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Marcelo Normando

A Arte é Eterna

Pin-Up Girls: o resgate do mistério e sensualidade

As Pin Up Girls enfeitiçaram as mentes masculinas por décadas, desde o século XIX. Agora, elas estão de volta. Com novas roupagens e simbologias.


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Audrey_Totter_pin-up_from_Yank,_The_Army_Weekly,_August_1945.jpg Audrey Totter. Agosto de 1945

Atualmente, ouve-se com frequência na mídia os termo pin-up e pin-up girls. Mas, você sabe quem são e quais as origens desse nome? Em Paris, no final do século XIX, os artistas Alphonso Mucha e Jules Cheret começaram ilustrando carteiras de cigarro, cartões e revistas como meio de promover dançarinas, alimentando a imaginação dos homens. No início do século XX, o movimento pin-up ganhou força, e mulheres em poses discretamente sensuais, eram ilustradas em calendários para serem pendurados nas paredes. Nasce neste momento o termo pin-up (verbo em inglês que significa pregar). Essas mulheres, em sua maioria atrizes, modelos e dançarinas, personificavam a figura da mulher idealizada pelos homens daquele tempo.

Betty_Grable_20th_Century_Fox.jpg Betty Grable

Como em uma evolução, a cultura pin-up alcançou seu auge nos anos 40, após o início da Segunda Guerra mundial. Levando em conta os aspectos morais da década, onde a nudez em fotografia e até mesmo vestidos menos conservadores eram tidos como atentado ao pudor, em estilizados desenhos as pin-ups ganhavam vida em trajes discretos, mas sem perder a sensualidade de suas poses e curvas, enfeitando a maioria dos armários dos soldados americanos, ganhando inclusive o carinhoso apelido de “arma secreta” do exército. Ao mesmo tempo que, era um símbolo do desejo masculino, também lembrava os combatentes de uma vida além do ambiente dos campos de batalha, servindo de motivação aos recrutas. Saindo das ilustrações idealizadas, as atrizes Betty Grable e Marylin Monroe, foram precursoras na personificação do movimento pin-up. Vale ressaltar a simbologia da mistura entre sensualidade, inocência, visão poética e discrição dessa criação. As fotos eram puro combustível à imaginação do gênero masculino e objeto de admiração por parte das mulheres. As pin-ups não podiam parecer oferecidas ou vulgares em suas poses e expressões. As fotos concentravam-se nas curvas perfeitas e generosas das atrizes, dançarinas, modelos e anônimas.

MarilynMonroe-YANK1945.jpg Marylin Monroe

Os anos 70 trouxeram consigo a “perda da inocência” e mistérios das pin-up girls. A indústria de filmes adultos explícitos e as revistas contendo nu artístico feminino ganharam força e espaço, colocando em evidência mais a questão visual e livre advinda da revolução sexual da década de 60, e enfraquecendo o componente imaginativo, que antes alimentava a mente dos homens.

800px-Lana_Del_Rey_Releases_Music_Video_For_New_Track_'Burning_Desire'9.jpg Lana Del Rey

Na contemporaneidade, como Fênix, renasce das cinzas as pin-up girls modernas, para o deslumbre da maioria da população que não vivenciou ou sequer soube da existência desse movimento cultural. Cantoras e artistas como Katy Perry, Scarlett Johansson e Lana Del Rey, são símbolos dessa ressurgida tendência. É claro que, hoje não possuem a mesma simbologia que tinham no final do século XIX, nem renascem no contexto da guerra, onde o ápice do seu sucesso foi alcançado em meados do século XX. Atualmente, o movimento chega à sociedade mais como um estilo de roupas e maquiagens, carregando a simbologia do gênero feminino forte e independente, mas sem perder sua feminilidade, curvas e delicadeza. Porém, se bem analisado, percebe-se ao fundo, a busca pelo resgate daquele “mistério no ar”, esquecido há tempos. Colocando os holofotes na sensualidade e apagando um pouco as luzes do que massivamente há décadas vem sendo explícito.


Marcelo Normando

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