Larissa Couto

Estudo para ser Filósofa, Leio para ser escritora e Penso para ser eu mesma - ou ao contrário.

A Rainha Vitória e sua arte bela

Durante o reinado da Rainha Vitória na Inglaterra, a arte teve um posto muito importante: utilizar sua beleza para cumprir seu papel social e espiritual. A arte devia ser agradável, buscar inspiração na natureza, ser sincera e direta para ser útil. A utilidade da estética vitoriana se cumpriu com a amplitude que a arte teve em sua arquitetura, vestuário e móveis. Não havia espaço para enganos, a beleza deve ser vista, apreciada, comprada. A arte nunca casou tão bem com a mercadoria, foi o estilo burguês de apreciar a arte. Influencia os dias de hoje na decoração de casas e em peças de vestuário, além de suas pinturas ainda agradar aos menos interessados, tudo muito fácil e sutil, o prazer é simples em seu requinte.


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"A casa era a quintessência do mundo burguês, pois nela e nela apenas se podia esquecer, ou suprimir artificialmente, os problemas e as contradições da sociedade." Com essas palavras, Eric John Ernest Hobsbawn, em 'O triunfo da burguesia', consegue resumir a era vitoriana na estética de 1848 à crise econômica do final do século, a famosa "idade da burguesia".

Para os vitorianos, a beleza é ou não é, algo é certo ou errado, tudo muito prático, sem ambiguidades. Por isso é fácil perceber no luxo o fundo prático da arte, o valor enquanto mercadoria. A arte se transforma em objeto comercializado, só a estética não é completa, é preciso vender, fazer dinheiro, uma arte burguesa seria para fruição, tanto em gozo quanto em posse.

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Na época da Inglaterra da Rainha Vitória pode se notar a extensão da arte para os objetos, as roupas, móveis, tudo arte-mercadoria. Devido ao avanço tecnológico da época do progresso industrial, a preocupação - com resquício romântico - com o retorno à aliança da arte com a arquitetura, teve impacto no pensamento artístico da época, se fazia necessário o encontro do material com o espiritual, a mercadoria e o social, o estético e o útil. A arte tinha que servir ao seu proprietário. Um ambiente devia ser estético para elevar o espírito de seu senhor, e assim cumprir seu dever social.

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Nesse panorama, a beleza deveria ser a materialização do bem. Não há espaço para o feio, o grotesco, o mal feito. A arte deve servir ao bom gosto, precisa ser confortável aos olhos, agradar. Assim se entende a importância da produção artística de roupas e móveis nessa época, pois a arte era usável e fazia as pessoas se sentirem bem. Além da grande poética das pinturas, com um olhar mais sensível para a natureza e sem muito academicismo, preponderava a visão direta da cena.

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Uma arte fácil de agradar feita por uma época de mudanças na esfera do entendimento humano. O homem e suas máquinas, a produção em série, a repetição, a dicotomia entre o luxo dourado e a máquina cinza, entre o patrão e o subordinado, entre quem tem tempo para viver o estético e quem tem tempo para sobreviver ao trabalho. A arte estava alargando horizontes, as casas e os corpos se embelezavam com suas cores, mas tanta vontade de ser simples para ser belo não traduzia a complexidade de um povo nem tão próspero e belo. O feio era propulsão do belo, mas será que não foi sempre assim?


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