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Anabê

Colecionadora de terras, observadora de nuvens. Sofre da síndrome dos sotaques múltiplos.

Miriam e a cidade

Faixas de pedestres, paredes descascadas, borrões de tinta, poças de lama. Transitando pela cidade, a cada olhar mais demorado sobre as coisas, surge uma nova descoberta, um novo elemento, um novo universo. Conheça o trabalho da fotógrafa brasileira Miriam Homem de Mello.


"Velha com capa" ou "Chapéuzinho Vermelho"velha_de_capa.jpeg

Andamos pela cidade de forma escorregadia: atravessamos as ruas, subimos e descemos escadas, passamos por prédios, casas, construções, nos amontoamos nas calçadas. Na maioria das vezes, estamos desatentos: se olhássemos bem, veríamos que há muitos, muitos universos contidos em cada pequeno elemento do espaço físico em que habitamos.

A artista visual Miriam Homem de Mello desenvolveu um olhar mais demorado sobre as coisas e passou a fotografá-las. Seu olhar nos leva além, muito além no caso dela, daquilo que é óbvio – ou melhor, daquilo que nem é tão óbvio assim. E nos leva a observar de forma também mais atenta, instigando a criação de nossas próprias significações.

"Com a fotografia aprendi a dar a tudo uma nova dimensão, a dimensão do enquadramento. Minha relação com o mundo passou a ser balizada por esse parâmetro. Tudo uma questão de enquadramento, de ângulo de abordagem, de grau de zoom, de correção cromática. Como se o banal pudesse tornar-se sublime por meio disso e vice-versa, como se o real não fosse obrigatório, mas uma questão de escolha. Acho que é essa a minha escolha. Povoar a cidade com crops e zooms dando à minha própria vida um enquadramento mais real." (Miriam Homem de Mello)

"Árvore"arvore.jpeg

"O Beijo" o_beijo.jpeg "Couple"couple.jpeg "Arraia"arraia.jpeg

"Fly-baby"fly-baby.jpeg

"Imensa noite"imensa_noite.jpeg

"Pôr-do-sol"por_do_sol.jpeg

"Ando pela cidade duvidando que exista mundo real. Não consigo acreditar que a vida exista de fato. Acho que o mundo sente o mesmo por mim, uma absoluta desconfiança. Me habituei a enxergar pelas ruas paisagens e cenas tão reais quanto todas as outras, tão imaginárias quanto tudo o mais. Existem? Eu criei? Alguém mais as vê? Não importa, afinal tudo é igualmente incrível. E me relaciono com elas como com qualquer desconhecido que não raro me aborda, para cumprimentar, se lastimar, pedir informação, assegurar que já nos conhecemos. Não, não os conheço, nem eles a mim. Vivemos em isolamento conjunto, como bolhas que flutuam e ocasionalmente se encontram, sem que precisemos transpor a película confortadora da integridade.” (Miriam Homem de Mello)


Anabê

Colecionadora de terras, observadora de nuvens. Sofre da síndrome dos sotaques múltiplos..
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