tudo acaba em canções

-rascunhos poéticos, literários e musicais e outros na curva das horas

marina malheiro

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."

Fernando Pessoa

# Zeca Afonso e algumas canções com África dentro- I parte

Zeca Afonso foi um "astro insubmisso" que brilhou na música portuguesa, trazendo novas sonoridades, poesia, intervenção política, sonho, utopia, paz e pombas.
Zeca representa a liberdade, o 25 de Abril, a resistência à opressão. Zeca Afonso trouxe-nos também os cheiros e os sons de Angola e Moçambique onde viveu. São algumas dessas músicas com África dentro que escutei para guardar, ainda mais.


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"Em louvor da desordem. Exaltando o vinho e os seus fermentos. Em louvor dos motivos e em louvor da pura insensatez, nos sentaremos nós ouvindo este homem, atravessados pelo seu galope(...). Hélia Correia Muito podemos escrever sobre José Afonso, Zeca para os amigos, para os portugueses, para todos os que amam a música popular portuguesa.Acompanhámos todos o seu "galope" pela música fora, com poesia sua e de outros.

A discografia de Zeca Afonso é vasta e todos os álbuns são ricos em poesia, em musicalidade, em mensagem política. Eternas estas músicas, sempre.

Zeca viveu em Angola e em Moçambique, talvez por isso, muitas canções tenham uma sonoridade africana e quem sabe cheiro também.

Ao escutarmos "Galinhas do Mato" (1985) do álbum com o mesmo nome, somos transportados para a terra dos embondeiros , dançando livremente como de pés nús perante a vida.

"Agora" , canção do mesmo álbum, cantada por Luís Represas, soa a Angola e é marcada por uma sonoridade "africana" , utilizando instrumentos de percussão e o saxofone. Ora escute

"Como se faz um canalha", canção claramente de crítica política, em que Zeca canta"És um produto de sala/ Rasputim cá dos Cabrais/Estás sempre em traje de gala/A brincar aos carnavais do álbum "Com as minhas tamanquinhas" (1975)há um ritmo de samba, de bossa nova.

Em " O País vai de carrinho" (1983 ) há sonoridade africana, alegre, e portuguesa ( ouve-se o trinado da guitarra portuguesa) e crítica política : " (...) gosta do passeio em grupo/ no Mercedes do papá/ trouxe (...) até à Europa de cá (...) às vezes sai para a rua de corrente e matraca".

Deixo aqui alguns versos do grande poeta António Ramos Rosa, dedicados a Zeca Afonso. "o canto que se erguia na tua voz de vento era de sangue e oiro e um astro insubmisso que era menino e homem fulgurava nas águas entre fogos silvestres.(...)" António Ramos Rosa

Sobre este "astro insubmisso" da música portuguesa continuarei a escrever e a escutar sempre, como que bebendo inspiração para mais sonoridades, para mais descobertas, para mais escrita.


marina malheiro

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo." Fernando Pessoa.
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