tudo acaba em canções

-rascunhos poéticos, literários e musicais e outros na curva das horas

marina malheiro

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."

Fernando Pessoa

# Apologia da esperança

Temos sempre direito a uma Utopia, a algum idealismo que nos corre nas veias e não nos deixa soçobrar, mesmo de análise Swot permanente.

Como podemos defender a esperança em tempos de crise?


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Oliveira de Saramago / Lisboa/ Foto Marina Malheiro ( todos os direitos reservados)

"As angústias mais cerradas deixam sempre clareira alumiada por uma réstia de esperança."

Camilo Castelo Branco

Nestes tempos dominados pela Economia somos todos números numa engrenagem social e política em crise, e para a qual parece ainda não existir uma solução viável.

De modo que muitos, dando resposta a um problema, o do desemprego, #ei- los que partem para não mais voltar#.

O desespero, a desesperança, o medo, as situações limite, estão a levar muitos a partir, sejam muito qualificados ou não.

Tal como dizia George Eliot "Aquilo a que chamamos o nosso desespero é frequentemente a dolorosa avidez de uma esperança insatisfeita."

Para se alcançar um estado de desespero e consequentemente de desesperança, já se atingiu ou o patamar da fome,ou das zero respostas a candidaturas de emprego,ou de entregas da casa ao Banco, ou do endividamento.

Então como defender esta réstia de esperança, esta candeia acesa alumiando o caminho?

Muitos educadores para o optimismo ou ligados à programação neurolinguística dirão que é apenas uma questão de programação para esse optimismo e ao mesmo tempo viver sempre com uma tabela "Swot" na mão, pela vida fora.

Talvez seja esta a resposta. Viver consciente de que os caminhos são difíceis e impermanentes, sendo que esta impermanência está condicionada à gestão de dívidas dos países, aos mercados financeiros e finalmente aos governantes. Nada nas mãos de todos nós, apenas uma réstia de esperança, um trevo de quatro folhas e uma análise Swot permanente da vida e da actividade profissional.

De modo que pragmaticamente devemos desfrutar do sol, da poesia dos abraços e dos beijos dos que amamos, e ao mesmo tempo, devemos ter ainda, ainda sim, alguma capacidade para sonhar, para construir ou reconstruir países, cidades, empresas, postos de trabalho e lutar sempre, sempre, pelos nossos direitos enquanto cidadãos em Estados de direito.

Temos sempre direito a uma Utopia, a algum idealismo que nos corre nas veias e não nos deixa soçobrar, mesmo de análise Swot permanente.

http://www.youtube.com/watch?v=Vr4Zf7DiyG0 Paz, Poemas e Pombas

Zeca Afonso in "Venham mais cinco" (1973)


marina malheiro

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo." Fernando Pessoa.
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