Rosa Maria Ferrão

Adoro artes em todas as duas manifestações. Literatura, música, pintura, cinema, enfim, aquilo que o homem cria e deslumbra a si e aos outros.

HAY GOBIERNO? SE HAY SOY CONTRA. SE NO HAY TAMBIÉN SOY!

Cabe às oposições, como é quase ridículo afirmar, fazerem o papel de vigilantes e críticos de um governo. Não é, no entanto, tão difícil assim perceber que se não defendem alguma causa, alguma postura política e alguns valores, as vozes se perdem na mesquinharia das maledicências diárias sem chegar aos ouvidos do povo.


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Conta-se que esta frase foi proferida por um anarquista que após o naufrágio do navio em que viajava, conseguiu chegar a uma praia. Então, olhando em volta, dirigiu-se aos que o cercavam: Hay gobierno? Se hay soy contra. Pois é, hoje, acordei com esta fala no pensamento e me perguntei: Por que fui me lembrar disso? Não foi difícil chegar a uma conclusão. Afinal, estamos em época de eleições e bombardeados pela campanha eleitoral massiva. Promessas aos milhares (a grande maioria absurdamente vazias), propostas sem qualquer embasamento das providências que serão tomadas para viabilizar o que afirmam pretender fazer, denúncias, agressões, desequilíbrio.

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Com o acesso às redes de comunicação e a liberdade de expressão que elas facilitam, cada indivíduo se sente à vontade para participar dessa briga pelos votos de acordo com suas preferências pessoais. Muito justo. Muito saudável. Muito democrático. Não é assim?

Realmente seria, caso grande maioria se ativesse aos fatos e não lidasse com política como lida com o futebol. No lugar da análise, a “torcida”. Não se mostra porque razões objetivas se escolheu tal ou qual candidato, torce-se por ele. Em lugar de perceber que qualquer indivíduo que se apresenta candidato tem uma história pregressa, que é sobretudo um ser humano com erros e acertos, escolhe-se o “salvador”, o “mágico”, o “super-homem”, o “herói” que resolverá todos os problemas de cada um dos indivíduos da nação.

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Ora essa, qualquer marqueteiro de plantão é capaz de criar essa criatura mítica pela qual o infantil político anseia. Mas acontece que, se o vencedor não faz o que prometeu, volta a ser simplesmente humano e então... ai dele. Se está voltado para os ricos (130 mil milionários detêm metade do PIB nacional), a classe média esperneia, faz passeatas; os desfavorecidos, sem vez e sem voz, reclamam entre si, nos ônibus, nos trens, na cidade e no campo.

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Se, ao contrário, prioriza a classe menos favorecida, é populista, “sustenta vagabundos com o dinheiro da classe média trabalhadora”, é safado, ladrão e corrupto e só faz isso pra se manter no poder. A mídia, cujo controle está nas mãos da classe privilegiada, procura ressaltar intensamente qualquer erro, dando-lhe destaque em manchetes, ignorando sistematicamente o que de positivo possa ter ocorrido.

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Nesse jogo de interesses díspares, a classe média oscila. Entre uns e outros, pobres e ricos, pra simplificar a nomenclatura, grita por “um governo para todos”. Muito coerente, não é? Muito justo, certo? Mas o que isso significa realmente?

Fazer escolhas ideológicas faz parte do processo, sempre fez, vota-se naquele que satisfaz nossas diretivas individuais, mas esse ser humanos que é eleito, vai ser obrigado, em nome da governabilidade, a fazer concessões aqui e ali, alianças que nos espantam às vezes, e é inocência demais acreditar que isso não acontecerá. No entanto, fazer concessões não será um problema, desde que os objetivos concretos sejam mantidos.

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A oposição sistemática e irracional que tenta sabotar “qualquer” governo não é ideológica, e nem em defesa da sociedade, nem do próprio país e consequentemente de seu povo. E o que se vê e ouve pelas ruas, pelas redes sociais se parece muito com a atitude do tal anarquista náufrago: nada nunca está bom.

SE HAY, SOY CONTRA. SE NO HAY, TAMBIÉN SOY.


Rosa Maria Ferrão

Adoro artes em todas as duas manifestações. Literatura, música, pintura, cinema, enfim, aquilo que o homem cria e deslumbra a si e aos outros..
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