traga-me

Atóxicos para o cotidiano da alma.

Bianca Bruneto

Alguém com um pé em Minas e o outro no Sul, sendo cafés e chimarrão bem-vindos, a qualquer hora do dia. Escrevo como hobby e ainda sonho tornar isso uma profissão. Viciada em tatuagens, rock'n'roll e palavras.

Entre cervejas e fumaça

Um conto real sobre destino, olhares e o que acontece quando duas pessoas se encontram, em meio a cervejas e fumaça.


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Não bastava uma casa na esquina e encontros imaginários

durante anos, com a intenção de comer um lanche ou

passear com meu cachorro, o Kurt,

ou, simplesmente passar na porta de uma casa,

pensando em um cara que eu vi, uma, ou duas vezes no máximo,

ele havia procurado sua própria alma em alguns Estados, e a vendido

em outros, enquanto eu,

definhava na BR 050, dentro de cinco, seis

ou sete paredes, obedecendo chefes e seus puxa-sacos.

Um fim de semana, um sábado à noite,

tédio subia pelas paredes do quarto, e saí de casa pra beber

com uma, agora, ex-amiga.

_ Vitrola?

_ É, não temos outra opção.

[tínhamos, se a minha preguiça de ir até uma cidade vizinha ver pessoas patéticas e tomar a mesma cerveja que eu tomaria aqui, me permitisse]

E de repente, entre uma cerveja e um pensamento

encontrei aquele que pensei não ver mais, subiu as escadas

de um bar underground qualquer, meio bêbado, meio sóbrio,

queimou minha coxa

_ Nossa, me desculpa!

_ Tudo certo, não me queimou, sério...

[podia ter queimado, ou eu poderia ter fingido uma queimadura de terceiro grau, assim me daria um pouco mais de atenção]

Penso que seria mais fácil ter me oferecido um cigarro ou

uma bebida, mas não, não podia ser igual a todos os outros

ele era diferente, desde o começo. Foi diferente!

Madrugada começando, e um cara desconhecido, gay, feliz e um tanto alcoolizado, me pega pelos braços:

_ Você é a menina mais linda desse lugar, olha só Fulano, ela é linda.

_ Sim ela é, responde o outro, também alcoolizado.

Entre risadas, saí desse encoxamento, e comentei algo engraçado com aquele cara,

que já deveria ter puxado assunto após me queimar com um cigarro...

Músicas! Ele é um apreciador de boas e velhas músicas,

tem um cabelo enrolado, um cabelo que é dele, só dele... uma boca torta, charmosa,

envolta a uma barba malfeita porém rente,

que acompanha olhos castanhos, pequenos,

invisíveis olhos castanhos

que te joga um olhar charmoso, e um brilho um tanto pensativo,

um tanto triste...

talvez seja meu jeito de olhar, um jeito que sai dos meus olhos castanhos

um tanto pensativos, um tanto tristes

pude conversar uma madrugada inteira, e pescar seus sonhos como quem entra em outra vida e já se sente parte dela

eu poderia ficar horas ali só olhando o jeito como ele fala sobre discos, e

músicas, dizendo que meus trocadilhos eram péssimos

observando um olhar e seus desejos secretos,

me sugando com seus invisíveis olhos castanhos

eu poderia, mas a madrugada, pra mim, já estava acabando

me despedi, com a mão no rosto de alguém que tinha salvo minha noite,

que seria mais uma noite, como todas as outras,

e por mais que ele não entenda, e por incrível que possa parecer

o destino quis um toque excitante de um canto de boca,

levei ele em pensamento e uma pulga comigo

que deixei atrás da orelha,

eu não estava em um dos meus melhores dias

mas ele mudou todos, assim que desci as escadas...


Bianca Bruneto

Alguém com um pé em Minas e o outro no Sul, sendo cafés e chimarrão bem-vindos, a qualquer hora do dia. Escrevo como hobby e ainda sonho tornar isso uma profissão. Viciada em tatuagens, rock'n'roll e palavras..
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