um ponto no infinito

Sobre o que não é visto, mas que não deve ser ignorado,

Hellen Neto

Escrita é desabafo. É libertação.

Email: [email protected]

Mudar é preciso... (ou não?)

Da difícil missão entre o certo e o incerto; do comodismo proporcionado por nossas atuais escolhas e do desafio da mudança.


Talvez a tarefa mais árdua que possamos enfrentar na vida seja a perpetuação da nossa pertença. Pode soar estranho o fato de alguém não conseguir pertencer a si mesmo. Porém, é um árduo desafio a incumbência de evitarmos que tenhamos o nosso “eu” subtraído pela incapacidade de lutar pelos próprios anseios e pelo medo de, uma vez surpreendidos pelo esvaziamento de nosso ser, rompermos as barreiras que nos afastam daquilo que, no nosso íntimo, grita e urge para se reerguer.

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E quão difícil é para almas frágeis lutar para que renasçam antigos sonhos, que jazem inconformes no âmago do próprio ser. Simplesmente porque tal atitude significaria um rompimento com o que julga possuir e que lhe proporciona, ainda que sutil, uma estranha sensação de segurança, embora seja o tipo de segurança que não dá paz.

A necessidade da mudança se mostra cada vez mais evidente. Porém, vem cercada de medos e inseguranças inerentes a todo processo de transformação ou, que seja, restauração. Lutar pelo que se quer verdadeiramente, embora possa parecer bastante utópico e descompromissado em um mundo que apregoa o conformismo e a resignação, pode ter um condão animador. Apesar disso, o passo inicial é sempre o mais tenebroso, por guardar em si a incerteza do futuro e o medo de abandonar aquilo que, embora não traga a paz e o sucesso a que tanto ansiamos, já é algo que traz um alicerce capaz de nos manter no comodismo e temerosos de que qualquer alteração na estrutura desmorone o nosso edifício interior.

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Apesar de tudo, há que se ressaltar que, qualquer que for a nossa escolha, é certo que a vida nos cobrará o preço dela. Resta-nos escolher a que caberá em nosso bolso. Podemos escolher entre arriscar e lutar por aquilo que sabiamente queremos, mas que comporta riscos e abdicações, ou podemos arcar com as consequências de uma vida em que se temeu arriscar passos maiores, em troca da sensação de segurança que a zona de conforto nos dá. Se escolhermos essa última opção, teremos que conviver com a eterna sensação de que poderíamos ter alcançado os nossos íntimos anseios, e lutar diariamente com a pior das saudades, a saudade de nós mesmos.


Hellen Neto

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