tudo acaba em canções

-rascunhos poéticos, literários e musicais e outros na curva das horas

marina malheiro

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."

Fernando Pessoa

Pára, escuta e olha!

Os comboios foram sempre fonte de inspiração musical.Jazz, blues, rock, reggae, minimalista, adotaram a viagem de comboio como uma viagem musical única. Foi o caso de Bruce Coltrane, Tom Waits, Vashti Bunyan e Steve Reich, entre outros.Diferentes instrumentos musicais assinalaram movimento e sonoridades próprias da máquina que outrora era a vapor e agora é movida por sistemas ultrasofisticados. Também a música evoluiu da cadência clássica para a improvisação e mistura de sonoridades, rapidamente como que seguindo a linha de comboio.


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Os comboios foram sempre fonte de inspiração musical. O movimento do "café com pão/ café com pão " de Manuel Bandeira está em nós, desde tenra idade, apesar de muitos terem deixado de ver comboios passar...

O apito do comboio inspirou muitos foi, contudo, o "Lonesome Whistle" de Hank Williams que se tornou um clássico da música country, marcando o violino o movimento da máquina.

Em 1957, Bruce Coltrane compôs "Blue train", um clássico da música Jazz, transportando-nos para uma viagem alegre e jazzística.

Na música "Night Train" (versão de 1962)- a peça de abertura original data de 1940, a soul está presente no movimento frenético das ancas e na voz de James Brown, ajudando o saxofone a reproduzir o som do comboio. Repete James Brown várias vezes "Are you ready for the night train?"

Na música "Peace train"(1971) , Cat Stevens, que a escreveu num comboio,conta que tem estado feliz ultimamente , acreditando que um dia o Mundo vai estar em paz. Cantou "Peace train take this country/come take me home again". Rapidamente a canção de Cat Stevens se tornou um hino pacifista nos anos setenta.

Bob Marley(1973) cantou a canção de Peter Tosh(1970) "Stop that train" numa versão reggae muito própria. Na canção explica-se que uns seguem caminhos diferentes, mas são os caminhos melhores.

Em 1973 , os The O' Jays cantaram o célebre "Love train", o comboio do amor para todas as pessoas do mundo.

Em "Train Song" (1990), Tom Waits cantou sobre a viagem e de como o comboio que o levou para longe e o pôde fazer regressar.

Mas a canção "Train Song" de Vashti Bunyan (1966) será certamente a canção mais bonita sobre comboios ou sobre o amor que está distante. Uma viagem musical pelo amor poético nos anos sessenta. Leslie Feist e Ben Gibbard (2009) apresentaram uma versão desta canção, a duas vozes, talvez as duas vozes do amor, dum amor construído, duradouro naquele momento, sabendo, contudo, que este amor poderia terminar um dia.

Na música de estilo minimalista , Steve Reich compôs em 1988 "Different trains". Esta é uma composição lindíssima de três movimentos para quarteto de cordas. Estes comboios de Reich são os comboios do Holocausto nazi. No primeiro movimento- América, antes da Guerra, ouvem-se os sons dos comboios americanos, no segundo movimento- a Europa durante a Guerra, três sobreviventes falam sobre a sua experiência na Guerra e no terceiro movimento- Depois da Guerra, falam os sobreviventes sobre os anos pós-segunda guerra mundial. Reich consegue levar-nos nestes comboios americanos e europeus, distinguindo até o apito e o movimento. Dado que os músicos estão em permanente viagem, aguardamos o lançamento a 5 de Março de 2013 de uma nova obra deste compositor, com base na versão de duas canções dos Radiohead. Pouca-terra, pouca-terra, pouca-terra, pouca-terra!


marina malheiro

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo." Fernando Pessoa.
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