um ponto no infinito

Sobre o que não é visto, mas que não deve ser ignorado,

Hellen Neto

Escrita é desabafo. É libertação.

Email: [email protected]

Somos donos de nossos sonhos ou vítimas dos sonhos dos outros?

Vivemos sonhos fantasiados. Aquilo pelo que lutamos muitas vezes não corresponde aos nossos próprios anseios, e sim sonhos artificialmente criados para serem seguidos e acreditados.


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Vivemos aprisionados, como vítimas dos próprios medos e condenados a cumprir a prisão nos mais severos moldes. Nossa cela encontra-se em nosso íntimo, cujas barreiras à liberdade se reforçam a cada submissão a vontades e comportamentos que não se coadunam com o “eu” que habita e que se vê eliminado frente aos temores da alforria.

É difícil não pertencer a si mesmo. Deixar de fazer aquilo que ansiamos com medo do julgamento alheio. Quantas vezes nos despimos de nossa própria vontade com medo dos comentários e opiniões daqueles que deixamos, ainda que inconscientemente, invadir nossas vidas e ditar as regras? Quantas vezes abdicamos daquilo que nos agrada e que desejamos, no foro mais íntimo, mas que nos negamos com a justificativa do medo?

O medo, sentimento devastador que não raro nos impede de ir além dos “clichês” e das verdades socialmente estagnadas e duramente enraizadas no interior das vítimas de seus ditames. Invade o pensamento, limita nossas ações, utilizando um poderoso artifício e chave de toda essa resignação: o medo da rejeição.

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E talvez seja ele que nos limite à verdade autêntica, baseada na comodidade de se auto-pertencer e no direito de sermos livres. Mas por que nos submetemos e nos deixamos levar pela pressão social que teima em fazer-nos esquivar de nossos próprios anseios? Por que temer a rejeição e o olhar de desaprovação do outro, quando, intimamente, aquilo que é visto com repulsa nos causa felicidade?

Fomos treinados para a submissão. Acostumamo-nos a agir conforme se espera que ajamos. E fugir disso leva ao espanto, basta lembrar-se daqueles que ousaram desafiar as normas sociais para lutar pelo próprio sentido de felicidade. Acabaram sendo criticados e vistos como “loucos” perante uma sociedade de indivíduos “normais”.

“Normais”? Não acredito que esse seja o termo apropriado. Seria “normal” abrir mão dos próprios sonhos porque lutar por eles causaria espanto e reprovação? Ou será que se abre mão deles com medo de desapontar aqueles que nada têm a ver com sua própria construção da autorrealização?

Sonhar os sonhos dos outros pode evitar os julgamentos e a condenação de sonhar os próprios sonhos. Mas, infelizmente ou não, somente os nossos sonhos são capazes de nos proporcionar a verdadeira alegria da vitória, do alcance. Porque, ainda que a sociedade tenha fixado um padrão de felicidade, ele pode não corresponder àquilo que nos satisfaz. E a satisfação dos outros definitivamente não tem o poder de preencher o vazio gerado pela frustração da derrota a si mesmo imposta.

É preciso liberdade. Fugir dos padrões e voltar-se para si mesmo. O que realmente me faz feliz? O que eu busco e como posso realizar meus sonhos? São perguntas necessárias, e que devem ser feitas à distância dos olhares e julgamentos maquinalmente produzidos e que insistimos em absorver e elevar ao patamar de verdade incontestável.


Hellen Neto

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