traz mais uma...

...põe na conta e puxa uma cadeira que o assunto aqui é arte.

Jeferson Batista

Traz mais uma que ainda tem assunto...

Criolo e a inexistência de amor em SP

Não existe amor em SP, é assim que começa a principal obra do raper Criolo Doido, em uma canção que põe em discussão a carência do ser paulistano, esse artista coloca nas rádios uma música melancólica, mas que conta a história de uma época na cidade de São Paulo, a época de hoje. Puxa uma cadeira que o assunto agora é Criolo e a inexistência do amor em SP...


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Não Existe amor em SP, é assim que começa a música do Criolo Doido. Não existe amor em SP nos traz uma reflexão antagônica a este momento de euforia nacional. O Brasil é a nova onda mundial. Cenário de filmes, voz importante no cenário político internacional, um país que não fala fino com os Estados Unidos e nem fala grosso com a Venezuela. Um país de riqueza natural, diversidade cultural e étnica, tem em São Paulo a sua capital funcional.

A maior cidade do Hemisfério Sul, São Paulo, outrora chamada de “a locomotiva do Brasil” apresenta discrepância nem relação aos outros estados brasileiros, por se auto - proclamar mais evoluída economicamente e socialmente.

São Paulo, no entanto, afunda num mau que não atinge sua extensão, diversidade ou economia, São Paulo afunda num mal solitário, onde as pessoas se fecham cada vez mais sucumbidas por suas paisagens cinzas e falta de estrelas.

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Com esse momento, encotramos a trilha sonora perfeita em "Não existe amor em SP". A música tem acordes melancólicos e versos que confirmam a tristeza do ser paulistano. Rodeado de muros e prédios, o cidadão que percorre essas ruas tão caóticas se sente desesperançoso com a vida. Aqui ninguém vai pro céu, ou ainda, aqui ninguém vê o céu.

Mesmo que melancólica, a música também nos passa o caos que virou essa cidade que não soube crescer, o labirinto místico em que os grafites gritam deixa seus habitantes mais longe um do outro. Seja em sua solidão velada, seja em seu abismo social, onde vemos homens fardados descendo porrada em doentes do craque, onde vemos jornalistas de câmera em mãos atirar verdades mentirosas no rosto de estudantes, onde vemos pitboys desferir golpes de lâmpada em homossexuais. A solidão impera, a mesma solidão em todos e se a sua solidão for diferente, vai ser massacrado.

Mesmo nos coloridos centros boêmios de São Paulo, o que vemos hoje são pessoas amargando em sua busca infindável em encontrar alguém que os ouça. No entanto os bares estão cheios de almas tão vazias, e no craque, na cocaína e em outras drogas que observamos homens e mulheres ter a falsa impressão de serem ouvidos por algum ser mítico que os deixa realizados por alguns instantes, se transformam em zumbis na madrugada, em busca de um mísero gole de vida.

Dos happyhours na Vila Olímpia à decadência da Avenida São João as pessoas tentam mostrar o quão são felizes, explicam que não é necessário morrer pra se encontrar com deus, pois deus já os presenteou com dinheiro e fama, a ganância vibra e a vaidade excita, todos eles morrendo afogados em seu próprio mar de fel.

São Paulo roubou-nos a vida, nos engoliu e o paulistano não sabe mais como se vive fora da cidade sem céu. Todos esses carros coloridos, todas essas casas, esses traços, essas pessoas, esse clima de vida, não se enganem, São Paulo é uma cidade morta, por isso ela não dorme.

Criolo conseguiu interpretar esse momento paulistano em sua canção. Não existe amor em SP, como tantas outras, é uma música que marca uma época. Uma música genial de uma artista genial, capaz de vencer o preconceito que a cultura hip hop sempre sofreu.

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Os agentes desse preconceito acabaram por colocar regras em como se fazer poesia, essa gente de preconceito agora deve engolir essa nova poesia feita em botecos, pois como certa vez disse o mesmo Criolo, biblioteca não é mais lugar de poesia.

Ainda há esperança e quem diria essa esperança acaba sendo encontrada dentro de botecos, em mesinhas de bar (como essa), onde o paulistano volta a conversar de si mesmo, e a ouvir seu próximo, graças a uma juventude que quer ser ouvida e que entendeu que pra ser ouvida é necessário que se ouça, que se aprenda. Seja nas redes sociais, seja na área de fumantes, seja entre uma cerveja e outra, o paulistano começa a romper suas barreiras e não ter mais medo de amar, enxerga que não adianta ser uma cidade economicamente rica e ter habitantes frígidos.

Ainda é na minoria, no entanto, começa a existir amor em SP.

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Jeferson Batista

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