tudo acaba em canções

-rascunhos poéticos, literários e musicais e outros na curva das horas

marina malheiro

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."

Fernando Pessoa

# Da Coleção de conhecimento a saldo

Vivemos numa sociedade digital em que passou a ser necessária ou foi criada a necessidade da partilha digital, não só de informação mas também de fotografias.
De que modo este consumismo estético não poderá revelar um conhecimento de saldo?


Desde que a Web.2 começou a invadir as nossas vidas deixámos de procurar tanto as bibliotecas, de sentir os livros procurados como nossos naquele momento ou os jornais antigos ou revistas como despojos essenciais à nossa cultura, à nossa história, à nossa existência. Passou tudo a estar ao alcance de uma mão cheia através do telemóvel ou do tablet. Se, por um lado, os grandes arquivos mundiais passaram a ser permanentemente digitalizados e revistos como é o caso do Projeto Gutemberg, por outro lado, o conhecimento passou a estar a saldo, fragmentado em milhares de páginas na Internet, acessível sim, mas a saldo. Excessivamente acessível por meio de conteúdos diversos, organizados para atingir determinados públicos-alvo. A acessibilidade não significa necessariamente qualidade e reflexão sobre o que é lido, sobre o que é dado a ver, a " consumir digitalmente" na voracidade dos dias. O mesmo se aplica à fotografia. Susan Sontag em Ensaios sobre a Fotografia (Quetzal) escreveu "A necessidade de comprovar a realidade e de engrandecer a experiência através das fotografias é uma forma de consumismo estético a que nos entregamos. (...) Não seria errado falar de pessoas com uma compulsão para fotografar, transformando a própria experiência numa forma de visão." Mas se ,neste momento, há compulsão para fotografar tudo, em claro excesso, há também uma compulsão para a excessiva partilha digital, no momento, ao minuto, ao centésimo de segundo, da vida pública e privada. A fotografia, é ,nesta perspetiva, um conhecimento de saldo, a saldo, para ser consumida e não para ser apenas fruída, como uma boa photomaton ou uma revelação à antiga em câmara escura. Às vezes mais vale apenas, uma, uma fotografia única, mas reveladora de tudo aquilo que é verdadeiramente importante no momento. Na rede Pinterest encontramos, por vezes, fotografias diferentes, algumas muito antigas, como as de Eadweard Muybridge.

Se calhar a grande pesquisa e coleção de informação passe pelos grandes arquivos digitais como o Project Gutenberg e também ter livros e discos com pó nas mãos, sentindo, desta forma, o conhecimento nas mãos.


marina malheiro

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo." Fernando Pessoa.
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