utópica verdade

Entre o sonhar e o realizar existe um meio termo

Alberto Coutinho

Além de marido apaixonado e pai coruja, sou ser indomável e pertinaz perseguidor da verdade que está no horizonte feito utopia. A cada aproximação conheço melhor o mundo, as pessoas e a mim mesmo, mas nunca a possuirei plenamente.

Tá na hora da criança crescer

Curiosamente o povo brasileiro se contenta com pequenas migalhas de diversão e busca freneticamente a emoção fugidia, etílica e vazia de uma festa para curtir ou um gol para comemorar, ignorando e sabotando seu potencial para uma alegria plena e duradoura.


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Me perguntaram se estava feliz com o resultado do jogo. Acho que não... Ou melhor: com certeza não estou. Isso representa apenas um pequeno avanço para o Brasil e precisamos ir muito mais além. Mais do que um pequeno avanço, essa derrota pode significar um choque para que nosso povo saia da infância e finalmente amadureça. Que caia a ficha: Não somos os melhores do mundo no futebol. Caímos na lábia da mídia que a décadas nos condiciona a essa autoimagem falsa. Uma campanha muito bem orquestrada, pois acreditamos a tal ponto de ver arte onde desfila egos bem renumerados.

Toda criança, um dia, precisa largar a chupeta e nosso povo se apega ao futebol e a qualquer alegria volátil, instável e explosiva como se fosse a última chupeta da terra, ou pior, como se não existisse chance alguma de galgarem, algum dia, aos degraus da felicidade que, ao contrário de alguns princípios mal compreendidos, é possível sim.

Por outro aspecto ganhamos. Se continuarmos comparando nosso povo a uma criança que prioriza a chupeta em detrimento de outras necessidades, essa derrota pode significar um estímulo ao crescimento. Como essa criança escolhemos mal as nossas prioridades cujo preço pagamos ano após ano sem o pai ou a mãe para consolar.

Não que a diversão seja algo ruim, mas a prioridade que nosso povo dá a essa emoção fugidia, etílica e vazia é enojante pela sua desnecessidade. Gostamos de bancar os bobos alegres rindo, gritando, bebendo para no dia seguinte acordar para mais um dia de rotina, contas para pagar, patrões exigentes e governantes que não estão nem ai para essa criança. E tome festa! Dá-lhe vodca!É gol! Estamos alegres e pouco importa o nosso futuro e dos nossos descendentes; pouco importa se minha alienação vai significar pouco dinheiro pois escolhemos a chupeta ao trabalho, escolhemos a ressaca ao invés da política, escolhemos criticar as manifestações quando poderíamos estar lá.

Talvez a derrota nos faça escolher gradativamente a alegria duradoura em detrimento do divertimento volátil. Quem sabe um dia possamos vislumbrar até a felicidade que é um estágio muito acima da alegria e da diversão e reconhecer que esta poderá ser compartilhada com muitos e não terá prazo de validade como tem a emoção de um gol ou de um excesso de bebida alcoólica. Muito embora a busca dessa felicidade seja algo trabalhoso que implique em estudo, trabalho duro e disciplina, recuso-me a acreditar que nosso povo seja adverso a esses conceitos, pois em muitas vezes em nossa história, já demonstramos o contrário.

Assim, fica o convite para olharmos para nosso futuro e decidirmos se ficamos com a chupeta chorando por uma derrota no futebol ou optamos por empreender ações para que deixemos de ser o país do futebol para nos transformarmos no pais que trata seu povo com dignidade e as oportunidades alcancem a todos. Para isso, tenho alguns adjetivos bem interessantes como "o pais que mais exporta cientistas", "o pais do IDH elevado", "o pais das doenças erradicadas", "o pais dos direitos humanos repeitados".

Para isso precisamos abrir mão da chupeta. Estamos amadurecidos para isso?


Alberto Coutinho

Além de marido apaixonado e pai coruja, sou ser indomável e pertinaz perseguidor da verdade que está no horizonte feito utopia. A cada aproximação conheço melhor o mundo, as pessoas e a mim mesmo, mas nunca a possuirei plenamente..
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