um ponto no infinito

Sobre o que não é visto, mas que não deve ser ignorado,

Hellen Neto

Escrita é desabafo. É libertação.

Email: [email protected]

Uma dose de Bukowski

“Gente estúpida misturada com gente estúpida. Que se estupidifiquem entre eles.” Charles Bukowski


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Crítica, agressividade e aversão ao mundo. Charles Bukowski carrega em seus escritos diversas sátiras à sociedade e suas mazelas, tecendo obras carregadas de significação e análise do homem e suas fragilidades.

De cunho autobiográfico, seus escritos revelam as experiências vivenciadas pelo autor, criado em meio à pobreza de Los Angeles e com a vida inundada pelo vício em álcool.

Suas obras carregam personagens que são comumente desprezados pela sociedade, como prostitutas e pessoas miseráveis, retratando temas como sexo e diversas espécies de vícios capazes de acometer o ser humano.

Bukowski depositava seus sentimentos em seus escritos, o que nos faz perceber uma mistura de amor, ódio, repulsa e principalmente a melancolia em suas retratações. Não se preocupava com o pudor e com o uso contido das palavras: jogava-as no papel sem a apreensão de que isso fosse causar estranheza e repúdio por parte do leitor.

Em seu poema “O pássaro azul”, é possível delinear esses aspectos revelados:

há um pássaro azul em meu peito

que quer sair mas sou duro demais com ele, eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja.

há um pássaro azul em meu peito que

quer sair

mas eu despejo uísque sobre ele e inalo

fumaça de cigarro

e as putas e os atendentes dos bares e das mercearias nunca saberão que ele está

lá dentro.

[...]

Temáticas como o sexo são abordadas sem nenhum pudor, como em “Já morreu”, no qual ele aborda esse tema com absoluta tranquilidade, trazendo à tona assuntos que até hoje são vistos com certo receio por parte da sociedade.

sempre quis transar com

henry miller, ela disse,

mas quando cheguei lá

era tarde demais.

diabos, eu disse, vocês

sempre chegam tarde demais, garotas.

hoje já me masturbei

duas vezes.

não era esse o problema dele,

ela disse. a propósito

como você consegue bater

tantas?

é o espaço, eu digo,

todo o espaço entre

os poemas e os contos, é

intolerável.

você deveria esperar, ela disse,

você é impaciente.

o que você pensa de céline?

perguntei.

queria transar com ele também.

[...]

Bukowski faleceu em 9 de março de 1994, quando tinha 73 anos.


Hellen Neto

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