um ponto no infinito

Sobre o que não é visto, mas que não deve ser ignorado,

Hellen Neto

Escrita é desabafo. É libertação.

Email: [email protected]

Sobre o complexo jogo da vida

No jogo da vida, quem determina os nossos movimentos? Nós ou as expectativas alheias?


Peças no lugar, é hora de começar o jogo. Para lograr o êxito, é essencial que consigamos antever os passos do nosso adversário, de modo que nossos movimentos não permitam que sejam abertas brechas para que sejamos destruídos. E assim, incessantemente, buscamos nos colocar sempre na retaguarda, como a esperar um iminente ataque.

Fim de jogo. Peças de volta ao seu devido lugar, e o entusiasmo da vitória ou o desencanto da perda, mormente momentâneas, silenciosamente também assumem sua posição de direito, afinal, a indiferença não deve tomar assento.

Interessante notar que o que pretendia ser apenas uma narrativa de um jogo qualquer, se trasmuda e passa a se oferecer como a representação de nossas próprias vidas. A sensação de que, a qualquer momento, podemos nos surpreender com uma ação inusitada do próximo tem nos aprisionado, conduzindo-nos a uma situação perigosa, em que não poderemos simplesmente nos recolher em nossas humildes origens.

A intensa sensação de insegurança e a ansiedade por algo que pode vir ou não a acontecer, encaixariam perfeitamente no que corriqueiramente se sintetiza na frase: “Nem Freud explica”. Isso porque são estados emocionais demasiadamente complexos, e somente quem os vive sabe a intensidade e a significação que assumem em cada ser individual.

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Porém, é certo que o temor pela desaprovação do outro ou por uma conduta irregular atinge de maneira contumaz a maioria dos indivíduos, de forma que agimos, muitas vezes, de forma a não oferecer subsídios a questionamentos do outro. Dessa forma, estamos nos habituando a negar nossa subjetividade para que consigamos atingir aquilo que terceiros estabeleceram como ideais a serem buscados. E o mais perigoso é que, muitas vezes, pensamos estar agindo de acordo com aquilo que queremos; porém, nossas vontades estão sendo mascaradas pelo que nos foi ditado como conveniente e plausível para nós.

Ouso, assim, a questionar o porquê de alienarmos nossas escolhas e temermos que nossas ações sejam negativamente valoradas. Uma possível resposta a esse questionamento se sintetizaria no fato de que nós, enquanto seres humanos, tendemos a evitar o olhar de reprovação do outro. E, para tanto, simplesmente abrimos mão de fazermos nossas escolhas. Mas tal posicionamento é deveras cruel, posto que, ao final do jogo, estaremos sós com nossas opções, e o outro, a quem tanto tentamos agradar, será, nesse cenário, apenas, “o outro”, e nada mais.

Dessa forma, é imperioso que ousemos buscar, em nosso íntimo, o nosso ser essencial. Afinal, o que realmente queremos para nossas vidas? Que esse questionamento seja feito de maneira pura, distanciando-se de quaisquer influências externas.

Que os movimentos de nosso jogo não busquem apenas a vitória, enquanto representativa de algo previamente determinado. Mas que nos aventuremos a moldar nossos movimentos em busca da autossatisfação, seja esta conseguida com a vitória propriamente dita, ou com a alegria de apenas participar desse complicado jogo da vida.


Hellen Neto

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