utópica verdade

Entre o sonhar e o realizar existe um meio termo

Alberto Coutinho

Além de marido apaixonado e pai coruja, sou ser indomável e pertinaz perseguidor da verdade que está no horizonte feito utopia. A cada aproximação conheço melhor o mundo, as pessoas e a mim mesmo, mas nunca a possuirei plenamente.

A hipocrisia das marchas e passeatas contra a violência


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Parece válvula de escape ou medida desesperada para aliviar a consciência, mas as marchas de protesto contra a violência apenas reforçam a superficialidade com que o tema é tratado pelo estado que terceiriza a sua histórica responsabilidade que remonta ao Brasil império. Responsabilidade tão evidente que não precisamos ir muito no passado para descobrir que um dos pontos nevrálgicos, a educação, ao lado da saúde, é sempre a mais prejudicada sempre que um governo é empossado. No início é sempre promessas que depois viram justificativas esfarrapadas para o recorrente fracasso.

Então, quando vejo autoridades, políticos e candidatos com suas roupinhas brancas lavadas a omo, participando dessas manifestações pedindo paz, meu ceticismo quanto a eficácia desses atos aumenta exponencialmente. Aumenta mas não chega no limite, pois infelizmente a gente se acostuma a ver político pregando uma coisa e fazendo outras. Meu limite de incredulidade só vai a níveis estratosféricos quando vejo o povo vestido de branco, incapazes de um aprofundamento maior sobre o tema, carregando faixas com dizeres que todo mundo já sabe mas ninguém faz nada. Posso parecer duro e exigente demais, mas para se combater a violência, acredito que precisamos bani-la em nós e de dentro de nossas casas. E não precisa ser vidente para perceber que cada pessoa que está ali, vestidinha de branco tem, não raramente, seus dias de fúria em que despeja sua raiva numa criança que ainda não tem discernimento para captar as complexidades da vida adulta, numa manobra de trânsito que diariamente acaba com a morte de alguém, na violência contra a mulher, no xingamento eivado de raiva e ódio, nas brigas por futebol e por ai vai. É claro que nossos atos violentos de cada dia não se comparam a um tiro de AK-47 do traficante, mas com certeza a soma de todos eles vão, de certa forma, alimentar essa grande violência de que falam os cartazes das passeatas.

Sou obrigado a perceber, com o merecido respeito as vítimas e parentes de vítimas da violência, que somos todos cúmplices do chefe do morro que manda queimar ônibus defendendo seu lucrativo negócio. Ao permitir que nossos jovens se contaminem com a droga que ele vende estamos errando por não sermos pais presentes e competentes o bastante para perceber a tempo que nossos filhos viraram fonte de renda para o tráfico e a nossa omissão se transformou em bala perdida na cabeça de algum inocente. O tabu maior, que ninguém ousa debater, reside no fato de que o uso das drogas lícitas utilizado de forma natural por pais no interior do lar, são recebidos como estímulos que impulsionam nossos filhos para os traficantes. Pesquisas sérias comprovam que, a maioria dos dependentes de drogas, tiveram sua iniciação em casa com as drogas "lícitas" sob o olhar e não poucas vezes, o estímulo dos pais.

Será que os bandidos se sensibilizam ao ler as faixas e ver todos vestindo roupas impecavelmente brancas? Será que autoridades vão tomar alguma medida efetiva para deixar os níveis de violência próximos a dos países desenvolvidos? Se as autoridades também estão, de roupinha branca, participando das passeatas pedindo paz e o fim da violência para quem vamos reivindicar? Deus? FIfa? Resta abrir os olhos e ter coragem de admitir que, para mudar nossa imensa sociedade precisamos mudar um pedacinho de cada vez a começar pelo pedacinho que nos encontramos. E votar direito na próxima eleição também ajuda.


Alberto Coutinho

Além de marido apaixonado e pai coruja, sou ser indomável e pertinaz perseguidor da verdade que está no horizonte feito utopia. A cada aproximação conheço melhor o mundo, as pessoas e a mim mesmo, mas nunca a possuirei plenamente..
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