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Anabê

Colecionadora de terras, observadora de nuvens. Sofre da síndrome dos sotaques múltiplos.

Os Povos do Rio Omo

Conheça as admiráveis pinturas corporais dos Povos do Rio Omo pelas lentes do alemão Hans Sylvester e descubra por que vida e arte no local encontram-se ameaçadas.


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Às margens do Rio Omo, na Etiópia, vivem algumas comunidades tradicionais, entre elas os Bodi (Me’en), Daasanach, Kara, Kwegu, Mursi e Nyangatom. Estes povos somam cerca de 200 mil pessoas e ganharam visibilidade em todo o mundo, através do trabalho do fotógrafo alemão Hans Sylvester. Interessado em suas pinturas e posturas corporais, Sylvester acompanhou-as por seis anos, retratando alguns dos muitos aspectos artístico-culturais de algumas delas. Seu trabalho foi publicado no livro "Natural Fashion – Tribal Decoration from Africa" (Editora Thames & Hudson). Voltado à princípio para o mundo da moda, hoje se transformou em importante instrumento ativista. A pintura corporal dos Povos do Rio Omo, desenvolveu-se pela disponibilidade de cores oferecidas pelas condições geológicas do local onde vivem: o vale Rift, região vulcânica de onde extraem variada quantidade de pigmentos naturais. As pinturas são combinadas com arranjos de frutas, flores, cascos, folhas e galhos, o que as tornam ainda mais belas e peculiares.

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O Rio Omo nasce nos planaltos do Shewa, na região central da Etiópia e deságua ao sul, no famoso Lago Turkana, na fronteira com o Quênia (você já assistiu o filme "O Jardineiro Fiel"?). Às suas margens foram encontrados fósseis dos "Homens de Kibish", ancestrais humanos datados em 195 mil anos, ou seja, os fósseis de Homo sapiens mais antigos conhecidos até o presente momento. O Rio inunda anualmente e quando recua deixa o solo fértil, proporcionando condições ideais para o cultivo de sorgo, milho, feijão e outras culturas praticadas pelos povos que ali vivem. O Vale Inferior do Omo é considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, enquanto o Parque Nacional do Rio Omo é a maior Unidade de Conservação da Etiópia. É no Baixo Vale do Omo que encontramos uma das poucas matas fluviais inalteradas da região semi-árida africana, que abriga enorme biodiversidade.

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Tamanha importância arqueológica, cultural, ecológica não foram suficientes para barrar a prática do "desenvolvimento a qualquer custo". Em 2006, o governo iniciou as obras da barragem hidroelétrica Gibe III. As consequências são catastróficas: o Omo ficará reduzido a um quinto, trazendo impactos socioambientais irreversíveis.

Na construção da Gibe III, que deve gerar energia para a capital etíope, estão envolvidos o governo local, o Banco Africano de Desenvolvimento, uma empresa italiana, um banco chinês, entre outros empreendedores. Mas será que vale a pena destruir culturas milenares e diversos ecossistemas em troca de energia elétrica?

Quer saber mais? Mais + sobre Hans Sylvester na Obvious. Mais + sobre os Povos do Rio Omo e a Gibe III.


Anabê

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