois terá que se livrar dos sete pecados capitais em você.

E quem tem o amor em si mesmo, não espera que o outro lhe dê presente, pois já considera um presente ele estar em sua vida dia a dia, compartilhando esse amor dele com você e recebendo o seu por ele.

O feminismo e o amor

Disfarçado de promotor de igualdade entre os gêneros, esse movimento está tirando as diferenças naturais entre eles.

Tornou-se um grande empecilho para que o amor floresça em ambos, pois com a falsa liberdade da mulher, tornaram-se rivais.

E por que "falsa"?

Erroneamente, o feminismo prega que a mulher, para ser e se sentir livre, tem que ser completamente liberada sexualmente.

Esse movimento tosco, prega que a mulher deve se equiparar ao homem através de "poder ter total liberdade sexual" como os homens têm.

Ora, ora... As mulheres não já tinham essa liberdade?

Mulheres transam desde que foram feitas. Assim como os homens.

Desde sempre a mulher transa com quem bem entende...

Ela adultera, seduz, fica nas esquinas, faz programas, trai... portanto, ela já age como acredita que todos os homens agem, há milênios.

Ah, mas a mulher é mal vista se transa sem casar... Para a mulher tem lei de adultério... Para a mulher...

Sério?

E para os homens?

Não?

Os homens, é preciso entender, são apenas seres humanos, assim como as mulheres.

Se você, que é mulher, quer se casar só com um homem que nunca transou, o que proíbe você que assim você faça?

Ah, mas não existe...

Tem certeza?

Aos homens foi também imposto que tinha que transar para ser homem. Era levado ao prostíbulo onde para ele era paga uma prostituta para fazê-lo homem.

E por acaso basta um homem transar para ser homem? Para ter hombridade?

Todos sabem que não.

Igualmente para as mulheres, assim têm lhe sido discursado.

Se poder transar com quem quiser é o que causa a liberdade e o empoderamento, os animais estão muito superiores aos seres humanos...

Ora, ora... Balela de mercado esse tal de "empoderamento".

Poder nós já ganhamos desde que nascemos: o de escolher, de pensar para analisar cada escolha, de amar.

Só não se usa esse poder.

A mulher vive como imbecil se colocando em posição de fraca e tola, e o homem vive como forte porque lhe convenceram também que seu poder está em ser pegador, ou seja, no sexo.

Ora, ora, se o poder, a liberdade, a igualdade, estivessem no sexo, os animais estariam pra lá de poderosos.

Os homens caíram nessa estória pra boi dormir, achou bom, é claro, e as mulheres lá vão pelo mesmo caminho.

A liberdade feminina ou masculina, assim como a força de ambos, não está no sexo, queridos... Leiam meu livro "Ser Mulher", sendo preparado para ser lançado, que verão onde ela está.

Se a mulher espera que a liberdade tenha início e consagração na liberdade sexual, ela está mesmo agindo como uma tola.

Se você, mulher, acredita que ser livre é só poder transar com quem bem entende, sem que precise esconder esse ato, ter vários "parceiros", como acreditam que fazem os homens, enganou-se profundamente.

Liberar-se sexualmente apenas tirou dos homens qualquer obrigação moral que ele carregava em ter que honrar as mulheres que não eram prostitutas, as chamadas "mulheres de família" e os deixou ainda mais felizes.

inclusive, alguns dizem não concordar com a expressão "Existem mulheres para casar e outras para transar".

Isso existe porque algumas mulheres decidiram ser prostitutas e terem vários homens, ao invés de apenas um, e outras decidiram que iriam se casar e ter apenas um homem.

Umas escolheram o sexo, e outras o amor.

Só que ambas precisam do amor, simplesmente porque são seres humanos.

Se você é mulher e se revoltou com minha opinião ao afirmar a veracidade dessa frase, basta trocar a palavra "mulheres" para "homens". Viu como você achou agora bem aceitável?

Você se casaria com aquele cara super gostoso, para quem todas suspiram quando passam, o grande pegador que decididamente se diverte em "pegar" todas?

Pois é: esse cara não é para casar. Ele não quer e não conseguiria ficar com uma mulher só. Da mesma forma, as mulheres. Há muitas mulheres que optaram não se casarem, elas preferem vários homens.

E ambos estão usufruindo seu direito de escolha.

Ao invés de recriminá-los, escolha qual dos dois tipos será o melhor para você. Apenas isso.

Se você é feminista, com certeza, sua imitação aos homens não pára por aí, na "liberdade sexual".

Você vai querer fazer tudo que um homem faz, até se tornar um deles.

Então, como vai namorar?

A moda é pegar. Como vai conseguir passar pelo lance todo que exige um namoro?

Você vai transar, transar, transar.... usufruindo sua mais perfeita liberdade... sexual. Sim, é apenas isso a liberdade sexual: transar e mais nada.

Os conceitos não vão mudar porque você transa com quem bem quer. Mesmo que explicitamente agora.

As pessoas vão apenas respeitar sua escolha. E fazer a delas em relação a você, ou seja, quem quer transar vai procurar você. Nada mais.

Sexualidade não é sinônimo de maturidade nem de amabilidade

Quem se arriscar em namorar você, em pouco tempo se sentirá em um pesadelo e em um eterno desafio, por se sentir preocupado em ser traído, assim como você assim se sentiria se namorasse uma pessoa assim, gostosa e pegadora.

Além disso, namorar um(a) pegador(a) é como plantar em areia, pois não é possível acreditar que terá raiz. Portanto, ambos serão o tempo todo superficiais, unidos pelo sexo.

Namoro exige profundidade de sentimentos.

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Foto: Sharon Mccutcheon

Sexo, não. No entanto, se unidos pelo sexo, quando não estiver mais apetitoso(a), não terá mais o(a) "namorado(a)"

Então, nessa super (falsa) liberdade onde todo mundo transa com quem bem quer, explicitamente agora, é claro, por causa da "emancipação feminina", onde haverá lugar para o amor, já que o amor precisa de um recipiente fixo para florescer?

Namoro, antes, era quando duas pessoas se sentiam atraídas, e começavam a se encontrar para ver se era amor mesmo ou apenas atração sexual.

Se fosse amor, depois de um tempo, oficializariam o namoro através do noivado e começariam a se preparar para o casamento, onde então, finalmente, teriam a lua de mel.

Hoje, com a emancipação feminina, o bar é o lugar pra tudo, do começo ao fim, no espaço de tempo de uma noite.

E depois, de tanto ir do começo ao fim em um único "embalo de sábado a noite", e brincar com os próprios sentimentos, começaram a conhecer a decepção e a depressão.

E o mercado ficou super feliz pois por causa disso, criaram as drogas, para que você tivesse confortavelmente a felicidade sintética na tentativa de substituir o amor.

Gente, gente... é isso o que são! Gente.

Transar desvairadamente com quem nem conhecem, é para animais, e mesmo, assim, quando ficam no cio, para procriação.

Transar para se sentir livre e amado, é coisa de ser humano tosco mesmo....

Por isso, além de tudo, o mercadológico Dia dos Namorados, tem poucos comemoradores. Simplesmente porque há poucos namoradores e muitos pegadores.

Namorar exige amor, e já que o amor foi extinto pelos pegadores, como vão ter amor para que possam ter namorado para presentear?

Tiro pela culatra outra vez.

Acho melhor o mercado criar o "Dia dos Pegadores", vão vender muuito mesmo.

Amar é cuidar, é como plantar.

Você não pode pegar uma semente de abacate por exemplo, e ficar trocando-a de vaso.

E muito menos poderá mantê-la no vaso depois de certo tempo, pois ela precisará de espaço maior e melhor para que possa desenvolver suas raízes, crescer.

E então? Como você vai plantar o amor, se não dá tempo à semente dele, nem lugar fixo, para que possa florescer?

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Foto: Mayur Gala

Como vai colher seus frutos?

E que frutos, se tudo hoje é só "pegação" por causa da maravilhosa e exuberante liberdade sexual da mulher... para se igualar ao homem?!

Como se não bastasse, a mulher agora, na sua super vontade de ser como o homem, está recebendo o maravilhoso empoderamento para que consiga ser como os homens, como se os homens fossem seres de outro planeta, e não seres humanos, e por isso tivessem poderes...

Então, sendo os homens seres super poderosos de outros planetas e não seres humanos, elas, as coitadinhas, precisam ser empoderadas para se igualarem a eles!

Agora então, elas conseguirão ser exatamente como os homens são, inclusive, másculas e românticas às moda tipicamente masculina, pois poderão também se ajoelhar aos pés de um homem e pedi-lo em casamento!

Sim! Com o empoderamento feminino, as mulheres poderão ser igualzinho como eles sempre fizeram!... Transar, submeter, e tudo o mais que elas sempre.... na verdade invejaram. Queriam fazer exatamente como um homem, só que não tinham o empoderamento para isso.

Peraí: esse feminismo fajuto só declara a inveja feminina pelo poder masculino, desejando sentar-se no trono que elas o veem sentados, sentar no lugar deles, ao mesmo tempo que prega a superioridade do homem, e não a igualdade!.. ah, tá! Agora sim, está explicado!

Realmente os sete pecados capitais fazem vocês serem idiotas marionetes.

Então, depois de muito empoderamento, e por causa disso posando de super frágil ao mesmo tempo berrando que não são, a mulher finalmente tira toda a masculinidade natural do homem, aniquilando-o em prol de aniquilar o machismo que ela decidiu e generalizou que todos têm, ela o despreza porque acha que ele não a trata como ela deseja para se sentir... mulher.

Ora, ora, ora.... o tiro saindo pela culatra.

Enquanto isso, enquanto a mulher se perde entre o desejo de superar o homem, o amor vai voando pela janela... lá vai ele... olha lá... adeus....

O fato é que não dá pra ter amor entre um homem e uma mulher, se ela está numa vibe de que tudo é machismo e ele está recuando por ter que pisar em ovos ao se aproximar dela. Entende?

As pessoas estão confundindo tudo, tudinho... e nessa confusão, não tem lugar para o amor.

O amor é algo simples, claro, tranquilo, não competitivo, insuperavelmente amável.

O mercado fez seu trabalho direitinho: cativou as pessoas com os "dias especiais", substituiu o amor por objeto para exaltar o amor, exaltou na verdade o sexo, a beleza e o dinheiro, colocou as pessoas umas contra as outras, sem identidade e tristes e decepcionadas com o amor, que é o único que não tem culpa de nada.

A submissão que o feminismo tenta combater, apenas mudou de mãos. Foi das deles para as delas.

Tanto o machismo quanto o feminismo são totais impedidores do amor.

Amor é uma planta linda, mas precisa germinar para dar frutos. Em uma terra limpa de competições e todos esses sentimentos de poder.

Essa semente incrível, capaz de produzir os mais valiosos frutos, precisa do sol e da chuva.

Só sol ou só chuva não vai conseguir dar a essa semente o que ela precisa para germinar, florescer, crescer e dar frutos.

Homens e mulheres precisam se entender e andarem juntos, lado a lado, para que possam cultivar esse tesouro pelo qual ambos anseiam.

O amor não está no sexo nem na beleza nem no presente: está no interior de cada um.

Quando as pessoas pararem de combater um ao outro pelo poder que na verdade ninguém nem deve ter, pois esse poder busca a submissão do outro e não a igualdade, conseguirão finalmente perceber que "dia dos namorados" não é apenas um no ano: São todos.

É preciso aprender a amar. Esse é o poder que precisamos ter.

Mas essa semente precisa de tempo e terra limpa para germinar.

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Foto: Gabby Orcutt

*

Todas as fotos constantes nesse artigo foram baixadas do Unsplash. Meus agradecimentos a esse excelente site que admite a veiculação livre se seu conteúdo e aos espetaculares fotógrafos que o compõem.

Gostaria de exaltar o valor dos fotógrafos e ressaltar que a popularização de câmeras em aparelhos celulares, levaram a todos o acesso à fotografia, mas não à arte de fotografar, portanto, nenhuma câmera de celular, por mais sofisticada que seja, irá substitui o olhar e a dedicação de um fotógrafo para compor uma fotografia, que tanto expressa.


Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante .
Saiba como escrever na obvious.
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