um ponto no infinito

Sobre o que não é visto, mas que não deve ser ignorado,

Hellen Neto

Escrita é desabafo. É libertação.

Email: [email protected]

Endurecer... para quê?

Estamos realmente caminhando para a felicidade?


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Quando criança, acreditava ser a felicidade o dom mais simples da vida. Acreditava que as pessoas podiam livremente amar umas às outras, e achava que isso era algo natural da convivência, o amar.

Porém, a vida veio impor o amadurecimento. Passou a criticar a inocência, cunhando-a dos mais impiedosos adjetivos. E a doçura passou a ser vista com vergonha. A credulidade passou a significar despreparo. Preocupar-se principalmente com o hoje passou a ser visto como falta de ambição, que vem acompanhada dos olhares mais críticos.

Amadurecer. Seria esse mesmo o termo correto? Em meio às imposições sociais, o termo que melhor se enquadra seria o “endurecer”. Sim, não estamos amadurecendo, estamos endurecendo. Estamos endurecendo quando não nos permitimos acreditar mais uns nos outros. Estamos endurecendo quando abrimos mão daquilo que tanto almejávamos por medo da repressão social.

Não podemos mais ser frágeis. A vida tem imposto seres fortes, insensíveis e capazes de abdicar de si mesmos em prol de... em prol de que mesmo?

Para que nos maltratamos tanto? Para que nos preocupamos em demasia se o outro vai nos repreender por determinada conduta? Para que queremos sempre nos mostrar seres intocáveis, ou com um poderio superior ao dos demais? Para que?

Se é para amadurecer (ou endurecer), prefiro reservar-me como aquela antiga criança que, embora lhe digam ser demasiadamente despreparada para a “vida adulta”, sabia enxergar o lado puro do mundo. Embora enganada por aqueles que se dizem donos do saber, conserva a fonte maior da sabedoria: a arte de apreciar as coisas pelo que são, buscando a felicidade em simples coisas ou ações, não se submetendo ao julgamento daqueles que insistimos em colocar como juízes de nossas ações.


Hellen Neto

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