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Reflexões ácidas e doces, welcome!

Fabi

Gaúcha, colorada, sonhadora e otimista!

Um dia inteiro é muito para gente ficar junto

Íamos juntos, avante para a nossa grande missão, tão pequenos de tudo que estaria por vir, mas tão gigantes em encarar tudo aquilo. A verdade que mesmo eu sendo tão valente mas no fundo uma grande pateta, nós éramos a dupla BONNY E CLYDE do bem, se é que pode existir isso.


Tudo começou muito antes de 95 ou 92, como na canção:

“Meu coração está on No telefone só uma notícia Num telegrama, uma poesia Mande um recado com um abraço forte Num bilhetinho deseje boa sorte”...

Anos 80: Rio de Janeiro, turminha da pesada. Criancinhas sonhadoras na charmosa Urca. Nosso cartão postal: Pão de Açúcar. Ali o nosso amor nasceu. Depois de lá, cruzamos tantas fronteiras... ponto de parada sempre no Forte em São Chico-SC, com muito pastel de camarão feito pelo Tio, e muitas aventuras de caça ao capitão sem cabeça, mulher de branco e outras diversas fábulas que nos dominavam. Eram infinitas histórias e buscas, desbravávamos aquele forte nos achando os “tais”, enquanto no fim de noite corríamos para cama dos nossos pais de tanto medo que tínhamos da nossa própria imaginação. Estávamos juntos quando foi anunciada a Guerra do Golfo, lembro como se fosse hoje, da nossa tamanha imaturidade e de você gritando sem parar: Iniciou a Guerra do Golfo, Fafá: Caracaaaaaa Guerra do Golfo! Caracaaaa! Hahaha. Bobinhos! Estamos em 2014... nada de 80, 89, 90, 92 ou 95. Como tudo que eu escrevo aqui, são parte de canções da minha vida, ou minhas próprias poesias e escritos, todos baseados em frames que ficaram pra sempre em mim, me baseio ainda na composição do Kid Abelha, um dos sons da nossa adolescência regada a hi-fi e festinha americana: “Em Noventa e Dois”: “Um dia inteiro é muito para gente ficar junto em 92”. Conversamos esses dias, já em 2014, pauta: trabalho, sensação final: Somos tão jovens ainda como em 92. Muito bom te ver feliz, te ouvir. Mudando a pauta desse dia: Meu amigo brother, te pergunto: Como vai você? Eu te digo que eu vou muito bem. Gurizinho, não estamos mais em 95, mas me sinto totalmente em...quando fico em mode off das responsas, volto a ser aquela Fafazinha. O lúdico continua habitando em mim, mesmo estando mais lapidada para continuar essa jornada. O que de novo posso lhe contar? Continuo firme com as palavras, mas trêmula no coração, que mesmo tremendo, continua sempre batendo forte. Esse coração, passou por um caminho cheio de picos, passou por alguns precipícios e muitos vales, todos conhecidos por nós dois e que só deseja, como você, abrandar-se de Amor. Tua paz chegou mais cedo, teu Amor também. Que LINDO te ver Feliz, maduro, um Pai de família, com os miolos agora devidamente no lugar. Achávamos que talvez isso chegaria primeiro para mim, afinal sou absurdamente tão precoce, mas somos espertinhos o suficiente para saber que cada um de nós tem o seu tempo. Esse Amor nós já desenhávamos, mesmo quando éramos tão rebeldes e tão puros em nossas incontáveis longas e loucas tardes de amizade, muitas estendidas em noites, quando cada um se despedia, ficava no ar aquela louca vontade de nunca mais ir embora. Não existia celular, nem internet. BONS TEMPOS! Existia o que mais falta hoje em dia... Tínhamos: Atitude, palavras, gestos. Quando batia essa saudade louca de nós dois juntos, da nossa fiel amizade e companheirismo, o que nos restava era irmos pra janela nos acenar. Lembra? Confesso que muitas vezes eu me pegava buscando esse tchau de longe ou um grito daqueles que você dava e me matava de vergonha... esse grito fazia um eco absurdo no meio do silêncio já de altas horas da noite para dois jovenzinhos. Às vezes me via olhando lá para o seu prédio, para sua janela, imaginando qual travessura você estava aprontando e quais conselhos caberia lhe dar no dia seguinte para não fazer mais tantas besteiras na sua adolescente e agitada vida. Quando nos encontrávamos e podíamos nos acenar, formávamos um pontinho de luz nessa distância de uma longa quadra no “Cemitério Iluminado” onde habitávamos. Se esse tchau não acontecia, a nossa saudade logo após o nascer do sol acabava. Íamos juntos, avante para a nossa grande missão, tão pequenos de tudo que estaria por vir, mas tão gigantes em encarar tudo aquilo. A verdade que mesmo eu sendo tão valente mas no fundo uma grande pateta, nós éramos a dupla BONNY E CLYDE do bem, se é que pode existir isso. bonnie-e-clyde-na-frente-de-seu-carro-16865557.jpg Se essa cena era semanal, ela foi por muito tempo a nossa Cena de Cinema. A Cena do nosso Amor de Amigos. Na nossa rotina eu muitas vezes te odiava tanto, repetia 1000 vezes que nunca mais te aconselharia, que nunca mais falaria com você porque você só me repudiava, só que isso nunca durava mais do que poucas horas. O perdão era automático, mal eu sabia que isso se chamava tolerância, uma das grandes virtudes que compõe o Amor em qualquer relação. Mesmo quando você me colocava em enrascadas e fazia pouco caso de mim e de minhas preferências, eu continuava querendo ter você ao meu lado por todos aqueles dias. Você desdenhava mas não largava, amor bandidinho esse nosso amor amigo. Hoje eu sei que você me ensinou o que de perto deve ser o Amor. Lembra quando te contei que estava amando alguém, de amiga para amigo, você tentou calar meu provável sentimento por aquela pessoa, me beijando e dizendo que eu estava equivocada. E mesmo assim eu te perdoei. Hoje entendo tal atitude como uma forma positiva de ciúmes que existe em todos que amam. Você estava fazendo um hedge, me protegendo do mundo tão mal ... Ciuminho de quem gosta. Pra mim é claro que existem várias formas de sentir ciúmes. Basicamente pra não viajar e nem usar classificações chatas ou rótulos difíceis, existe o ciúme ruim, o negativo, o louco, o desmedido, incontrolável, psicótico e o ciúme do bem...o ciúme do “hedge”...da proteção, do zelo.

O ciúme do “mal” faz parte da paixão. O do bem é o medinho de leve que existe de perder alguém que amamos e esse, é saudável ter. Esse bom, se é que assim mesmo eu deva classificar, é querer ser e estar presente para jamais ser esquecido. Vale lembrar que nunca exceto essa vez, nos beijamos e que de verdade sem querer feri-lo, nunca na pureza do Amor Amigo que sentia por você desejei que acontecesse. Esse beijinho, sequer fez sentido ou gerou algo em nós. Tudo passou, no mesmo dia. Depois de ter 1000 vezes ódio de você, em 5 segundos, estávamos rindo e comendo pizza aqui em casa, enquanto nossos pais conversavam na sala e eu te contava sobre esse meu provável “Amor”. Que grande lição eu tiro disso tudo e antes de 95, com todas as infinitas histórias que fazem parte da nossa vida. A-amizade-e-um-amor-que-nunca-morre-Bom-final-de-semana-amigo-VOCE-UAI.jpg Penso que amar alguém, seja um amigo, apenas amizade, ou seja um homem de verdade, é pura admiração e tolerância. Que essa afinidade, esse querer estar, esse querer chegar e nunca mais deixar, só nasce no convívio, aceitando os acertos e tropeços numa boa. É vibrar pela felicidade um do outro. É dar subsídios, se tiver ao seu alcance de tornar real essa felicidade para o outro. Nossos desejos meu grande e amado amigo, continuam vivos e cheios de verdade e vontade, mas tão clichês. Nem todos entendem o que é o Amor e como é. A vida está cruelmente vazia! Sorte sua ter encontrado a sua paz e o seu pouso bom. Você merece demais! Eu aqui, como te disse, continuo acreditando muito nessa trajetória. E te digo mais, se eu soubesse que na verdade desde 95 nós lá no fundo já sabíamos e já tínhamos de certo a noção que o Amor, acima de tudo, significa amizade, companheirismo, admiração, tolerância, convivência, repertório... É ter história para contar, momentos para viver... certamente teria poupado tanto tempo nessa vida. Você sabe que eu detesto “queimar o tempo”, mas também sei que esses incêndios é que nos deixam ligadíssimos, vivos e otimistas. Sem os incêndios jamais escreveria isso hoje, não teria totalmente essa noção formada do que aprendemos juntos. Tenho que te agradecer por ter se tornado uma referência tão forte de Amor pra mim. Amor, que não é de pai, de mãe, de irmão, de irmã, de família, e muito menos de homem e mulher no nosso caso, mas que serve de base para esse AMOR parceiro, entre homem e mulher, e que traduzem o conforto e a paz que dará mais sentido e corpo (força) para construção da nossa missão e legado na vida. Esse AMOR, só faz sentido, só faz o coração bater forte, só chega verdadeiramente em nós, depois de toda essa evolução. Amor de verdade é construção, é como uma escada, ou como a construção de uma casa, strong>tijolinho por tijolinho. Cada tijolo é um momento vivido, uma risada dada, uma “diferença” superada, uma saudade resolvida, uma perda amenizada, uma vitória comemorada. Só depois de viver tudo isso, você vai sentir esse Amor Maior, amor maior se constrói na lida, no dia. Essa resposta e certeza só chega na convivência. E quanto tempo isso leva? Pode levar pouco, muito, não sei, cada um tem o seu momento, mas só vai existir de fato se nos desmontarmos de tudo e nos encorajarmos em sermos menos egoístas, nos doando mais e pedindo mais dos outros pra nós. Sem medo de ser chato, de soar inseguro, cansativo ou qualquer outra coisa... Uma coisa para mim é certa. A diferença de PAIXÃO E AMOR. Não estou questionando a paixão, é muito bom sentí-la, foi muito bom conhecê-la e quero que ela continue presente em algumas situações da minha vida, mas indiscutivelmente eu prefiro dar mais atenção para o AMOR. Prefiro a construção, prefiro a paz, prefiro a calmaria, prefiro os sorrisos, prefiro a parceria. “Eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida". (Cazuza e Frejat). "Arrisco todo meu ouro, dou meu amor como garantia para encontrar um tesouro e não bijouteria". (Todo Meu Ouro - Kid Abelha). Amo Você para todo Sempre! "ser humano fantástico com poderes titânicos" (Dinho / Bento Hinoto - Robocop Gay). Finalizo: “Um dia inteiro é muito para gente ficar junto”!


Fabi

Gaúcha, colorada, sonhadora e otimista!.
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