Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante

THE WIFE

Analise, decida, comunique.


the wife 3.jpg Foto: https://bit.ly/2CSLncW

Com Glenn Close interpretando Joan Castleman, "A esposa", e Jonathan Pryce interpretando Joe Castleman, "O marido", o filme "The Wife" parece ser uma vingança de todas as esposas que fizeram existir o ditado "Por trás de um grande homem há uma grande mulher", pois é um show de inveja ao Nobel que o marido ganhou, segundo o filme, às custas dela, que era quem escrevia os livros pelos quais o maarido ganhou o prêmio.

Não ficou bem claro se ela os escrevia na totalidade ou os "consertava', palavra usada por ela mesma ao perguntar a ele se queria que ela fizesse isso, no começo do filme.

O lance que me irritou no filme é exatamente o que me irrita na vida real: topar e depois ficar posando de vítima.

Acho que, ou quer ou não quer; ou topa e está tudo bem; ou não topa.

COMUNICAÇÃO é importante para que as pessoas possam dizer exatamente o que não estão gostando e o que estão, o que precisa ser conversado para ser acertado. E o negócio, o trato, ficar bom para todos os envolvidos.

Aceitar algo, receber os benefícios do que aceitou, e depois se mostrar contrariada lá na frente, me irrita.

Para essa personagem, a esposa, estava tudo bem... até que o marido ganhou o Nobel. Por que ela não sugeriu a ele que colocassem os dois nomes nos livros: o dela e o dele?

Inclusive o biógrafo perguntou à ela o motivo pelo qual ela não publicou livros, se na época já existiam escritoras mulheres.

Mas ela deixou bem claro que estava confortável assim, que foi uma escolha, agir como vinha agindo, que de acordo com o roteiro, ela dava uns toques e retoques.

Em nenhum momento o roteiro deixou claro que era ela que escrevia os livros em sua totalidade, e era coagida a não relatar esse fato, se é que era fato.

Fato claro mesmo foi a resposta dela ao biógrafo, quando ele perguntou o motivo pelo qual ela não escreveu e publicou: "Era ele quem tinha as ideias!".

Sinceramente, é de minha opinião, que calar, aceitar, fazendo de conta que está tudo bem e por anos, aceitando uma situação, e no caso até repetindo-a, e de repente derramar as lavas de um vulcão que o outro nem sequer sabia que existia, é errado.

Ressentimento? Inveja? Hipocrisia?

Pra mim, certo não é, aceitar algo e viver cultivando e produzindo ressentimento, vivendo falsamente ao lado de alguém.

Há milhares de casais que vivem muito bem tendo a mesma profissão.

O que ficou bem claro no filme, é que ela não confiava no taco dela, e quando ouviu no telefonema que as obras era espetaculares, arrependeu-se de ter ficado sem aparecer.

Deixo minha sugestão: "Não cultive ressentimento, mágoa, ódio, rancor: CONVERSE.".

Dá só uma olhadinha nesse olhar de felicidade ao ver o marido receber o Nobel: the wife olhar.jpg

Foto: https://bit.ly/2CSLncW

Data de lançamento: 2 de agosto de 2018 (Austrália)

Direção: Björn Runge

Baseado em: The Wife; by Meg Wolitzer


Gilsara Mattos

Gilsara Mattos é escritora, roteirista, palestrante .
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