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Anabê

Colecionadora de terras, observadora de nuvens. Sofre da síndrome dos sotaques múltiplos.

A ARTE VEGETAL DE PABLO AMARINGO

Já à primeira vista, os quadros de Pablo Amaringo refletem uma profusão de cores e formas que ultrapassam a psicodelia. Não é à toa: seus quadros são inspirados em “mirações” obtidas através do uso da Ayahuasca – bebida enteógena produzida através de duas plantas amazônicas.


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Pablo Amaringo (1943-2009) nasceu em Puerto Libertad, no Peru e teve o primeiro contato com a Ayahuasca aos dez anos de idade. Durante sua vida foi vegetalista, curandeiro, pintor e fundador de uma escola de arte visionária, a Usko-Ayar, em Pucallpa. Amaringo retrata em suas pinturas as viagens cósmicas, os processos de cura, a fauna e flora amazônicas e o cotidiano dos rituais de consagração da Ayahuasca.

A Ayahuasca, termo quíchua que significa cipó das almas, é uma bebida enteógena. O uso desta medicina, tradicionalmente consagrada por indígenas em países como a Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru, é milenar. É obtida através da combinação de duas plantas endêmicas amazônicas, o cipó jagube (Banisteriopis caapi) e a folha chacrona (Psichotria viridis), e utilizada em diversas cerimônias religiosas.

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Na década de 1980, Pablo Amaringo mediava beberagens, lecionava inglês e pintava cenas naïf. Foi neste contexto que o ecólogo e etnobotânico Dennis McKenna e o antropólogo Luis Eduardo Luna, em visita ao Peru, conheceram Amaringo, que a partir daí começou a pintar suas mirações. Sob a influência da Ayahuasca aprendeu a misturar cores, vibrando em seus quadros suas experiências cosmológicas e visionárias. Sua arte se destaca pela riqueza de detalhes e planos interligados, formas espirais e maestria no retrato das figuras indígenas e mitológicas. Por sugestão e co-autoria de Luna, publicou o livro Ayahuasca Visions: The Religious Iconography of a Peruvian Shaman, projetando suas experiências para além-mar e fazendo sua arte e cultura ganhar visibilidade mundial.

Considerada um forte e significativo elo imaterial com o divino, a sabedoria ancestral da Ayahuasca fez nascer diferentes tradições espirituais nas comunidades indígenas amazônicas. Em 2008, o governo peruano a declarou Patrimônio Cultural. O trabalho de Amaringo contribuiu amplamente para o reconhecimento da Ayahuasca enquanto tradição, já que proporcionou ao mundo ver as cores e formas de sua “arte vegetal” visionária, chamando atenção para a importância da cultura amazônica e dos conhecimentos dos povos da floresta.

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Anabê

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