tudo acaba em canções

-rascunhos poéticos, literários e musicais e outros na curva das horas

marina malheiro

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."

Fernando Pessoa

# O Cirurgião do Tempo

Era uma vez um Tempo nas mãos de um cirurgião. O que faria com ele? Música ou Silêncio?


5926278248_7355060019_o.jpg Foto Metropolitano de Lisboa( anos 60)/ Todos os direitos reservados a Metro de Lisboa

era uma vez um cirurgião do tempo. cortava e cosia minutos à vida, às vidas. retalhava segundos às infelicidades alheias. acrescentava peles novas a espíritos moribundos, sedentos de liberdade. nas mãos, todo o Tempo.

o Cirurgião continuou na talhada do Tempo. na terra molhada pela chuva encontrou os sonhos antigos de muitos e deu-lhes um milésimo de segundo. apenas uma fiada límpida e aglutinadora de um outro Tempo.

Nesse outro Tempo resolveu experimentar congelar os momentos. Fininho veio o Silêncio e com ele, vibrante, a Música.

Coseu as passadas à pista de tartan, ao asfalto quente e multiplicou os minutos dos homens de pés rápidos. À medida que as passadas deslizavam, os homens juntavam os pensamentos como se fossem Matemática e aprenderam a diminuir distâncias . Dividiram emoções e quadrados e descobriram o resto zero. Nada sobrava na pista de tartan. No dia seguinte retomaram a multiplicação dos momentos.

David Brubeck, Kathys Waltz

A Brubeck que hoje foi ter com o Silêncio


marina malheiro

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo." Fernando Pessoa.
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