traz mais uma...

...põe na conta e puxa uma cadeira que o assunto aqui é arte.

Jeferson Batista

Traz mais uma que ainda tem assunto...

Luiz Antonio Gabriela e Nelson Baskerville, aqueles que não souberam nascer.


Sexta feira fui assistir ao espetáculo Luiz Antonio Gabriela e preciso dizer a vocês que ainda não consegui processar toda a gama de sensações que o espetáculo causou em mim.

Em cartaz na FUNARTE, escrito e dirigido por Nelson Baskerville e brilhantemente vivido pela Cia Mungunzá de teatro

O espetáculo aborda como tema principal a sexualidade do ainda garoto Luiz Antonio, Tonho, e todos os dilemas familiares de uma família conservadora, porém desestruturada em vários aspectos.

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O cenário, que no principio achei muito amplo, provou ser da medida exata diante da grandeza de cada ator que pisou naquele espaço sagrado onde se desenhava as mazelas de uma família que chorava e gritava.

A desestrutura da família fica evidente em cenas de discussão e pancadaria, que durante muitos momentos causou em mim uma sensação de angustia tão forte que extintivamente levou minhas mãos à taparem meus ouvidos.

Em contraponto à esta sensação de caos familiar, temos a relação de Luiz Antonio e seu irmão Nelsinho, o mesmo Nelson Baskerville que dirigiu e escreveu Luiz Antonio Gabriela. A relação dos irmãos é tratada com um ar doce como só um irmão poderia tratar. A cumplicidade e o amor que as crianças sentiam uma pela outra fica evidente nos belos olhos de Nelsinho, interpretado pela atriz Verônica Gentilin.

Veônica Gentilin

Isso explica a direção tão bem sucedida que Nelson propôs aos seus atores, de forma não linear a história desliza em nossas retinas, hora fazendo cócegas, hora como navalha. O texto é de uma leveza impressionante e mesmo sofrível nos faz ter vontade de pegar Luiz Antonio em nosso colo e dizer a ele que tudo ficará bem.

Luiz Antonio também Gabriela, vivido por Marcos Felipe é algo estarrecedor de se ver, lindo em sua naturalidade, extraordinário em ser alguém que nasceu errado. Sofrível em ser aquele que não tem lugar, sequer dentro de sua própria casa, Marcos Felipe conseguiu ser uma Gabriela gentil, humilde e melancólica, seja em seu não-estereótipo, raro em tempos de “Ai, como eu to bandida”, seja em sua voz amargurada por ser aquilo que não o que é, mas é.

Nelson Baskerville conseguiu imprimir em seus atores uma intimidade bonita, evidente no público que também se torna intimo dessa família e mais íntimo ainda de Gabriela e Nelsinho. Por coragem ou por culpa, é Nelsinho que nos narra a falta de alicerce de sua família, a pederastia de seu irmão e a sua estranheza em relação a este ambiente tão triste, no entanto tão colorido.

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Luiz Antonio Gabriela fica em cartaz na FUNARTE (Alameda Nothmann, 1058, São Paulo) até dia 26/02/2012. O ingresso custa R$5,00 (meia R$2,50)

Vão ver, pelo amor de deus...

Agora, traz mais uma!


Jeferson Batista

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