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Reflexões ácidas e doces, welcome!

Fabi

Gaúcha, colorada, sonhadora e otimista!

A Liquidez do Sentir Sobrepuja o Tino de Amar

Perfeito pensar em Adam Smith e na obra: Teoria dos Sentimentos Morais. Porém... Ah porém...penso que estamos nós moças e também os moços, esses moços, pobres moços... no mesmo barco!
Essa onda web, os recursos tecnológicos ao alcance do toque, transformaram nossas ações e reações. E pelo que observo, nos transformam cada vez mais, não só na busca dos "likes" mas sim, na busca do que curtir e gostar de fato.
Essa busca não para aqui, em aplicativos móveis...
Isso é um paradoxo tremendo!

Adam Smith, Zygmunt Baumnan, Victor Hugo, U2, LOBÃO.


Perfeito pensar em Adam Smith e na obra: Teoria dos Sentimentos Morais. Porém... "Ah porém"...penso que estamos, nós moças e moços, esses moços...pobres moços, no mesmo barco!

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Essa onda Web, e os recursos tecnológicos ao alcance do toque, transformaram nossas ações e reações. A metamorfose ambulante é diária e servida com gotinhas de muita obsessão pela busca dos "likes".

O que eu gosto? Quem gosta de mim?

Essa busca não para por aí, agora temos aplicativos móveis que nos auxiliam a dar o 1 passo, esse tão difícil de dar no mundo real.

Essas ferramentas não são totalmente maléficas. Não sou extremista contrária, pois fui adepta, testei e recomendo com prescrições e dosagem. Filtre e não utilize em demasia.

De fato, existem conexões fantásticas com essa temática que me remetem a diversos estudos, pensadores e canções.

Uma das canções é a: Stay, Faraway So Close! (U2).

Pessoas tão longe e tão perto de nós. Conexões comuns, interesses comuns, praticamente impossível colidir com essas pessoas na loucura cotidiana.

Esse é o mel! Mas...e o paradoxo?

Com certeza pensar na liquidez do sentir acima do amor é um tema extenso e polêmico. Comecei escrevendo sobre essas reflexões no meu Facebook, apenas para os amigos, dizendo que esse assunto seria uma ótima discussão pra mesa de bar... A pedidos continuei no Blog, mas de uma forma breve...

Quando tive uma conta nesse aplicativo, que não mais me representa, conectei o meu perfil em um dos meus últimos momentos como adepta e comecei a observar o quanto há rotatividade de pessoas e constância no acesso de usuários mais antigos. Além de não ser voltado apenas aos solteiros. Quanta gente casada procurando colecionar uns likes, umas conversas, umas aventuras...

***(Não estou generalizando casais, solteiros e afins - que fique claro)...

Mas: viveriam todos uma mentira ou excesso de solidão e insatisfação?

Bom, resolvi deixar online por algumas horas para então observar...observar...observar...concluindo:

A perfeição que criamos e buscamos no "outro" é tão grande a ponto de estarmos na constante busca??? Tá tão difícil aceitar, encarar, tentar??? Se faz necessário tudo isso?! imagesCAEA1LFH.jpg

Ahhh sei não.... É demasiado triste buscar... buscar... buscar... Me senti aflita em perceber o quanto as relações se perdem, se constroem e se desconstroem tão rapidamente = Amores Líquidos. Bad das grandes = imenso vazio.

É tudo: comércio, business, tutu, bufunfa, grana.... Money! $$$$$$

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Nitidamente nesse contexto, enxergo a lei da oferta e da procura, um mercadão free da busca do ego, do prazer, da aceitação e do preenchimento da solidão.

Isso me fez pensar nesse formato que todos aqui testaram e testam muito. Esse excesso de buscas, conexões e acessos me fez pensar. Essa transformação me fez pensar.... E lembrar do latim: in statu quo res erant ante bellum (no estado em que as coisas estavam antes da guerra). Ou melhor, pensar no status quo. Porque será que vivemos cada vez mais solitários? Cada vez mais fechados e enclausurados do mundo tangível e das relações de verdade?

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A grande maioria está mais preocupada em quantificação, esquecendo da qualificação dos amores, do tempo, dos amigos, do prazer, do trabalho. Se qualifica inclusive cada vez menos as horas que se tem de lazer. Prefere-se passar mais tempo segurando um celular conectado às redes sociais do que uma mão.

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Há preferência em ser cada vez mais superprodutivo não só no trabalho como nas conquistas, todas essas, diga-se de passagem, com doses cavalares de estimulantes. Nessa grande escala de ganhos, as perdas são compensadas e relaxadas com aquela dose diária de tarja preta para dormir e esquecer de tudo que se fez e que principalmente do que não se tem coragem de mudar: romper a superficialidade, a modernidade líquida, tema tão bem articulado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman.

É mais fácil engolir a pílula do conforto simultâneo do que tolerar sofrimento.

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Já dizia Lobão: "...Na verdade nada é o que parece ser As pessoas enlouquecem calmamente Viciosamente, sem prazer..."

Segundo o sociólogo, atualmente tudo é descartável. A oferta é tão grande, que de forma ilusória, tudo pode ser substituível, inclusive os sentimentos e a moral.

Há poder para sermos à primeira vista quem quisermos ser, ou olhar o que quisermos olhar, ainda mais no ambiente virtual, onde estamos desplugados da realidade em si.

Bauman, analisa toda essa superficialidade conectada às questões econômicas e sociais, como o endividamento, a insegurança nas relações amorosas, a falta de segurança que vivemos e a obsessão por um padrão de beleza físico e estético surreal.

Para Bauman, em entrevista para revista IstoÉ: “Os contatos online têm uma vantagem sobre os offline: são mais fáceis e menos arriscados — o que muita gente acha atraente. Eles tornam mais fácil se conectar e se desconectar. Casos as coisas fiquem “quentes” demais para o conforto, você pode simplesmente desligar, sem necessidade de explicações complexas, sem inventar desculpas, sem censuras ou culpa. Atrás do seu laptop ou iPhone, com fones no ouvido, você pode se cortar fora dos desconfortos do mundo offline. Mas não há almoços grátis, como diz um provérbio inglês: se você ganha algo, perde alguma coisa. Entre as coisas perdidas estão as habilidades necessárias para estabelecer relações de confiança, as para o que der vier, na saúde ou na tristeza, com outras pessoas. Relações cujos encantos você nunca conhecerá a menos que pratique. O problema é que, quanto mais você busca fugir dos inconvenientes da vida offline, maior será a tendência a se desconectar”.

Ainda relata que:

“ Amor líquido é um amor “até segundo aviso”, o amor a partir do padrão dos bens de consumo: mantenha-os enquanto eles te trouxerem satisfação e os substitua por outros que prometem ainda mais satisfação. O amor com um espectro de eliminação imediata e, assim, também de ansiedade permanente, pairando acima dele. Na sua forma “líquida”, o amor tenta substituir a qualidade por quantidade — mas isso nunca pode ser feito, como seus praticantes mais cedo ou mais tarde acabam percebendo. É bom lembrar que o amor não é um “objeto encontrado”, mas um produto de um longo e muitas vezes difícil esforço e de boa vontade”.

Enxerga que estamos inseridos em um século tracejado pelo imediatismo. O prazer é súbito. Qualquer um que tente prolongá-lo será visto como heteróclito.

E aonde fica o futuro nesse contexto tão easy e fast: easyfast?

Veja bem, o que eu cada vez mais propago e desejo é que a humanidade se ame mais. Ame mais uns aos outros.O mundo precisa de muito +++++ amor.

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Se até Voltaire mudou sua maneira de pensar quando se viu amando, há esperança para nós, que ao contrário dos iluministas, ditos: déspotas esclarecidos, somos opressores da verdade.

Para finalizar a reflexão:

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2)Um pouco de Victor Hugo e ... até breve!

[...] Desejo primeiro que você ame, E que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, Mas se for, saiba ser sem desesperar. [...] Desejo também que tenha amigos, Que mesmo maus e inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis, E que pelo menos num deles Você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim, [...] Desejo ainda que você tenha inimigos. Nem muitos, nem poucos, Mas na medida exata para que, algumas vezes, Você se interpele a respeito De suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, Para que você não se sinta demasiado seguro. [...] Desejo ainda que você seja tolerante, Não com os que erram pouco, porque isso é fácil, Mas com os que erram muito e irremediavelmente, E que fazendo bom uso dessa tolerância, Você sirva de exemplo aos outros. [...] Desejo por sinal que você seja triste, Não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra Que o riso diário é bom, O riso habitual é insosso e o riso constante é insano. [...] Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, Porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano Coloque um pouco dele Na sua frente e diga "Isso é meu", Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

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Citações e Referências Bibliográficas:

*Livro: Amor Líquido - Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos Autor: Zygmunt Bauman. Editora: ZAHAR.

* Poema: Desejo (Victor Hugo - 1802-1885).

*Livro: Teoria dos Sentimentos Morais Autor: Adam Smith. Editora: WMF MARTINS FONTES

*Entrevista Revista Istoé: Link: http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/102755_VIVEMOS+TEMPOS+LIQUIDOS+NADA+E+PARA+DURAR

* Músicas:

(Essa Noite Não - Lobão)

(Stay, Faraway, So Close! - U2)


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