toda prosa

e talvez um pouco de poesia

Lia Bianchini

Tentando sobreviver ao tempo, esse mesmo, que destrói tudo.

Gravidade

O novo filme de Alfonso Cuarón define um marco na história do cinema, sendo necessário para quem gosta de ficção científica ou simplesmente para quem gosta da sétima arte em si.


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Gravidade é a força de atração existente entre objetos que possuem massa. A força gravitacional exercida pela Terra sobre nossos corpos e por nossos corpos sobre a Terra faz com que permaneçamos “presos” ao chão. Além disso, a gravidade é a força que propicia a existência de nossa atmosfera, sem a qual o ar que respiramos vagaria pelo espaço e todo líquido evaporaria.

“É impossível viver sem gravidade”, eis uma das primeiras frases do novo filme de Alfonso Cuarón, o recém-estreado, mas já aclamado “Gravidade”.

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A história se desenvolve a partir da missão espacial de uma equipe de astronautas à qual integram a engenheira médica Ryan Stone (interpretada por Sandra Bullock) e o comandante Matthew Kowalsky (vivido por um George Clooney desnecessariamente sarcástico).

A problemática se dá quando, em uma operação rotineira fora da nave, uma nuvem de detritos a atinge, matando todos os integrantes da equipe, exceto Dra. Stone e Kowalsky.

Desse ponto em diante, cada instante de “Gravidade” é uma questão de vida ou morte. O jogo de câmeras que, ora usando a perspectiva subjetiva coloca o espectador na visão de Dra. Stone, alinhado ao som ofegante de sua respiração e aos longos planos sequência repletos de ação, faz com que a tensão do filme seja constante.

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Porém, junto à excelência técnica (e ainda que o filme tenha todas as características de um típico mainstream e possa ser visto como uma obra de puro entretenimento) há certo pensamento crítico por trás dos inúmeros obstáculos que se interpõem à trajetória da Dra. Stone.

A paradoxal personagem, excepcionalmente bem interpretada por Sandra Bullock, oscila entre momentos de fragilidade e de força. O espectador conhece a Ryan Stone que, após um drama pessoal, passa a buscar meios de desligar-se de sua realidade; e a Dra. Ryan Stone, que luta por sua sobrevivência no espaço, por sua volta à Terra (planeta o qual, aliás, é um personagem coadjuvante, sempre presente nos planos).

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A impressão latente é a de que, com “Gravidade”, Cuarón quer mostrar ao espectador como somos dependentes do planeta, do meio em que vivemos. É como se o filme dissesse: esse é o único lugar onde você pode viver, acostume-se a ele.

Assim, “Gravidade”, um dos melhores filmes do ano, mesmo que principalmente por sua perfeita execução técnica, pode ser visto como um ensaio sobre aceitação e conformismo.

E, ainda para os que não o virem dessa forma, é uma obra necessária, pois definirá os novos rumos do cinema mainstream e certamente será lembrada daqui a vários anos como um marco da produção cinematográfica.

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Lia Bianchini

Tentando sobreviver ao tempo, esse mesmo, que destrói tudo..
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