um ponto no infinito

Sobre o que não é visto, mas que não deve ser ignorado,

Hellen Neto

Escrita é desabafo. É libertação.

Email: [email protected]

das pessoas, ilusões e dores

Da difícil dor de quem se permite abandonar.


garota_triste.jpg

Deveria ser proibido que pessoas entrassem em nossas vidas, nos roubassem, e nos deixassem sem a costumeira presença que nos tornou vital. Quiçá fosse baixado um decreto proibindo ilusões ou a aproximação sem o interesse de ficar. Para que nos fornecer um abrigo e o conforto da proteção se, de repente, nos vemos livres e sós, sem a companhia que nos tornara dependentes e acostumados a ter a quem recorrer em nossas loucuras sentimentalóides?

Uma das piores sensações que podemos sentir é a sensação do abandono. Da companhia que nos tornara tão atrativa agora nos resta a solidão de uma alma fria, calejada pelos abandonos e despreparada para novas assunções de vínculos. E como dói ver que a proteção que você julgara ter não passava de uma conveniência de momento, não representando uma equidade de interesses...!

É perigoso se envolver nessas relações desleais, em que o intuito dos envolvidos se encontra em descompasso, sobretudo quando em um dos pólos figura uma alma crédula, capaz de acreditar em verdades e valores que nem sempre se mostram verdadeiros. É um ser que teima em acreditar na lealdade, na sinceridade das palavras que lhe são proferidas. Costuma se caracterizar como que uma deficiência em aceitar que o outro pode não ser o exemplar de honestidade que se espera. E, ao sinal do engano, vem à tona a decepção e a dúvida quanto aos valores que acreditava estarem insculpidos dentro das relações humanas.

mulher sozinha e triste.jpg

E o sofrimento se mostra inevitável. Conjuga-se à dor do abandono a frustração de ter acreditado em algo que se revelara movediço, frágil e cruel. Surge o medo e a desconfiança. A dúvida passa a reinar como único sentimento capaz de oferecer a prevenção contra o erro da confiança. Alguns sentimentos passam a ser ignorados, pois se associam a uma provável dor capaz de ruir o conforto e paz das almas maltratadas pelo egoísmo alheio.

E deveria ser proibido que pessoas nos roubassem a paz. Que entrassem em nossas vidas e destruíssem a capacidade de nos relacionarmos de forma sadia, baseada na cooperação e principalmente, no respeito. Que nos proibamos de permitir que pessoas adentrem e nos destruam. Afinal, há sempre alguém, em algum lugar, capaz de oferecer a contraprova. Há sempre alguém capaz de nos provar que vale a pena acreditar e ir além dos nossos medos e das decepções outrora vivenciadas.


Hellen Neto

Escrita é desabafo. É libertação. Email: [email protected]
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @obvious //Hellen Neto