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Infinitas possibilidades entre o caos e a calma

Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta

A reinvenção do ser normal

Ser excêntrico virou quase uma obrigação, mas será que fazer parte de tribos e grupos faz de você um ser autêntico? É desse questionamento que uma nova tendência emerge e a normalidade ressurge, agora como transgressora. Buscar o caminho inverso rumo a sua própria individualidade pode ser a chave para a verdadeira autenticidade. E você, é normal?


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Já reparou que a superexposição saturou?! Todo mundo quis se diferenciar tanto, que a excentricidade chegou ao seu ápice e agora recua. Parece que o mundo está cansando de tanta ostentação.

O que era para ser autêntico foi tão banalizado que perdeu o sentido, de modo que se todo mundo é diferente, então ninguém é. Vamos pensar assim: para se tornarem peculiares as pessoas se inserem em tribos com as quais se identificam, desta forma podem ser diferentes e ainda assim protegidas por seus semelhantes. Mas, de tão diferentes, os membros do grupo acabam sendo todos exatamente iguais. Inseridos em uma identidade coletiva, abrem mão sua individualidade. De tribo em tribo, o “ser normal” se perdeu no meio do caminho.

Após essa busca incansável pelo diferencial e pelo destaque, que criou uma sociedade caricata e levou ao exibicionismo exagerado e a tanta futilidade, parece que agora as pessoas querem dar um basta, retrocedem em busca da normalidade e do anonimato como estilo de vida. Chegou o momento de fazer o caminho de volta ao lugar-comum.

Mas o que é afinal ser normal? No dicionário, ser normal significa agir conforme a norma, estar dentro da média, seguir padrões. Só que, de tão rejeitada, a normalidade ressurge agora como a transgressora. Louco isso?! Veja bem, diante do tédio da hiperexposição nas redes sociais nas quais uns se tapeiam para parecerem ter vidas mais interessantes e felizes que outros, a vontade de não entrar na briga e ser apenas comum se torna quase irresistível. Parece que o exibicionismo está mesmo saindo de moda.

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Um artigo da revista Elle – com foco em moda naturalmente , mas que pode ser adaptado a todos os quadrantes da vida – me chamou atenção uma vez que dizia que “a versão 2014 do ordinário dialoga com o conceito de diversidade”. Eu explico: a tendência agora é procurar valorizar o cotidiano, se sentir livre para transitar por diversos grupos, explorar todas as suas individualidades para conviver de forma harmoniosa com todo tipo de gente e, assim, criar referências para formar sua própria autenticidade.

Quanto mais coisas se vê por aí, mais conhecimentos, mais ideias, mais conexões, mais inspirações. O ser humano precisa transcender o que já existe para construir a sua individualidade e se reconhecer como personalidade única. É ok não querer se enquadrar em nenhum grupo, nem estar com os holofotes virados para nós.

Um passeio entre os grupos dos “diferenciados” como mero espectador permite um resgate de si próprio e abre espaço para grandes descobertas internas. Ser normal é apenas querer ser a gente mesmo, sem ter que se rotular. Ao priorizar o individual, não há mais necessidade de exposição. No maior estilo ser normal, mas não igual, e sim adaptável, podemos nos encontrar como ser único e peculiar.

Essa normalidade proposta, em que as pessoas buscam seus próprios ideais ao tirar o melhor de cada grupo, nos exime de, a todo custo, querer ser como os outros, e permite escutar nossa própria vocação. Mas não confunda ser normal com ser conformado, aceitar consensos sociais limitantes, ser inerte a tudo de errado que acontece por aí. É dentro de cada um de nós que acontece a revolução.


Lucia Righi

jornalista, curiosa, metida, contraditória por definição, daquelas que prefere o caos e a desordem pra se encontrar, que quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo e sempre por dentro de tudo que acontece na volta e no mundo, que pretende ler os livros do mundo em uma vida. Um dia ainda dou conta.
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