traz mais uma...

...põe na conta e puxa uma cadeira que o assunto aqui é arte.

Jeferson Batista

Traz mais uma que ainda tem assunto...

Portinari e os verdadeiros donos da Terra

Artista consagrado internacionalmente, Candido Portinari, no meio de suas mais de cinco mil obras, também retratou a realidade do homem do campo. Suas obras colocam em discussão o valor que esse povo dá a sua terra. Nos dias de hoje, essa discussão ainda é polemica. Puxa uma cadeira que a mesa toda tem uma pergunta, afinal de quem é a terra?


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Um dos artistas brasileiros mais conhecidos do mundo, Candido Portinari nasceu na cidade de Brodowski, São Paulo, em 1903. Portinari é vasto no seu talento, tanto no aspecto qualidade, quanto no aspecto quantidade, pois entre esboços e grandes murais, seu trabalho acumula mais de cinco mil obras.

O artista passional por seu trabalho, literalmente morreu por seu amor a arte, apresentando forte intoxicação pelo chumbo, presente nas tintas, Portinari desobedeceu a ordens clínicas e continuou a pintar,culminando em sua morte em 1962.

Passional também pelo seu povo, Portinari retrata as mazelas da vida do povo do campo e não é difícil observarmos a terra como personagem de seus quadros.

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Ao pintar a realidade do homem do campo, Portinari denuncia a vida miserável que o camponês viveu e ainda vive.

Em "O lavrador de café", uma de suas obras mais famosas, podemos observar os pés descalços e desproporcionais do lavrador, inchado por conta da labuta de todos os dias. Labuta essa que continua nos dias de hoje pois ainda esse homem é maltratado em virtude das vontades de uma pequena camada da sociedade.

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Quando Portinari pintava as cenas do cotidiano rural, queria mostrar a delicadeza de um povo que consegue ser feliz mesmo sendo explorado sol após sol. Ainda nos dias de hoje, existem os chamados bóias frias, pessoas tratadas como verdadeiros escravos, condenados à regimes de trabalho exaustivos, nenhuma preocupação com a saúde, ou ainda sua dignidade, por isso ainda hoje é comum vermos trabalhadores do campo manipulando equipamentos pesados sem o mínimo de proteção, muitos ainda morrem no meio dos canaviais, cafezais, milharais...

Outros clássicos de Portinari são os quadros “Os retirantes” e “Criança morta”, tristes quadros que nos mostram uma realidade à que tantos são condenados: Abandonar suas terras em busca de uma que possa lhe dar o mínimo de alento. E isso não precisava ser assim, se a verba destinada à essa gente não fosse pro bolso de engravatados na chamada industria da seca. Crianças estão morrendo!

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Ainda hoje os problemas de terra estão escancarados na nossa frente. Seja na “pacificação” dos morros cariocas, seja no Movimento Sem Terra, seja na especulação imobiliária no centro velho de São Paulo, seja na destruição do bairro de Pinheirinho em São José dos Campos, seja nas grilagens de terra no Norte do país, enfim...

Parece que cada centímetro desse chão é muito valioso. E é valioso mesmo. Porém há valores diferentes em cada ponta desse impasse.

Enquanto um lado dessa história olha pra essa terra e só consegue enxergar cifras, do outro lado temos gente que sempre viveu naquele chão e que construiu ali uma história. Isso é muito claro, por exemplo, nas famílias e famílias que foram desalojadas por conta do projeto de barragem em Belo Monte. Gente que de uma hora pra outra se viu sem sua casa, sem seu chão, sem a identidade que construíram ali ou ainda que seus pais e avós construíram ali.

A pergunta que não quer calar é:

É justo manter a Terra nas mãos de poucos enquanto o povo tem que vencer a fome, as péssimas condições de trabalho, a ignorância das outras classes, o descaso do Estado e a ganância desmedida da iniciativa privada? O que parece é que nos prestam favores aos nos ceder um pouco de sua tão valiosa terra para que possamos construir nossas casas.

Hoje no Bairro de Pinheirinhos em São José dos Campos a população teve que abandonar suas casas, sem ter tempo de retirar seus pertences, um homem morreu enquanto alguém colocou fogo em sua casa. Um bairro inteiro, pensem, um bairro inteiro, poderia ser o bairro onde você mora, ou seus país, ou seus avós...

O mesmo aconteceu na favela do moinho no centro velho de São Paulo, onde a imprensa e os órgãos oficiais disseram ter havido um incêndio por conta de uma deficiente mental que colocou fogo em sua casa, confirmam duas mortes. No entanto os moradores da favela, aliás, antigos moradores, relatam que o incêndio foi criminoso, pois houveram vários focos em locais diferentes no inicio do incêndio, também falam em 11 mortes. Vale lembrar que a favela do Moinho ocupava um território que vem sendo muito valorizado no centro de São Paulo.

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Portinari nasceu no campo e é brilhante em pintar a realidade do homem da terra. Portinari não pintou empresários e fazendeiros, pintou o verdadeiro homem da terra, aquele que come comida fria e trabalha com os pés descalços nessa terra . Aquele que tira comida pra sua família e que viaja quilômetros e quilômetros em busca de um mínimo de terra fértil.

A terra não é de ninguém, a terra é um bem comum que não merece ser encarado como bem de consumo. A terra está aqui antes da gente e é viva...Não importa o quão rico seja, a terra nunca será uma propriedade, ela é de todos. Então tirem suas cercas dessa terra que também é nossa.

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E podem nos matar, nos escravizar, até nos domesticar, mas nunca terão a terra para si, por que ela pulsa. Essa briga já é perdida.

Traz mais uma!


Jeferson Batista

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